terça-feira, 22 de agosto de 2006

A coragem que sobra para algumas coisas escasseia em outras (22/08)

Trecho do artigo Cartel, juros e 'spreads' bancários, do economista Marcos Cintra, na Folha de S.Paulo de ontem:

"É inadmissível que o setor [bancário] continue captando recursos a 15% ao ano e cobrando juros que na média chegam a 38% no desconto de duplicatas, 51% no 'hot money', 32% no capital de giro, 62% no crédito pessoal e 145% no cheque especial. Aplicando os maiores 'spreads' do planeta e cobrando tarifas exorbitantes que cobrem 130% de suas folhas de pagamentos, os bancos no Brasil registram, de acordo com o consultor financeiro Carlos Coradi, lucratividade média de 24,7%, um pouco menos que os 26,9% dos eficientes bancos suíços. Vale lembrar que os dois maiores bancos privados brasileiros tiveram no ano passado rentabilidade superior a 30%."

E os candidatos a presidente? O que dizem? Cadê a coragem? Gastaram tudo em outros temas? Vão tratar do assunto? O que vai fazer o CADE se eles forem eleitos? Como vão quebrar o oligopólio bancário? Vão abrir o mercado (de verdade) para bancos estrangeiros? Ou vão confirmar a tese de que certo liberalismo vale só para os outros?

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3 Comentários:

Anonymous Marcos disse...

Boa, Alon. Está na hora de cobrar o Lula (não incluo Alckmin, pois até meu avô morto sabe que ele vai perder) uma abertura do mercado para os bancos estrangeiros. E os bancos vão dizer o que? Pedir para continuar com a reserva do mercado? Seria a coisa mais ridícula para o nosso capitalismo moreno. Alias não é só os bancos não, tem que abrir o mercado para as grandes corporações de mídia. Chega de capitalismo de conveniência.

terça-feira, 22 de agosto de 2006 18:57:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Entendo pouco de política cambial, mas uma vez vi entrevista do Gustavo Franco (ex-BC das bandas cambiais), dizendo que eram os bancos que davam sustentação ao valor das moedas.
Não sei se com um mercado bancário completamente aberto seria possível evitar ataques especulativos à moeda maiores do que os já existentes.
Tãopouco acredito no nacionalismo dos Bancos e Banqueiros Brasileiros, pródigos em abrirem sucursais nas Ilhas Cayman.
Em 2006 deve ser tarde para isso. Mas uma diferença da Coréia do Sul para o Brasil de 1964 é que no início dos anos 60 um general que deu um golpe de Estado lá, estatizou todo o sistema financeiro, para ter controle sobre a escassa poupança do país, e fornecer crédito a juros baixos para financiar a política industrial que deu origem à Samsung, LG, Hyundai, etc. Dinheiro enviado irregularmente para o exterior dava pena de morte. Me parece que até recentemente os bancos eram todos estatais lá. Acredito que parte do sucesso da Coréia deve-se a isso, além do investimento maciço em educação, e da obrigatoriedade das empresas coreanas que recebiam crédito subsidiado a cumprirem metas rígidas de exportação, enquanto no Brasil o BNDES funcionava como um hospital.
De resto as políticas coreanas foram muito similares às do regime militar brasileiro, e em alguns casos o Brasil saiu-se melhor comona indústria bélica e aeronáutica.

quarta-feira, 23 de agosto de 2006 00:54:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

É a constatação de que faltam políticos no horário eleitoral. Diagnósticos, críticas e propostas são trocados por imagens bucólicas, máquinas, capacetes e mangas arregaçadas. Até os sucessos perdem-se em meio a triunfalismos. Para o candidato governista, é até aceitável. Mas fica difícil crer que o candidato da oposição não tenha nenhum contraponto. Afinal, as eleições ocorrerão no Brasil, mas insistem em mostrar uma Suiça. Assim, fica difícil.

quarta-feira, 23 de agosto de 2006 11:38:00 BRT  

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