sexta-feira, 4 de agosto de 2006

A medida do resultado da guerra e Sykes-Picot (04/08)

Quando as armas silenciarem entre Israel e o Hezbollah, começará o debate sobre quem ganhou e quem perdeu a guerra. Se a guerrilha mantiver razoável capacidade de lançar foguetes sobre Israel, dirá que ganhou. Se o Estado Judeu conseguir reocupar uma zona tampão no sul do Líbano, dirá que ganhou. O mais prudente é que a medida da vitória ou da derrota deva ser tomada a partir da composição e do caráter de uma hipotética força armada multinacional de paz na região. Esse é o elemento que determinará, estrategicamente, qual lado manteve sua capacidade de atingir os objetivos. Israel não pretende riscar do mapa o Líbano, a Síria ou o Irã. A recíproca não é verdadeira. Se o statu quo resultante do conflito desenhar uma situação mais segura para Israel, este terá vencido. Se for o contrário, não. Os países islâmicos reunidos na Ásia querem que a força multinacional seja composta por eles mesmos, o que significaria um escudo de defesa não do Líbano ou de Israel, mas do Hezbollah. Israel quer a OTAN ocupando a zona tampão. Se os Estados Unidos, a França e o Reino Unido conseguirem aprovar na ONU um armistício controlado por tropas de comando e composição principalmente ocidental, o Hezbollah e o Irã terão sido derrotados e a OTAN, mesmo informalmente, terá posto um pé no Oriente Médio. Seria, de algum modo, a volta ao espírito do Acordo Sikes-Picot, de 1916, que desenhou o mapa regional no ocaso do Império Otomano (clique na imagem para ampliar). A percepção de que Israel sozinho não é capaz de derrotar sempre e definitivamente todos os seus inimigos pode ser desagradável para o Estado Judeu, mas pode também trazer resultados desconfortáveis para os vizinhos. Se a fronteira de Israel ficar definitivamente marcada como a fronteira militar entre o Ocidente e o Islã, os países árabes terão sofrido uma derrota dolorosa, de dimensões históricas.

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1 Comentários:

Blogger Ricardo disse...

Os árabes, especialmente os não alinhados com o terrorismo, são desde já os maiores perdedores desta guerra. Destruídos pelo estado sionista (me recuso a chamar de Estado Judeu, porque se isso for verdade, trata-se de uma teocracia e se existem árabes em Israel com "os mesmos direitos", não há porque dizer Estado Judeu), e humilhados pelo Hizbollah, pagaram todo o preço da limpeza étnica que Israel impõe sobre o território libanês.

sexta-feira, 4 de agosto de 2006 15:04:00 BRT  

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