quarta-feira, 30 de agosto de 2006

Zuenir, um "reforçador de opinião" (30/08)

Meus amigos de O Globo vão me desculpar, mas tive que partir para a apelação: usei meus (parcos) conhecimentos de informática e produzi um .pdf com o texto que o Zuenir Ventura publicou hoje no jornal. Foi o jeito que achei para poder me referir ao artigo, já que entrar na atual formatação de O Globo na Internet é mais difícil do que ingressar na Academia Brasileira de Letras. Linkar, então, é impossível. Não conheço nada parecido. O técnico que bolou o sistema deveria trabalhar como consultor para o Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). No dia em que sair das cadeias de São Paulo for uma coisa tão difícil quanto entrar atualmente no site de O Globo, o crime organizado terá sofrido um importante revés. Mas voltemos ao Zuenir, cujo texto pode ser acessado clicando aqui. Sob o título Os reforçadores de opinião, ele entra no debate sobre a relevância da imprensa. Vale a pena ler. Um trecho:

"Em matéria de preferências políticas, há mais livre arbítrio do que se pensa. Nada mais impróprio do que nos chamarem de 'formadores de opinião' (de minha parte, não formo nem na minha casa), quando não somos nem 'reformadores'. No máximo 'reforçadores'. Nunca soube de alguém dizendo: 'Penso assim, mas estou querendo mudar de idéia.' Com exceção dos indecisos, os que nos procuram é para confirmar uma convicção, não para mudá-la."

Leia também: Cobertura dos jornais não acompanha tendência do eleitorado (Reuters)

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8 Comentários:

Anonymous Cesar Cardoso disse...

De passagem: o jornalão do Rio entrou numa de dificultar a sua leitura na internet. Será que o Globo ainda nutre inveja do falecido JB? O atual inexpressivo tablóide da Zona Sul carioca também entrou nessa...

quarta-feira, 30 de agosto de 2006 19:04:00 BRT  
Anonymous carcamano disse...

Debate promovido pela Reuters chega à mesma conclusão, mas coloca o Blogs jornalísticos na roda:
http://today.reuters.com/news/globalCoverage.aspx?type=newsmakersIraq&src=cms

quarta-feira, 30 de agosto de 2006 19:08:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Então o Zuenir precisa ler mais sociologia. Afinal, a ascensão de Lula não tem a ver com a pessoa Lula (que é o que é), mas com o mito (o operário bonzinho que chegou lá). E mito é criação dos formadores de opinião.
Só como dica, leia Bauman, Weber, Elisabeth Neuman e veja se não há farto material que comprova a existência dos formadores de opinião. O resto é aquela patacoada do "não acredito em pesquisa porque nunca me entrevistaram".

quarta-feira, 30 de agosto de 2006 19:31:00 BRT  
Anonymous Fernando Trindade disse...

Caro Alon,

para mim a surpresa apareceu na pesquisa Datafolha do final de maio. Não esperava Lula com índices de intenção de votos tão alta e (especialmente)não esperava uma polarização das intenções de voto em termos de renda e 'instrução' tão impressionante como ali se apresentava e que se mantém até agora. Um comentário do Mauro Paulino aguçou a minha curiosidade. Ele disse algo mais ou menos assim: - a minha impressão é a de que as classes menos favorecidas estão declarando intenção de voto com uma autonomia inédita no período pós-ditadura. O Marcos Coimbra também disse umas coisas muito interessantes nessa linha em artigo na Carta Capital, que vale a pena ler. Aliás ele podia voltar a falar algo sobre isso. Seria bom que o Montenegro (Ibope) também dissesse alguma coisa.

Enfim, a grande (e - preciso dizer - agradável) surpresa foi então constatar que a Mídia - especialmente os jornalões -está sendo irrelevante para formação da opinião da maioria do eleitorado nesta eleição (ressalva:pelo menos até este momento).

