quinta-feira, 3 de agosto de 2006

O caminho de Cuba (03/08)

O balanço histórico da trajetória de Fidel Castro terá que ser feito quando ele não mais estiver vivo. A política e a História são como o futebol, o jogo só acaba quando o juiz apita. Com raríssimas exceções, costuma ser arriscado fazer previsões com o jogo em andamento. Os comentaristas esportivos evitam. Os comentaristas políticos também deveriam evitar (ainda que às vezes seja irresistível). Qual é a chave da análise sobre Cuba e Fidel? O comandante terá saído vitorioso se, ao final, e mesmo sem ele, o Partido Comunista institucionalizar o domínio sobre a política cubana, mais ou menos nos moldes chineses. A alternativa desejada pelos Estados Unidos é a implantação de um regime pluripartidário, nos moldes da Europa do Leste pós-União Soviética. A tensão entre Cuba e os Estados Unidos é um resquício da Guerra Fria. Quando o mundo estava dividido entre Wahington e Moscou, Cuba era aliada da União Soviética e esta era adversária estratégica dos Estados Unidos. A Crise dos Mísseis, em 1961, cristalizou esse desenho, ainda que seu desfecho tenha resultado num statu quo favorável a Cuba, que se viu livre da ameaça de uma agressão militar americana. A Guerra Fria não existe mais, e isso de algum modo facilita a busca de uma solução. Esperemos.

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