quarta-feira, 9 de agosto de 2006

O Hezbollah não quer se desarmar, e o Irã não quer que ele se desarme (09/08)

Onde reside a dificuldade para que a ONU aprove o projeto de resolução com um cessar-fogo no Líbano: o líder do Hezbollah, Hassan Nasralah, não aceita a presença de tropas internacionais ao lado do exército libanês numa zona tampão na fronteira com Israel. Nasrallah falou hoje sobre o assunto na tevê do Hezbollah. Dias atrás, escrevi neste blog que a questão do contingente internacional definiria o vencedor e o perdedor da guerra. Nem Israel nem o Hezbollah querem perder. Portanto, a guerra só acabará quando um dos dois lados desistir de alcançar uma solução militar para o problema. É assim que acabam as guerras. Aliás, é importante notar que até a semana passada o Hezbollah e seus aliados (Irã) pediam um cessar-fogo imediato, supostamente por razões humanitárias. Agora, a palavra de ordem mudou: desejam a retirada completa e imediata de Israel do Líbano, e a ocupação do sul do país unicamente pelo exército libanês. Israel aceita a retirada completa, mas quer na região tropas internacionais com dentes para evitar o rearmamento do Hezbollah, cujo protejo estratégico é destruir Israel. Ser desarmado é tudo que Nasrallah não quer. E imaginar que o anêmico exército do Líbano vá, sozinho, impor seu diktat sobre o Hezbollah é quase tão realista quanto achar que José Maria Eymael vai decidir a linha do programa eleitoral de Luiz Inácio Lula da Silva. Ou seja, o debate é em torno de o Hezbollah manter-se ou não como uma milícia à parte do exército libanês e armada pelo Irã, apesar de ser um partido político como os outros. Em tempo: há uma resolução da ONU (1559) que determina o desarmamento do grupo. O que está ficando mais claro a cada dia é que o Líbano só terá um governo de verdade quando o Hezbollah tiver sido desidratado militarmente, ou então quando tiver tomado o poder. O Irã lutará com unhas e dentes contra a desidratação de seu aliado, pois seu projeto estratégico é ter no Líbano uma cabeça de ponte para um eventual conflito nuclear com Israel (e, por tabela, com os Estados Unidos). O Líbano neutralizado militarmente (ou, pior, alinhado ao ocidente, como a Turquia) seria um duro golpe para os aiatolás.

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10 Comentários:

Blogger Ricardo disse...

A prática de Israel visa igualmente destruir o Líbano, é bom nos atentarmos a isso. Afinal, um país que se utiliza dos escudos de uma religião para pregar uma moral superior aos demais povos da região, justificando a carnificina e a limpeza étnica, não é exatamente flor que se cheire.
Força internacional que colabore com o Exérctio Libanês, sim. Mas que Israel imediatamente se retire quando da chegada destas tropas e que descarregue parte dos bilhões de dólares que recebe dos EUA para recontruirem o que destruiram.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006 20:30:00 BRT  
Anonymous Julieta Nassar disse...

Carnificina? Limpeza étnica? Moral superior? Você deve estar falando do fascismo xiita, da "revolução xiita" que os aiatolás querem exportar para o mundo. Eles querem acabar com Israel porque é um ponto de resistência do Ocidente. Sãos os novos Saladinos lutando contra os novos cruzados. Se você quer esses malucos tipo Ahmadinejad, Al-Sadr e Nasrallah mandando no mundo, só para justificar seu "anti-imperialismo", só para sentar num barzinho do Leblon e dizer que você está lutando "contra a globalização e contra o neoliberalismo", parabéns para você, Ricardo. Israel saiu do Líbano, estava quieto na dele, e foi atacado. O Hizbulá lança milhares de foguetes sobre áreas civis, sem qualquer objetivo propriamente militar, e você vem falar em "carnificina"? Ora, faça-me o favor!

quarta-feira, 9 de agosto de 2006 20:47:00 BRT  
Anonymous André disse...

Os libaneses, o resto dos paises árabes e o Hezbollah tem o direito de se defender também, por que que a ONU não deve buscar o desarmamento de Israel?

quarta-feira, 9 de agosto de 2006 21:38:00 BRT  
Anonymous Julieta Nassar disse...

André, tem uma pequena diferença: Israel é um país, que não quer riscar do mapa nem o Líbano, nem a Síria, nem a Jordânia, nem o Egito. Dois destes países, inclusive, tem relações diplomáticas com Israel. Vamos fazer o paralelo com a Colômbia. Quem precisa se desarmar é a Farc, não o governo colombiano. Repito: a guerrilha xiita quer destruir Israel, com o apoio do Irã nuclear. O mundo deve aceitar isso pacificamente?

quarta-feira, 9 de agosto de 2006 22:01:00 BRT  
Anonymous fatima gemayel disse...

eu como cristã maronita de zahle quero dizer que estou cansada do hizbalah, cansada do fanatismo que sequestrou meu pais. tudo começou em 1968 quando o rei hussein mandou os palestinos para cá. desde ali nunca mais tivemos a paz.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006 22:07:00 BRT  
Anonymous Daniel G disse...

