sexta-feira, 25 de agosto de 2006

O Brasil precisa saber o que o espera (25/08)

O Brasil é um país eternamente em busca do atalho. Especialmente quando o suposto atalho nos promete contornar algum conflito político. Somos uma sociedade à beira da guerra civil, mas temos horror ao conflito político. Aceitamos conviver com o crime organizado, mas qualquer declaração mais dura de algum político acaba censurada, por supostamente ajudar a promover a radicalização. É o mêdo pânico de que o ambiente da senzala contamine a casa grande. Eu penso exatamente o contrário. Sou a favor de que os políticos se agridam verbalmente sem limites, mas que responda a processo alguém que se atreva a xingar o outro no trânsito. A democracia não é a supressão dos conflitos, mas a realização deles no âmbito de regras consensualmente aceitas. Agora, volta à pauta esse assunto do pacto. É um fantasma que insiste em não morrer. Eu tento acompanhar a política desde o presidente Castello Branco e não conheci governo que não tivesse flertado com a idéia. Como das outras vezes, não vai dar certo. Ainda bem. Governo é para governar. Oposição é para fazer oposição. A mais dura possível, dentro das regras do jogo. É o necessário mecanismo de freios e contrapesos. O governo é um bicho muito forte, tem dentes e garras cortantes, e muitos músculos. Tem que apanhar o tempo todo para não sair dos limites. Nas democracias, onde funciona um parlamento, o governo precisa montar maiorias parlamentares para não ser derrubado, ou inviabilizado. Luiz Inácio Lula da Silva acredita que vai ser reeleito e começa a falar em pacto. Em vez de perder tempo com isso, deveria falar sobre como vai montar um amplo governo de coalizão para dar ao país estabilidade política nos próximos quatro anos. A não ser que Lula esteja pensando em governar com minoria no Congresso. Se for, deve dizer isso claramente (como, aliás, Heloísa Helena já fez), para que o país saiba o que o espera e possa fazer a sua escolha.

Leia também: Lula faz um bom governo, de Kennedy Alencar, na Folha Online

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7 Comentários:

Anonymous Paula Nascimento disse...

Essa conversinha de "páquito" é só prá montar (de novo) um governo cheio de companheiros do PT e tentar não ter problemas com o Congresso. Esse PT perde o pelo mas não perde o vício.

sexta-feira, 25 de agosto de 2006 13:26:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Não sei, Paula. Para mim, tem mais cara de manobra para rachar o PSDB. Como se isso fosse obra de difícil execução.

sexta-feira, 25 de agosto de 2006 13:53:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

A concertacion (é assim que se escreve?) deu certo no Chile, Espanha e outros países. Vivemos num momento realmente delicado e é preciso sim um alinhamento forte em direção a um norte para nosso país. Uma espécie de trégua para aprovar certos projetos chaves, como a reforma política. Depois poderemos voltar a, maniqueisticamente, jogar pedras nos telhados de vidro dos outros.

sexta-feira, 25 de agosto de 2006 15:07:00 BRT  
Anonymous Cesar Cardoso disse...

anonymous: o PSDB já está rachado. O presidente já captou isso. A questão é como esse racha vai acontecer. Pelo andar da carruagem, vai sobrar Alckmin, Serra, FHC e Tasso no PSDB e o resto vai seguir o Aécio no PMDB.

sexta-feira, 25 de agosto de 2006 15:08:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Afinal, qual o grande problema a resolver que necessite de um amplo entendimento? As instituições estão funcionando normalmente, as eleições estão a um passo. Embora com algum sinal de alerta para algum ajuste, a economia está com os fundamentais mais comportados. Ao menos, até onde a vista de um pobre mortal alcança, é isto que está ocorrendo. Então qual a necessidade de um amplo concerto? Pela governabilidade? Tudo bem, mas nem sabe-se, nesta altura, quem vai governar. Na falta de clareza, supõe-se que seja mais uma lance de uma pauta eleitoral, na base do se colar, colou.

sexta-feira, 25 de agosto de 2006 16:18:00 BRT  
Blogger Paulo C disse...

Nisto concordo com swamoro e por tabela com o Alon - mesmo os grandes temas de manchetes recentes não representam ameaças institucionais diretas. Ninguém ouve falar em golpe (tá, em um ou outro blog político, especialmente nos mantidos por jornalistas cujo nome começa com N e termina com t, começaram a aparecer nos comentários declarações de amor à ditadura - mas isto é episódico e irrelevante), ninguém espera uma grande crise econômica repentina.

O PCC pode ser perfeitamente enfrentado e debelado com as leis e instituições que temos.

Os deputados corruptos estão cada vez mais acuados - há alguns anos era praticamente impossível algum deputado criminoso ser sequer julgado. Agora a sociedade tem acuado o Congresso e forçado cassações, investigações. Em breve o julgamento de cassações não será mais por voto secreto. Arricando um palpite, acho que muito em breve a imunidade parlamentar se tornará parcial.

A democracia não está em jogo, nem o sistema econômico - o que está em jogo é a qualidade de ambos e a capacidade e vontade da sociedade de enfrentar os desafios colocados.

No mais, acho que isto foi só uma cortina de fumaça, coloca-se a proposta e anotam-se os nomes daqueles supostos oposicionistas que NÃO se colocaram publicamente contra a idéia. Ano que vem estes viram parte da base de sustentação do governo.

E claro, a base de sustentação vai depender muito dos passos do governador de Minas - se Aécio for para o PMDB levando seu contingente de parlamentares (e uma já tardia dose de modernização àquele partido), não seria muito fantasioso pensar em um projeto conjunto PT-PMDB com vistas à sucessão de Lula, com Aécio na cabeça da chapa, alienando completamente de possibilidade de poder a aliança conservadora PSBD/PFL (ou Mercado Financeiro Paulista/Neo-Coronelismo Semi-Feudal).

sexta-feira, 25 de agosto de 2006 17:54:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, aqui na terrinha do sol nascente esta para acontecer a mudança do Premier, e o partido que detem a maioria o PLD que saem os candidatos ao posto maximo, de vários pretendentes na reta final perfilam 3 em disputa, destes o primeiro mais votado dentro do partido será o presidente do partido PLD e sucessor do Primeiro Ministro Koizumi, que ira se retirar depois de 5 anos no poder e é considerado recordista com mais tres ex-premier que passaram pelo poder pós-guerra. E no ano passado a oposição que questiona os planos de reformas da situação, especificamente pela privatização do Correio que alem dos serviços postais tambem atua como Banco e é o maior fundo de poupança popular do Japão. Ministro Koizumi destitui a Camara Baixa e convocou novas eleições e aconteceu em um mes apenas com absoluta normalidade e o povo concedeu a maioria absoluta para continuar com suas obras de reforma e modernização do Estado, isto é, um Estado Menor. E aconteceu eleições para governador num Estado Nagano-Ken, aqui não tem essa de coincidencia de eleições que a cada pleito já é dificil escolher o Presidente que dirá o resto, cada estado ou municipio tem seu calendario, e o melhor, pode a qualquer momento destituir por menção de desconfiança pela força do povo, imprensa, oposição e realizar a qualquer momento novas eleições. Se esses que estão prometendo que sonham com um Brazil para todos, tem que dar um tiro no pé, e fazer a revolução tributaria (ver Marcos Cintra), educacional (Cristovam), moralidade politica (HH) e se conseguir este pacto, o rio seguirá seu curso naturalmente.
Yoshio - Japão

sexta-feira, 25 de agosto de 2006 21:49:00 BRT  

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