terça-feira, 26 de setembro de 2006

A democracia vai resistir à liberdade de imprensa, até porque uma não vive sem a outra (26/09)

Você que lê este blog há algum tempo sabe qual é a minha posição sobre a liberdade de imprensa. Ou a liberdade de imprensa é absoluta, ou não existe. Por uma razão simples: se não houver a absoluta liberdade de cada um publicar (no sentido amplo, que inclui a mídia eletrônica) o que quiser, teremos que definir quem vai autorizar o que pode ou não ser publicado. Como jamais chegaremos a um consenso sobre a quem atribuir esse poder, tal impasse nos levaria à ditadura. Claro que a liberdade de imprensa não implica a irresponsabilidade: cada um responde pelo que publicou, algo aliás muito razoável. Responde na esfera política, na esfera econômica e na esfera judicial. De novo, o sempre presente James Carville: "é o Estado de Direito, estúpido!". Gente que freqüenta este blog mostra incômodo com a cobertura que a maior parte dos grandes veículos faz sobre a chamada "crise do dossiê" (uma crise real) e sobre um perceptível (e em alguns casos expresso) desejo de levar a eleição para o segundo turno. Qual é o problema nesse desejo? Nenhum. Se você acha insuportável consumir as informações distribuídas por determinado veículo, pare de lê-lo, ou de vê-lo. Ou contenha o seu desgrado. Não sei se Luiz Inácio Lula da Silva leva a eleição no primeiro turno ou se teremos uma segunda rodada entre ele e Geraldo Alckmin. Já estamos tão perto do dia... Vou esperar pelo resultado. Ninguém é obrigado a apostar se não quiser. Nem eu. No meu cassino, você tem o direito de ficar só olhando. Mas uma coisa merece registro. Se a democracia é o sistema dos freios e contrapesos, é saudável que também a imprensa seja capturada por essa lógica. Mas só quem pode frear democraticamente o poder da imprensa é o povo/eleitor. A força do dispositivo colocado em ação para tentar levar o pleito ao segundo turno e os magros resultados obtidos até agora mostram que o país amadureceu. Pode até haver um segundo turno, claro. Alckmin ainda pode ser o futuro presidente? Evidente que pode. Mas acho que doravante os veículos vão entender que sua força -e mesmo sua sobrevivência- dependerão cada vez mais de quão pluralistas e equilibrados conseguirem ser. É como se o (e) leitor dissesse algo assim: "interesso-me mais pelo que está acontecendo do que pela sua opinião sobre o que está acontecendo". Faz sentido.

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20 Comentários:

Anonymous maria santos disse...

Pois então, Alon, foi direto ao ponto. Motivo que, pela primeira vez, comento seu blog. Não queremos que a mídia seja ameaçada; como não queremos ser ameaçados por ela. Tenho certeza que é o pensamento do Sr. Presidente. No momento, a mídia se mostra arrogante, mentirosa, caluniosa, com poucas excessões. Até o Dines, quem diria, desanca a ISTOÈ, por conta do dossiê serra e faz questão de esquecer o dossiê dantas. É exigir muito do povo, que sustenta todos eles. Não é preciso fazer guerra; basta o povo deixá-los de lado. Sem audiência, quero ver quem vai sustentá-los.

terça-feira, 26 de setembro de 2006 14:36:00 BRT  
Anonymous Daniel Negrini disse...

Alon, realmente não tenho nada contra a liberdade de imprensa. O que está incomodando muito nesta eleição, eu diria que não apenas agora, mas desde o ano passado, com o início dos escândalos... É que não tenho opção. Não existe uma boa revista ou um bom jornal (TV ou impresso) que seja realmente imparcial. Particularmente, eu nunca gostei da frase de um conhecido jornalista: "é uma vergonha"... Parei, totalmente, de assitir a seu jornal na TV... Abração!

terça-feira, 26 de setembro de 2006 14:42:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

É exatamente o que venho comentando há semanas nos vários blogs do OI. Fico indignado e irritado quando tentam me dizer como e o quê devo pensar. Principalmente quando não o fazem abertamente, mas escamoteando fatos, deturpando acontecimentos, distorcendo dados, apresentando notícias já filtradas por uma opinião disfarçada. É uma enorme falta de respeito à independência, dignidade e direito constitucional à informação e livre opinião dos leitores. Por que só a mídia tem direito à liberdade de pensamento? E por que tentam usá-la para inibir a minha liberdade de pensamento?

terça-feira, 26 de setembro de 2006 15:51:00 BRT  
Blogger Angelo da C.I.A. disse...

Alon, eu acho que os veículos de comunicação devem sim assumir um lado. E devem explicitá-lo. O pior é, sob um falso manto de imparcialidade, agir subrepticiamente em favor de uma candidatura.

Mas há o maior mal de todos: O do veículo que, sob o peso dos poderosos patrocínios do Estado, se vê obrigado a optar por um lado.Vimos agora um caso em qeu o desespero pela empatia governamental jogou no lixo toda a credibilidade de uma revista. É pior, muito pior do que qualquer caso de atuação imparcial da mídia em eleições. Queiram os petistas ou não!