"The point that I want to leave with you in this very brief presentation is where I started, is that there is no United Nations. There is an international community that occasionally can be led by the only real power left in the world, and that's the United States, when it suits our interest, and when we can get others to go along. And I think it would be a real mistake to count on the United Nations as if it is some disembodied entity out there that can function on its own."

Isso foi dito pelo Sr. Jonh Bolton...Quem não conhece deveria conhecer.

Acredito que também é bom acrescentar a lista de "malucos" as figuras de Ariel Sharom..Ehud Olmert e Bush, entre outros.

Israel "quieto na dele" ?!? Em que mundo você vive Julieta ? Você esquece dos crimes em Gaza, dos assentamentos ilegais, das inúmeras tentativas do conselho de segurança da ONU de impor limites aos planos de Israel, sempre barrados pelo veto Americano ? Israel ocupou ilegalmente o territorio libanes por 22 anos !!!

Israel não quer destruir nem riscar do mapa nenhum Estado, quer eliminar o povo Palestino.

1000 mortos de um lado e cerca de 100 do outro...é uma relação de 10/1 que mostra claramente o uso desproporcinal de força e a "carnificina" promovida por Israel e paga pelos Estados Unidos.

quarta-feira, 9 de agosto de 2006 22:50:00 BRT  
Anonymous André disse...

Fala sério Julieta! Quer dizer que Israel não quer riscar o Líbano do mapa? Eu acho que Israel apena não falou o que gostaria de fazer...Os palestinos talvez tenham o deer de ficar sofrendo caladinhos também todas as injustiças que tem sido feitas a eles desde a criação do estado de Israel

quinta-feira, 10 de agosto de 2006 00:55:00 BRT  
Anonymous José Santos e Silva disse...

Os moderados àrabes são os que levam a pior nessa briga. Os EUA querem tanto um Oriente Médio "democrático", mas ficam impassíveis enquanto Israel destrói a mais antiga democracia àrabe. O engenheiro civil jordaniano Samir al Qudah lembra hoje na Folha: "vive no Líbano um clérigo xiita que preside uma milícia que tem vínculos com o Irã. É o xeque Hassan Nasrallah, e Washington aprova a campanha de bombardeios de Israel para erradicar sua organização, que é o Hizbollah. Existe outro clérigo xiita que usa turbante negro e preside uma milícia diferente, que também atua clandestina e tem vínculos com o Irã. Seu nome é Abdel Aziz al Hakim. Mas ele mora no Iraque. E é aliado dos Estados Unidos."

Também na Folha, o cineasta e pacifista israelense Avi Mograbi acusa: "Esse derramamento de sangue começou mesmo com o Hizbollah matando sete e seqüestrando dois soldados. O governo de Israel teve de decidir como cuidar das conseqüências desse evento. Poderia ter havido negociação para a liberação dos soldados. Mas Israel decidiu eliminar o Hizbollah com bombardeios, o que foi seguido por bombardeios do Hizbollah. Por seis anos, desde a retirada das tropas israelenses do Líbano, Israel negligenciou a questão Hizbollah e não tratou disso com os meios diplomáticos de que dispõe. E decidiu ir à guerra horas depois dos seqüestros, sem alertar o outro lado ou os próprios cidadãos que nos dirigimos à guerra total. Eu teria estudado qualquer outro caminho. Agora que os dois lados estão se atacando, deveríamos convocar um cessar-fogo e negociar."

quinta-feira, 10 de agosto de 2006 06:40:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Só para lembrar:

1) Se a palestina havia sido dividida entre Israel (55%) e Palestina (45%) em 1947, hoje a Palestina tem apenas 20% do território. Portanto, é falso o argumento de que Israel está quieta em seu canto. Basta lembrar que o Muro da Vergonha expandiu ainda mais a área de Israel, e não se restringiu às já alargadas fronteiras
2) A própria Economist mostrou esta semana que o plano de destruir o Líbano estava pronto, apenas esperando uma desculpa para ser posta em prática.
3) O Hizbollah não decide nada: o ministro libanês já apoiou a vinda de exércitos internacionais, desde que conjuntamente com o exército regular. Jogar a culpa no Hizbollah para continuar a carnificina e a tragédia humanitária (25% da população desalojada por conta de 2 militares sequestrados? me poupe) é tudo que Israel deseja.

quinta-feira, 10 de agosto de 2006 12:49:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Aliás, só para complementar a digníssima Julieta, que acha que ser contra a estratégia israelense é obrigatoriamente ser pró-Irã ou algo que o valha: sou contra eles também. Tão contra que acho que o Líbano é bode expiatório para Israel prosseguir sua limpeza em Gaza (aliás, uma centena de mortos em duas semanas, enquanto o mundo olha para o Norte).
Sou favorável aos árabes moderados, os grandes massacrados pelos ataques "sem sentido (sic)" de Israel. É como se a polícia brasileira, para perseguir o PCC, bombardasse a Capela do Socorro, pois há terroristas do PCC infiltrados ali.
O Hizbollah, inclusive, agradece Israel por terem os transformados em mártires e isolado os árabes moderados para o escanteio.

quinta-feira, 10 de agosto de 2006 12:58:00 BRT  

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