sexta-feira, 29 de setembro de 2006

De onde tirar 5% do PIB? (29/09)

Sugiro um monumento aos assuntos importantes que até agora não foram sequer tangenciados na eleição presidencial. Seria uma espécie de "túmulo do soldado desconhecido" para esses temas. Transcrevo trecho de reportagem da Agência Estado, assinada por Nilson Brandão Junior:

Taxa de investimentos no Brasil é metade da registrada na China

Na avaliação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), para o País crescer de forma sustentada em 5% ao ano, a taxa brasileira precisa chegar a 25%

RIO - A taxa de investimentos na China ficou, na média, em 40% do Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos quatro anos, o dobro da registrada pelo Brasil nos últimos doze meses encerrados no primeiro semestre deste ano (20,1%). Na avaliação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), para o País crescer de forma sustentada em 5% ao ano, a taxa brasileira precisa chegar a 25%, o que exigirá o aumento da parcela dos investimentos nos gastos públicos e redução do peso das despesas correntes, prega o instituto.

Clique aqui para ler a reportagem completa.

Bingo! Finalmente! Alguém disse o que tinha que ser dito! Precisamos poupar 5% do PIB a mais para a economia crescer esses mesmo 5% ao ano. A pergunta da qual os candidatos fogem como o diabo o faz da cruz é "de onde o senhor vai tirar esses 5% do PIB?". Vai cortar onde? Quanto isso significa de corte em cada item específico do orçamento? Ou vai aumentar os impostos? Quanto? Para quem?

Mas, por que enveredar pelo que é incômodo, se a alternativa mais confortável -a mistificação- tem tanta receptividade? Para que correr riscos desnecessários?

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7 Comentários:

Anonymous Cesar Cardoso disse...

Se for montar esse monumento, vai ter que montar pra todos os temas que não seja chamar o outro de ladrão.

sexta-feira, 29 de setembro de 2006 10:45:00 BRT  
Blogger Fernando disse...

Cara,

Não é tão simples como os economistas dizem. Eles comparam alhos com bugalhos. Na China não tem previdencia social. As empresas estrangeiras são sedentas pra investir por causa do futuro mercado de 1 bilhao de pessoas. É uma ditadura, não tem negociação com o congresso. A ditadura comunista permite impor restriçoes ao "mercado" que são impensaveis numa economia como a brasileira.
E enfim, é a historia de um povo que tem um objetivo de longo prazo que é se transformar na maior potencia mundial de novo.

O Brasil só vai crescer, qdo entronizar todos os modelos externos e criar um modelo só nosso. Decidindo aonde queremos chegar no futuro proximo e no distante.

O povo brasileiro, seus lideres, e etc, ninguem tem essa visao.

Asta,

sexta-feira, 29 de setembro de 2006 11:33:00 BRT  
Anonymous Alexandre Porto disse...

Esses 5% vão sair da queda no pagamento de encargos da dívida, com os juros menores, e da consequente queda na carga tributária. A dívida pública e seus encargos são o maior constrangimento de noso país, uma herança maldita que ainda levaremos tempo para nos livrar. Nosso orçamento é quase todo vinculado. Não adianta prometer mágica, porque ela não existe.

sexta-feira, 29 de setembro de 2006 11:42:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Metade do orçamento da União é usada no pagamento de inativos com pensões nababescas, algumas delas dignas de contos de fadas.
Mais de 40% vão para o pagamento das dívidas advindas de desequilíbrios como este (dos inativos e gastos com funcionalismo). O que sobra? Nada. Os 10% restantes são consumidos vorazmente pelas despesas corriqueiras da máquina estatal.
Um estado monstruoso e voraz, insaciável, é a principal causa no nosso baixo crescimento. Privatize-se, reduza-se a máquina estatal, dê-se um choque de gestão nesta máquina, profissionalize-se o funcionalismo e extinga-se seus privilégios - estabilidade etc. - e sobrará dinheiro para investir, para fazer o país crescer como os outros.
O Fernando Henrique fez sua parte, preparando o país para um futuro promissor, mas o Lula desfez boa parte do que tinha sido feito, e o horizonte mais próximo nos mostra um cenário desolador.

sexta-feira, 29 de setembro de 2006 12:28:00 BRT  
Anonymous Flausino von Rubiloca disse...

È a infra-estrutura idiota.
Não que eu estaja chamando ninguém de idiota, somente usando o bordão.

sexta-feira, 29 de setembro de 2006 12:33:00 BRT  
Anonymous arkx disse...

"de onde o senhor vai tirar esses 5% do PIB?"

da taxa de juros.

o principal argumento contra o corte imediato dos juros afirma que é preciso aprofundar o ajuste fiscal.

é um contra-senso. já que a única conta deficitária do Estado (a Previdência sem a DRU tem superávit) é a conta de juros.

é puro engodo responsabilidade fiscal se um mês de juros correspondem ao gasto anual com o SUS.

sexta-feira, 29 de setembro de 2006 21:20:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Se a engenharia fosse feita como a política, os prédios cairiam , pois os políticos prometeriam revogar até a Lei da Gravidade para se elegerem.
(um exemplo assemelhado foi o Palace II do Sérgio Naya).
Já se política fosse feita como engenharia, as políticas publicas seriam sólidas e duradouras como são os prédios, e como diz este post.
Mas não acredito que o maior problema Brasileiro seja o baixo crescimento, que nem é tão baixo assim (Austrália, México, Canadá, União Européia, também experimentam baixo crescimento). Continuo achando que o maior problema do Brasil é a péssima distribuição de renda, seguida da péssima gestão dos serviços públicos pelas verbas aplicadas. E bem ou mal, as 2 coisas estão sendo atacadas.
O Brasil com o tipo de vocação econômica que tem, se tiver um crescimento Chinês provocará colapso ambiental. Não é um bom caminho.

sábado, 30 de setembro de 2006 00:55:00 BRT  

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