sábado, 26 de agosto de 2006

FHC engrossa o fogo amigo (26/08)

Tem gente que fala o que pensa e apanha. Tem gente que faz a mesma coisa e é ouvido em silêncio. Ontem, Cláudio Lembo jogou uma pá de terra no que imagina ser o caixão político do candidato do PSDB a presidente, Geraldo Alckmin. O mundo desabou no partido do governador, o PFL. Hoje, O Estado de S.Paulo (Expedito Filho) traz reportagem com Fernando Henrique Cardoso dizendo a mesma coisa. De quebra, FHC lança José Serra como candidato das oposições em 2010. Não esperem por fortes reações dos tucanos em público. Agora vou especular. Acho que o ex-presidente está se vingando de Alckmin, que o tratorou na corrida pela indicação do candidato do PSDB. E está mandando, ao mesmo tempo, um recado para Aécio Neves. Por esses dias FHC também andou falando bem de Carlos Lacerda. Disse que o Brasil precisaria de um Lacerda para combater Lula. Lacerdismo no Brasil é sinônimo de golpismo. Talvez o tucano esteja cultivando um eleitorado mais à direita, tentando impedir o surgimento de uma "heloísa helena" na outra ponta do espectro. Afinal, esses votos são cativos do PSDB há mais de uma década. E planta que não é regada pode secar. À guisa de (bonito isso, não?) conclusão: perto do fogo amigo no PSDB, a luta interna do PT é festa de São João em escola de criança.

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13 Comentários:

Anonymous Cesar Cardoso disse...

FHC, aparentemente, gostou de ser oposição. Só isso para explicar porque, não satisfeito em perder em 2006, já quer perder em 2010 para o Aécio.

Aliás, só a imprensa e quem frequenta blog político (ou seja, nós) para ainda dar importância a FHC.

sábado, 26 de agosto de 2006 15:44:00 BRT  
Anonymous José Marcelo Randes disse...

Concordo, Alon. Até admiro que alguns jornalistas da área tomem por inteiro, sem mais, a afirmação de FHC, de que está "preocupado" com aquilo que lhe parece ser uma consolidação de Lula para ganhar as eleições. É só olhar o jogo e ler as palavras. FHC não está preocupado coisa nenhuma. Está expressando uma vontade. Está claro que, para o PSDB atual, naquilo que ele tem de mais autêntico (uso a palavra sem acepção de valor, no sentido de identidade), a vitória de Lula representa uma derrota menor do que a eleição de seu próprio candidato. Isto quer dizer que uma vitória de Alckmin muda a relação de poder e a cara do PSDB, na minha opinião.

sábado, 26 de agosto de 2006 15:48:00 BRT  
Blogger Paulo C disse...

Concordo com o José Marcelo - Alckmin é um acidente de percurso no PSDB, só existe porque Mario Covas morreu deixando-o governador do maior estado do Brasil (e da origem e principal base do PSDB). Sua vitória não só representaria um golpe doloroso para a cúpula tucana, tornaria os planos de 2010 muito mais difíceis (como lançar Serra ou Aécio contra um presidente em exercício?).

Por outro lado, a fala de FHC é mais uma indicação que Aécio está já com um pé fora do PSDB. Como já se disse, toda a tradição política que ele representa não vai se lançar à presidência por um partido "paulista".

sábado, 26 de agosto de 2006 16:14:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

FHC tem razão em vários pontos, mal compreendidos pelo Alon:

1) Alckmin fraturou o PSDB para ser ungir candidato, mas está isolado hoje em sua campanha. Cadê sua trupe? Onde está o PSDB Alckmista? Não existe.

2) A menção a Lacerda não me remete a golpe em nenhum lugar (só na esquerda Chivas, que parece não ler livros e insiste no maniqueísmo), mas em um político que mostre claramente diferenças de postura. Um dos males brasileiros é o consenso. Lacerda representava o dissenso. É disso que fala FHC.

3)Aécio Neves é um pulha, o típico político malandrão que, bizarramente, é adorado pela mídia, que se esqueceu de sua passagem pela diretoria de loterias da Caixa e pelo fato que o PSDB envolvido no Valerioduto é todo restrito ao recanto mineiro. Aécio vai para o PMDB - FHC sabe e igualmente sabe que o único estadista com pensamento de país neste momento político nacional é Serra. Desafio qualquer um a mostrar o pensamento nacional de Alckmin, Aécio ou - este é até piada dizer - Lula.

sábado, 26 de agosto de 2006 16:16:00 BRT  
Blogger Paulo C disse...

ricardo,

Alckmin realmente tem uma visão, digamos gentilmente, municipal do mundo. Será um bom prefeito de Pinda novamente.

