segunda-feira, 14 de agosto de 2006

A esquerda será novamente salva de si mesma (15/08)

Outro dia postei no blog uma pergunta sobre por que a França e o Reino Unido assinaram o Pacto de Munique em 1938 com a Alemanha, mesmo diante de todas as evidências sobre as ambições de Adolf Hitler. Que já haviam ficado bastante claras na Guerra Civil Espanhola (1936-1939). A resposta é evidente: cada uma das potências mundiais só decidiu aderir à guerra contra o nazismo quando foi diretamente atacada e teve sua existência ameaçada pelo III Reich ou por aliados deste. Antes, prevalecia o isolacionismo. Até ser invadido Josef Stalin fora atraído pela idéia de que seu pacto tático de não-agressão com o führer poderia –quem sabe? – tornar-se estratégico. Até Pearl Harbor os Estados Unidos acreditavam no seu isolamento e nos dois oceanos que teoricamente protegeriam os americanos das turbulências mundiais. A França, coitada, desistira antes de começar a lutar. A notável exceção era o Reino Unido, muito por causa de Winston Churchill. Mas em 1941 o mundo parecia destinado a dobrar-se diante da hegemonia hitlerista. Hoje sabe-se que só parecia. A História conta que após a Operação Barbarossa e Pearl Harbor vieram Stalingrado, a guerra no Pacífico e o Dia D. Depois dos quais o nazismo, Hitler e seus sonhos de dominação mundial viaram poeira. Mas durante um período relativamente curto, entre 1939 e 1941, alguns acreditaram em "neutralidade" no conflito mundial que se desenhava. Por conta disso o Partido Comunista Francês foi colocado na ilegalidade e acusado de derrotismo. Pior, alguns viam no nazismo um meio para enfraquecer o Império Britânico e conseqüentemente o imperialismo em escala planetária. Erro cometido por boa parte dos nacionalistas árabes, que até hoje pagam o preço pelo seu filo-nazismo no entre guerras (1918-1939). Todo esse prolegômeno é para fazer um paralelo com a luta atual contra o terrorismo. Uns acham que não têm nada a ver com o assunto, que seria um tema apenas para israelenses, americanos e britânicos. Outros avançam um pouco mais: namoram com o raciocínio de que o terror em escala global seria uma reação ao neoliberalismo e à própria globalização. E que portanto poderia "desempenhar um papel" na luta antiimperialista. Sem falar nos que enxergam no terror fascista uma ferramenta de transformação "rumo a uma sociedade mais justa". Entre nós (no Brasil), felizmente, esses últimos ainda não têm a coragem de expor abertamente suas opiniões. Apesar de tudo eu sou otimista. Hoje o terror fascista já tem contra ele os Estados Unidos, a Rússia, o Reino Unido, a França, a Alemanha e o Japão, entre outros. A correlação de forças no planeta está bem melhor do que estava no começo da década de 1940. A nova guerra vai ser longa e difícil. Mas a liberdade vencerá novamente, pois a maioria da humanidade já fez essa escolha. E a vitória virá com o apoio e a decisiva participação da esquerda, que em algum momento vai perceber: num mundo hipotético dominado pelo fascismo islâmico, os comunistas e socialistas estariam atrás das grades ou dentro de covas. Mas, para alívio e sorte da esquerda, felizmente não chegaremos lá. E você que vai me atacar preste atenção: eu não afirmei aqui que todo o Islã é fascista. Eu não acho isso. Apenas concordo que existe um fascismo de origem islâmica. Assim como existem fascismos de outras origens. A diferença é que hoje o fascismo islâmico tem um projeto de dominação global. E que precisa ser enfrentado e derrotado. Para o bem da democracia, do socialismo, e do próprio Islã.

3 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Você embarcou no “choque de civilizações”???
O terror fascista ronda TODOS os estados modernos que necessitam de riquezas além de suas fronteiras. Não só no islã. Basta ver como esses conflitos bélicos esmagam as correntes moderadas. Você considera o terrorismo de estado uma ficção?
Onde está e o que é o projeto de dominação global do fascismo islâmico? Me ajuda a entender isso... E por último, o modelo “civilizatório” dos EUA/Israel, é o que nos redimirá? Com quantos muros???

terça-feira, 15 de agosto de 2006 16:44:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O fascismo islâmico tem um projeto de dominação mundial ?
Embora fundamentalismo religioso, no caso islâmico, e fascismo possam ter muita coisa em comum, são categorias distintas.
Apesar disto acho que você poderia falar um pouco mais deste
projeto de "dominação mundial". O que fizeram esses países que você citou, quando se tratou de apoiar os mulás contra os comunistas no Afeganistão ? E o que fizeram quando apoiaram sucessivos golpes de estado na nascente democracia paquistanesa nos anos 50 e 70 ? E o que fizeram apoiando o regime de Sadam armando-o contra o Irã ? E o que fazem apoiando o fundamentalismo wahabita na ditadura saudita ? Plano de dominação mundial quem parece ter são os EUA e seus aliados europeus...

terça-feira, 15 de agosto de 2006 19:35:00 BRT  
Anonymous henrique disse...

Caro Alon, realmente o denominado fascismo islâmico preocupa, mas a atual situação do Irã na mais é do que produto criado pela intervenção norte-americana(continua com ifen?). Você sabia que o Irã já teve um governo democraticamente eleito? É verdade, em 1953 representado pelo médico Mohammad Mossadeg deposto pela CIA na chamada operação Ajax. (me desculpe qualquer erro de grafia do nome do referido presidente)levando ao poder o Xá pai(vamos ver se acerto o nome) Mohammed Reza Pahlevi que segundo algumas fontes de pesquisa confundia o bolso com o erário público. Por favor caso haja algun erro de avaliação de minha parte ,perdoe comecei a fazer Históri e acabei tb. largando, tendo meformado em econômia.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009 02:47:00 BRST  

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