sexta-feira, 18 de agosto de 2006

Uma escorregada do JN e a pergunta não respondida sobre o Líbano (18/08)

Hoje vi no Jornal Nacional a festa que a população do sul do Líbano faz para saudar a chegada do exército libanês, que junto com as forças internacionais vai assumir o controle da fronteira com Israel. Bem, o JN mostrou as imagens da festa mas não explicou do que se tratava. Ficou estranho, tipo foto sem legenda. Aliás, os festejos não batem com a versão predominante na cobertura jornalística sobre o estado de ânimo da população libanesa. Por que a população do sul do Líbano festeja a chegada de seu exército, se ele é sabidamente menos preparado para enfrentar Israel do que era o Hezbollah? Se o Hezbollah era (ou é) o suposto "protetor do Líbano" contra Israel, e se o Estado Judeu supostamente tem a vocação de atacar o Líbano, por que o povo saúda nas ruas a chegada de uma tropa que, acha ele, vai suprimir boa parte da presença militar de seu maior protetor? Aliás, um general libanês está preso por ter confraternizado com militares israelenses antes do cessar-fogo. Hora de acordar. Os libaneses do sul festejam nas ruas a chegada de uma tropa que vai pôr fim ao domínio absoluto do Hezbollah na região. Talvez porque os libaneses queiram ser donos de seu destino, e não reféns do fundamentalismo. É chique às vezes teorizar sobre o "papel" do fundamentalismo no combate ao neoliberalismo e à globalização. Duro mesmo deve ser viver sob o mando político absoluto de fundamentalistas armados.

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5 Comentários:

Blogger Paulo de Tarso Soares disse...

Caro Alon, não sou eu quem vai defender a vida sob o domínio de fanáticos religiosos. O texto escrito por você diz que a população do sul do Líbano está comemorando sua libertação do Hezbollah. Bom, se é assim e não vou questionar, isso só mostra o absurdo que está sendo cometido por Israel. Ele está matando gente que, em princípio, seria seu aliado na luta contra o Hezbollah. Quer dizer, ele, em pleno autismo, mata qualquer um que atrapalhe sua luta contra o Hezbollah. sabe o que isso me lembra? Me lembra Hitler dizendo que, para cada alemão morto, dez italianos seria mortos. Matar uma população civil, impedir ajuda humanitária, em nome da segurança de Israel já teve outro nome e era bem depreciativo. um grande abraço,Paulinho.

sexta-feira, 18 de agosto de 2006 21:54:00 BRT  
Blogger Paulo de Tarso Soares disse...

Ah, Alon, esqueci-me de colocar uma divergência profunda. Refiro-me a afirmativa de que é chique teorizar sobre o papel do fundamentalismo no combate ao neoliberalismo e à globalização. Não é chique, não. É pura burrice!!! Um grande abraço, Paulinho.

sexta-feira, 18 de agosto de 2006 22:00:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Já sabia disso há tempos: basta não ler artigos orientados pela mídia israelense/americana. É ela que mistura libanês e Hizbollah, assim como sionista e judeu.
O Hizbollah representa somente 30% do Parlamento libanês. Nunca foi mais do que um PCC dos pobres xiitas, expulsos de suas terras e massacrados na Guerra Civil.
Mas o discurso de que todos eram os mesmos, além das imagens que todo árabe tem uma metralhadora e fica berrando para a câmera tem seus interesses.

sexta-feira, 18 de agosto de 2006 22:42:00 BRT  
Anonymous Marcus disse...

Engano seu.

O enviado especial da Rede Globo, Marcos Uchôa, mostrou muito claramente em matéria do Jornal da Globo que a popularidade do Hezbollah aumentou bastante, para além dos muçulmanos xiitas, e uma boa parte dos libaneses considera que o Hezbollah é o seu verdadeiro exército de resistência.

Pior do que viver sob um governo fundamentalista, é morrer sob bombas dos representantes da dita civilização.

domingo, 20 de agosto de 2006 03:29:00 BRT  
Blogger Sergio Leo disse...

Excelente comentário, Alon!!! Bela sacada. Uma coisa é a população acreditar que o Hizbolá é o único capaz de impor resist~encia aos planos israelenses: outra é gostar de ver fundamentalistas no comando do governo.

segunda-feira, 21 de agosto de 2006 19:55:00 BRT  

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