Acho que qualquer oposicionista hoje concorda que a escolha de Serra era a escolha certa - um homem conhecido nacionalmente (não ia ficar nesta lenga-lenga que precisa se tornar conhecido para depois começar a campanha), articulado, com idéias próprias e experiente. Ele era a chance de vitória da aliança conservadora - chance jogada no lixo pelo aparelhamento da máquina partidária por Alckmin. é o que gerentes sabem fazer - enquanto os cardeiais viajavam pelo mundo, o Geraldo viajava pelos diretórios municipais e estaduais...

Aécio é outra história - acho preconceito seu. Ele vai se reeleger com uma votação tão estrondosa que é quase ingênuo dizer que ele não tem jeito para a coisa. Com as devidas ressalvas, exceto se acontecer algo muito diferente, ele deve ser o sucessor de Lula.

Como Lula, aliás - mais que qualquer rótulo, Lula é um animal político pronto e acabado. Só o preconceito impede que se veja isto. E seu governo não parece ir tão mal - 55% de aprovação não é para qualquer um, nem todo dia (e veja o timing perfeito deste índice, 50 dias antes da eleição).

sábado, 26 de agosto de 2006 16:30:00 BRT  
Anonymous jose carlos lima disse...

Tudo indica que virão baixarias por aí. Contra isso, nada melhor do que vacinar=alertar o povo contra a ira do PFL/PSDB que, é claro, vai espernear diante da certeza da derrota do Geraldo

sábado, 26 de agosto de 2006 17:41:00 BRT  
Anonymous Marcos disse...

Concordo com você Cesar Cardoso. A grande maioria da população ignora este individuo. E estão muito certos. Só a midia para dar voz a um sujeito que usou de um oportunismo tacanho para se reeleger. Me pergunto o que não estariam falando de Lula se este tentasse modificar as regras eleitorais em beneficio próprio?

sábado, 26 de agosto de 2006 18:11:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

A direita conservadora está orfa. Os "sociais democratas" do Brasil (que nunca os vi associados com qualquer sindicato ou entidade de representação civil - apenas com a direita lacerdista que apoiou o golpe de 1964), estão mordidos por ter perdido a oportunidade histórica de fazer uma polícita social mínima que lhes dariam hoje o mesmo reconhecimento social e eleitoral que estão dando ao Lula. Já a esquerda, ainda está perdida (porque não busca pequenas conquistas, somente as grandes conquistas).
Rosan de Sousa Amaral

sábado, 26 de agosto de 2006 19:41:00 BRT  
Anonymous Luis Carlos disse...

Divertido é nos lembrarmos de alguns episódios do passado recente. Quando a candidatura do Alckmin foi definida no PSDB, teve um jornalão de São Paulo que elogiou o "arranjo" feito pelos Tucanos em seu editorial. Não esqueço da turma da FIESP que dava sinais claros de apoio à pré-candidatura do chuchu. Teve ainda uma declaração do Antônio Ermírio dizendo que era amigo do Serra, mas achava o ex-prefeito "cabeça dura" e por isso não deveria ser candidato a presidente. Sem contar uma matéria no Valor Econômico (que saiu nesta época também) na qual “fontes” do mercado financeiro declaravam achar acertada a escolha do Alckmin. Sabe por que? Porque o ex-governador seria mais confiável que o Serra. Pode?
Agora que, ao que parece, não vai dar para o chuchuziho, começamos nós (os poucos que ainda ouvimos o "estadista" que mudou a constituição em proveito próprio) especular sobre 2010. E o nome da oposição? Serra. A monumental incompetência tucano-pefelista é flagrante. Vamos tocar a vida e quando chegar 2010 veremos se algo muda no jeito desta turma fazer política. Afinal, convenhamos, se existe algo em comum entre FHC/PSDB e o "Corvo"/UDN é que nas últimas duas eleições, os tucanos foram tão incompetentes quanto a UDN nos 50, quando levava surras eleitorais. Na época, se aparecesse um poste para concorrer com um candidato da UDN, o poste levava...
PS: Ao reduzir o Carlos Lacerda a mero representante do dissenso e achar que o adjetivo golpista não combinava com aquele jornalista, o nosso querido Ricardo mostra que está também necessitando dar uma reciclada em suas leituras, acompanhado de um Chivas, ou não.

sábado, 26 de agosto de 2006 23:30:00 BRT  
Anonymous Luis Carlos disse...