Abraços,
Ângelo da C.I.A.

terça-feira, 26 de setembro de 2006 16:03:00 BRT  
Anonymous carcamano disse...

Em tese (condições ideais de temperatura e pressão), você está certo, mas a vida real não é tão simples. O que dizer das concessões de rádio e tv? Não é todo mundo que pode dizer o que quer (e arcar com as conseqüências). Novamente em tese, espaços digitais como este seu chegaram para abrir brechas na barreira do poder econômico e político de se dizer o que quer, mas é cedo para dizer. Tendo tempo, faço outras considerações. Claro, que isso não significa ir contra a liberdade de imprensa, mas precisamos tomar cuidado para confundir liberdade de imprensa coma liberdade de (im)pressão

terça-feira, 26 de setembro de 2006 16:50:00 BRT  
Anonymous João X disse...

Alon,
Francamente! "Se não gosta pare de lê-lo" Isso não existe nem no País mais capitalista do mundo. Eu tenho fortíssima críticas quanto às tentativas da Folha e do Estadão em formar minha opinião. Tenho diploma, ganho mais de 10 salários e ambos insistem em me desqualificar como eleitor de Lula. Azar o deles. Perdem o crédito. Mas não posso apenas deixar de lê-los pois não há opção. Alias, em busca de mais informações tenho lido os blogs. Graças a Deus, me informo cada vez masi pela internet e menos pela impresa deformadora de opinião.

Eles vão demorar para enteder que pago a droga do jornal para ser infomrado e não formado!!!

terça-feira, 26 de setembro de 2006 17:01:00 BRT  
Blogger Paulo C disse...

Certo, vamos por partes:
"Claro que a liberdade de imprensa não implica a irresponsabilidade: cada um responde pelo que publicou, algo aliás muito razoável. Responde na esfera política, na esfera econômica e na esfera judicial."

Em tese você tem razão. O problema é como cruzar o fosso entre a teoria e a prática. Quanto a Globo pagou aos donos da Escola Base, depois de ter destruído suas reputações e quase incitado seu linchamento? Aliás, quanto vale isto?

Como alguém notou aí em cima, quando acrescentamos os dados de distribuição de concessões de rádio e TV ao tema liberdade de imprensa, estamos falando da liberdade de quem exatamente? A minha? Não, porque eu não posso simplesmente comprar uma antena e criar uma rádio. Mais, a regulamentação das rádios comunitárias tem sido sistematicamente barrada.

"Mas acho que doravante os veículos vão entender que sua força -e mesmo sua sobrevivência- dependerão cada vez mais de quão pluralistas e equilibrados conseguirem ser."

Não conheço muitos veículos pluralistas e equilibrados no Brasil. Até a Folha, que um dia fez propaganda com este tema, já parou de fingir que é equilibrada - o máximo que consegue é colocar o ombundsman para mentir com umas estatísticas de quando em quando ou mostrar pesquisas de amostra viciada sobre sua suposta neutralidade.

Se estamos no reino da "liberdade dos donos da prensa" então a solução para o problema liberdade de imprensa parece ser não mais ou menos liberdade mas mais imprensa. Os donos de jornais, rádios e TVs notam isto, basta ver a reação às declarações tímidas do governo sobre incentivo à criação de mais veículos.

Enfim, concordo com você em tese - mas acho que deixar um poder não eleito e não fiscalizável nas mãos de meia dúzia de empresários dentro de uma democracia talvez seja confiar demais na tal mão invisível do mercado.

terça-feira, 26 de setembro de 2006 17:46:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Pois é, paulo, precisam contar ao povo que monta rádio comunitária nas favelas que existe liberdade de imprensa.

terça-feira, 26 de setembro de 2006 18:33:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Eu tiro o chapéu para o Alon. Nesta ele matou a pau. O trunfo da direita está em acusar a esquerda de ser contra a liberdade de imprensa. O Alon desarma isso de um modo genial: basta ser a favor da liberdade de imprensa e pronto, você tirou a escada debaixo deles. O poder da imprensa está sendo minado pela estreiteza da base de leitores dos jornais e das revistas. Claro que tem a televisão, mas pelo visto o povo não mais absorve acríticamente o que a televisão traz.

terça-feira, 26 de setembro de 2006 18:40:00 BRT  
Anonymous Cesar Cardoso disse...

Tudo bem, Alon. Mas quanto ao seu parágrafo Se você acha insuportável consumir as informações distribuídas por determinado veículo, pare de lê-lo, ou de vê-lo., como fica o leitor em cidades onde há falta de concorrência na imprensa diária?

Brasília mesmo é um exemplo. Só temos o Correio Braziliense no segmento de "quality newspapers". O Jornal de Brasília certamente não é uma alternativa ao público que lê o Correio. Sim, tem sempre os jornais de fora, mas aí se perde a cobertura da cidade, que considero essencial num jornal.

