sexta-feira, 29 de setembro de 2006

Debates (29/09)

Debates eleitorais são duelos. Disputas por liderança. Falar mal de seu oponente tem algum efeito, mas relativo. Ninguém espera que um candidato fale bem de outro que luta pela mesma cadeira, não é? De quatro em quatro anos, procuro assistir aos debates presidenciais nos Estados Unidos. Eles são formatados de um jeito que faz a coisa parecer luta de gladiadores. É a disputa pela liderança da tribo. Ou da alcatéia. Se não leu, dê um jeito de ler Chamado Selvagem (na imagem, uma capa do livro), de Jack London. Liderança é coisa a ser conquistada com bravura, honra e preocupação com o interesse coletivo. Líderes não expressam mágoa, raiva, ressentimento, inveja. Líderes não desprezam nem desmerecem o adversário. Líderes não arranham o adversário. Se necessário, matam-no (no caso de eleições, o sentido é figurado, é claro). Mas matam homenageando-o, pois elevar o vencido só amplifica o feito do vencedor. Como na antropofagia indígena. Eu não consegui assistir ao debate de ontem na TV Globo, por um compromisso assumido anteriormente. Mas não poderia deixar de escrever sobre debates, não é?

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2 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Os liberais estão inconformados, revoltados mesmo, com a possibilidade de mais quatro anos de um governo que acham "populista", por medidas como o Bolsa Família, o Luz para Todos, o aumento do salário-mínimo, a redução de impostos na cesta básica alimentar e na de material de construção para a casa própria, do crédito facilitado para aposentados, pensionistas e pequenos investidores...

Por isso, voto em Lula. São necessários mais quatro anos de Lula para que se pare com essa conversa fiada de que Bolsa Família é esmola, que o Brasil necessita é de mercado liberado (menos na hora do prejuízo, porque aí a Viúva "auxilia")... O Bolsa Família é um programa com regras - como, por exemplo, a que obriga a criança a comparecer à escola, ao médico, a tomar as vacinas - que contribuirão para um futuro melhor para o país, onde o Bolsa Família - aí sim - se tornará supérfluo. Mas isso não acontece de hoje para amanhã.

E enquanto o médio e o longo prazo não chegam, o que fazer com a legião de miseráveis que cerca as grandes cidades, com os mendigos - adultos e, tragicamente, crianças - alcoólicos, viciados em cola, benzina, thinner, esmalte, crack - muitos deles já completamente irrecuperáveis; o que fazer com os camponeses sem terra atropelados pelo agrobusiness; o que fazer com os que trabalham para os traficantes, para o crime em geral, se não há mercado de trabalho legal para eles; o que fazer com aqueles para quem o futuro já passou, que não se alimentaram a tempo, não estudaram direito, não têm o mínimo preparo para enfrentar esse mundo altamente competitivo do mercado liberado; aproveitarmos nossa imensa fronteira marítima e lançá-los ao mar, sem bote ou salva-vidas?

Se foram necessários oito anos de governo FHC para que o brasileiro se visse livre da dependência da correção monetária, que o fazia viciado em inflação, precisamos agora de mais quatro anos de Lula no governo para que o país entenda de uma vez por todas que se acabou o tempo de planejar o Brasil sem levar em conta os mais pobres. Por isso, sou Lula de novo

sexta-feira, 29 de setembro de 2006 13:58:00 BRT  
Anonymous João Lisboa disse...

Lula ganhou o debate. Sua ausência num espetáculo montado pela Globo o livrou de uma arapuca. Os "democratas" tucanos que reclamam da ausência petista se calaram quando FHC não compareceu ao debate em 98. O pau que bate em chico tem que bate em francisco também. Os erros do PT, e não são poucos, não justificam um jornalismo claremente editorializado. Lula também ganhou da "grande" imprensa, independente do resultado das eleições. Esse jornalismo de patrão sai desmoralizado das eleições. Se Lula perder as eleições, torna-se vítima e se ganha desmoraliza os ditos "formadores de opinião".

sexta-feira, 29 de setembro de 2006 14:37:00 BRT  

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