Hipótese 'explicativa' (otimista para a esquerda-e incluo os que querem democratizar para valer o mercado como esquerda) que arrisco: a desigualdade social tem sido historicamente tão grande neste País que 'os de baixo', depois de gerações de exclusão e menosprezo (atenção para a herança do escravismo), à medida em que vão se tornando sujeitos e tendo algum acesso aos mercados, seja o de trabalho, seja os de outras espécies (educação, consumo, religião, lazer etc)vão percebendo que os seus discursos e valores pouco ou nada têm em comum com os discursos e valores daqueles 'do andar de cima', com quem passam a conviver por boa parte do seu dia. (Acho que têm a ver com aquele negócio de que para um mesmo significante, você pode ter vários significados, dependendo da linguagem do sujeito. Talvez alguém da filosofia, da psicanálise ou da linguística pudesse ajudar na análise).

Aí é eleito um Presidente que os 'de baixo' identificam como um 'dos seus'. O Governo do tal Presidente passa a adotar medidas que começam a ir ao encontro das expectativas dessas pessoas, que têm as suas esperanças ampliadas. Um belo dia aparece na TV um cidadão bem vestido e elegante dizendo que o tal Presidente é um despreparado, analfabeto e cachaceiro e que não gosta de trabalhar (um parêntesis: essas expressões singelas têm sido tradicionalmente usadas por boa parte de patrões e superiores em geral quando contrariados com os seus empregados 'de baixo'. Ou não?)E aí depois vem um outro cidadão 'bem apessoado' e diz que vai bater no tal Presidente. Chamado de ladrão logo depois por outro respeitável Senhor (ladrão também é, não raro, termo com que se chama os empregados do 'andar de baixo' quando desaparece um ou outro objeto da casa ou do escritório. A ameaça de dar uma surra também não é tão incomum.)

E por fim, aparece na TV um outro Senhor também muito distinto bradando que 'nós nunca assistimos a tanto roubo e tanta corrupção neste País'.

Nesse momento, o porteiro, o motorista, a manicure,a empregada doméstica, o 'peão' de obra, o digitador, a balconista etc etc etc tomam um susto e pensam algo que eu traduziria mais ou menos assim:-NÓS quem cara pálida?

Mas isso é só uma (impressionista) hipótese otimista de um esquerdista esperançoso que sonha apenas em democratizar (para valer) os mercados neste País.

Agora, que o artigo do experiente e experimentado Zuenir faz as nossas idéias saírem por aí inventando hipóteses explicativas, isso faz.

Atenciosamente. Fernando Trindade

quarta-feira, 30 de agosto de 2006 19:56:00 BRT  
Anonymous Alexandre Porto disse...

http://www.informante.net/resources.php?catID=2&pergunta=3129#3129

Pode ser o artigo em formato texto aqui.

quarta-feira, 30 de agosto de 2006 20:05:00 BRT  
Blogger Cassio disse...

Acho que eu descobri como vc pode copiar mais facilmente o texto.
Na página do texto que não é possível copiar, clique com o botão direito do mouse e escolha o código fonte.
Lá você terá os códigos do programa e o texto. Se desejar mais facilidade, vá em localizar e digite uma palavra do texto que ele irá procurá-la. Aí é apenas preciso remover os códigos do programa.
OK?

quinta-feira, 31 de agosto de 2006 01:53:00 BRT  
Anonymous Alexandre Porto disse...

C;assio,
essa tática finciona para os textos do Globo Online, não para o Jornal Digital que foi feito numa tecnologia da Macromedia que na prática cria um sistema de nagegação como bitmaps. Só fazendo reconhecimento de caracteres (OCR).

quinta-feira, 31 de agosto de 2006 12:31:00 BRT  
Anonymous joao carlos disse...

concordo 100% com as criticas ao Globo, eu, que eu moro em Sao Paulo já tinha me acostumado a ler um jornal com mais densidadde que a, na minha opinião, estridente e superficial Folha de Sao Paulo.
Porém, agora ficou tão difícil que eu desisti de ler até as colunas de Tereza Crunivel e Merval Pereira.

quinta-feira, 31 de agosto de 2006 12:58:00 BRT  

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