O caso mais dramático é o do Rio, onde o Globo reina. O Jornal do Brasil é um cadáver ambulante e O Dia não sabe se vai ou se fica.

terça-feira, 26 de setembro de 2006 18:54:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Caro Alon
Aqui na Baixada Santista, dezenas de jornalecos, não sejamos tolos, de propriedade ou influenciados por políticos e empresas, fazem o jogo que lhes convém!
As emissoras de rádio com maior índice de audiência, são de propriedade de Beto Mansur(partido do Maluf).
Os canais de televisão com maior assistência, são dos Santini(de direita) e de Gastone Righi(lembra dele?)!
Sem querer ser dramático, a vitória do Lula (não falei PT), será heróica!

Edson Araújo(sem partido)


rewex

terça-feira, 26 de setembro de 2006 19:03:00 BRT  
Anonymous Marcos disse...

Não sei se já comentei aqui antes sobre este assunto. Para mim, a solucão é simples: Libera geral. Abre o mercado nacional para o mercado estangeiro. Teremos mais e melhores opcões, podem apostar.
O mesmo se aplica a bancos.

terça-feira, 26 de setembro de 2006 19:36:00 BRT  
Anonymous jose carlos lima disse...

É a TV Globo e nao o IBOPE que está precisando de uma refundação.

Engraçado como eles não dão o braço a torcer. Os portais UOL (ckmin), Folha Online e Globo, com seu vergonhoso manchetismo, dizem que o Geraldo disparou. É verdade. Ele cresceu 8 pontos. Desde quando crescer 8 pontos durante um mês é disparar? Dão a entender, pelo na manchete, que o crescimento de 8 pontos foi devido ao caso dossiê anti-Serra. Na verdade o Geraldo crescu 8 pontos durante um mês. Desde quando isso é disparar? Só se for em direção ao abismo.

Estes jornais me provocaram muita ansiedade é enxaqueca por conta de um noticiário que beira a fraude.

terça-feira, 26 de setembro de 2006 19:45:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

terça-feira, 26 de setembro de 2006 19:48:00 BRT  
Anonymous carcamamno disse...

Eu logo que vi o post, falei que não dá para dizer que temos liberdade de imprensa no país. Mas, diante dos comentários, chamo a atenção para o fato de que também não podemos atacar o conceito porque temos uma imprensa ruim (na verdade, péssima). A idéia é termos liberdade de imprensa de verdade e não apenas para alguns grandes grupos. Democratizar a mídia e não acabar com ela.

terça-feira, 26 de setembro de 2006 20:19:00 BRT  
Blogger Angelo da C.I.A. disse...

Que coisa Alon... Você falando em liberdade de expressão e...Não publicou um comentário que deixei aqui! COmentário em que não ofendi ninguém, só apontei os fatos: Petistas se ofendem quando falam que o governo do partido deles é formado por quadrilheiros. Não deviam, há uma peça formal de acusação muito bem fundamentada pelo Procurador geral da República.

No mais, ser IMPARCIAL em casos como o da compra e fabricação do falso dossiê, do Mensalão ou da quebra de sigilo do caseiro é um imperativo MORAL de todo jornalista.

quarta-feira, 27 de setembro de 2006 03:21:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caro Angelo, se voce reenviar e de fato nao houver agressoes ou acusacoes criminais terei prazer em publicar. Sinceramente, nao me lembro de quando ou como possa ter ocorrido isso que voce descreve.

quarta-feira, 27 de setembro de 2006 10:10:00 BRT  
Blogger Angelo da C.I.A. disse...

Ok Alon. Pode ter havido um engano. Mas eu juro que não ofendi ninguém no comentário que digo ter sumido.

Abraços e parabéns pelo seu blog!
Ângelo

quarta-feira, 27 de setembro de 2006 14:32:00 BRT  
Blogger Angelo da C.I.A. disse...

Outra coisa, no comentário que reclamei do comentário que não foi publicado eu escrevi tudo errado. O certo deveria ser: "ser PARCIAL em casos como o da compra e fabricação do falso dossiê, do Mensalão ou da quebra de sigilo do caseiro é um imperativo MORAL de todo jornalista".

Desculpe-me e agora paro de encher-lhe a paciência!

quarta-feira, 27 de setembro de 2006 14:35:00 BRT  
Anonymous jose carlos lima disse...

A Folha foi punida e terá de dar direito a resposta a Lula porque o jornalista Clovis Rossi, segundo a justiça, cometeu crime. Quando os jornalistas são punidos em tais situações, os seus colegas saem em defesa do colega. É o que faz Josias de Souza/Folha Online no seu blog.

Falam de liberdade imprensa. No entanto cometem abuso no exercício de tal liberdade. Quando são punidos por suas disenterias verbais, os jornalistas, feito destranbelhados, ficam a gritar por aí que estão sendo vítimas de falta de liberdade de expressão. Liberdade de expressão ou liberdade de caluniar, difamar?

quarta-feira, 27 de setembro de 2006 19:02:00 BRT  

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