Divertido é nos lembrarmos de alguns episódios do passado recente. Quando a candidatura do Alckmin foi definida no PSDB, teve um jornalão de São Paulo que elogiou o "arranjo" feito pelos Tucanos em seu editorial. Não esqueço da turma da FIESP que dava sinais claros de apoio à pré-candidatura do chuchu. Teve ainda uma declaração do Antônio Ermírio dizendo que era amigo do Serra, mas achava o ex-prefeito "cabeça dura" e por isso não deveria ser candidato a presidente. Sem contar uma matéria no Valor Econômico (que saiu nesta época também) na qual “fontes” do mercado financeiro declaravam achar acertada a escolha do Alckmin. Sabe por que? Porque o ex-governador seria mais confiável que o Serra. Pode?
Agora que, ao que parece, não vai dar para o chuchuziho, começamos nós (os poucos que ainda ouvimos o "estadista" que mudou a constituição em proveito próprio) especular sobre 2010. E o nome da oposição? Serra. A monumental incompetência tucano-pefelista é flagrante. Vamos tocar a vida e quando chegar 2010 veremos se algo muda no jeito desta turma fazer política. Afinal, convenhamos, se existe algo em comum entre FHC/PSDB e o "Corvo"/UDN é que nas últimas duas eleições, os tucanos foram tão incompetentes quanto a UDN nos 50, quando levava surras eleitorais. Na época, se aparecesse um poste para concorrer com um candidato da UDN, o poste levava...
PS: Ao reduzir o Carlos Lacerda a mero representante do dissenso e achar que o adjetivo golpista não combinava com aquele jornalista, o nosso querido Ricardo mostra que está também necessitando dar uma reciclada em suas leituras (acompanhado de um Chivas, se preferir).

sábado, 26 de agosto de 2006 23:31:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

A vaidade de FHC não tem fim.
Retirado dos holofotes da campanha de Alckmin, por trazer rejeição em vez de votos, o sociólogo não se conteve em retomar o debate que travou com Cláudio Lembo na eleição para senador em 1978 (Montoro foi eleito, mas o segundo colocado seria o suplente).
O grave de sua interveñção nesse momento é que não ajuda em nada Serra. Seu apoio não agrega votos, mas faz aumentar a rejeição. Sugerir Serra para 2010, tampouco ajuda Serra que procura desvencilhar sua imagem de político alpinista que pula de cargo em cargo (prefeito para governador para presidente).
Correligionários de Serra precisam aplicar uma mordaça à FHC pelo menos até 1o. de outubro.

domingo, 27 de agosto de 2006 04:24:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

De uma lado há o dissenso, pelo fato de uma candidatura não estar empolgando. De outro, o dissenso atenuado por uma candidatura em condições de vencer. No meio, uma intensa busca do espólio, um País com cerca de 180 milhões de habitantes, com mais de 120 milhões de eleitores. Uns achavam tê-lo melhorado. Outros alardearam ter sido ele uma herança ruim, mas, mesmo assim, não pretendem devolvê-lo, pois, há o alarde de terem logrado melhorá-lo, com os mesmos instrumentos utilizados antes. Então, não era tão ruim assim. O que entregarão, porém, ainda é amorfo. Tanto é que pedem um um amplo pacto para definir-lhe as feições. Grande feito de ambos os lados: parecem não ter certeza do que fizeram e nem do que pretendem fazer. Exceto tentar fazer o cidadão aceitar um eterno recomeço.

domingo, 27 de agosto de 2006 10:37:00 BRT  
Blogger Claudio Machado disse...

O maior inimigo do Alckmin é o PSDB? A vaidade do Aécio? A raiva do Serra?

Votarei no Alckmin, aconteça o que acontecer.

Mas, uma coisa é certa. Se Aécio e Serra não o apoiarem, não levarão meu voto em 2010.

quarta-feira, 30 de agosto de 2006 13:30:00 BRT  

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