quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Bom ou bem avaliado? (23/08)

Uma questão muito pertinente levantada por alguém que comentou o post anterior é por que misturei os conceitos de "governo bom" e "governo bem avaliado". Foi de propósito. O Brasil é uma democracia, uma das maiores do mundo. Há liberdade de imprensa, liberdade de expressão, liberdade de reunião, liberdade de organização (para fins pacíficos, claro). Assim, é razoável supor que o eleitorado dispõe das informações necessárias para formar sua opinião com base na realidade. Bem, a avaliação do governo é positiva. Um recorde, segundo o Datafolha. E, então, o que se deve concluir? Que o governo é ruim mas que o povo está sendo enganado? Como, se a imprensa exerce duramente seu papel fiscalizador? Como, se a crítica ao governo ampliou-se nos últimos anos para o telejornalismo (o que é muito bom)?
Quanto à qualidade intrínseca do governo (existe isso?), vou aqui propor um método. Em janeiro deste ano, a Secretaria do Tesouro Nacional colocou na Internet uma apresentação com o seguinte título: "O Brasil virando onça - Os avanços recentes na economia brasileira". Clique neste link para fazer o download. Sugiro uma olhada, como ponto de partida para o debate. Se você tiver estudos que contestem os dados da apresentação, ou se quiser dar apenas uma opinião, ou se entender que o debate deve estar apontado para outras direções, este blog está aqui para isso mesmo. Abaixo a burrice, viva a inteligência!

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10 Comentários:

Blogger Yoshio disse...

Muito bom o arquivo facil de visualizar, um trabalho muito bem elaborado, a meu ver humildemente, são resultados que vem de manutenção de politicas economicas de austeridade do periodo Malan e como já é da sabedoria de todos a economia internacional muito favoravel às exportações temos um estupendo resultado na balança comercial. Só que não se pode dizer que a mudança foi só por este governo. O Brazil é muito mais, não basta cortar na carne só dos adversarios, tem que alfinetar a sua carne e extirpar o lamaçal nela existente, pois o ralo das malversações do erario poderia ter feito um país já entre os 7 maiores do mundo, em segurança, saude, educação. transporte, infraestrutura.

quarta-feira, 23 de agosto de 2006 22:21:00 BRT  
Anonymous Roberto Antonio disse...

Alon, nada disso é mais importante do que CRESCIMENTO ECONÔMICO SUSTENTADO.
O Brasil perdeu o bonde neste 04 anos do Lulánoquio. Não houve nenhuma crise mundial neste período e o mundo todo está vivendo um BOOM de melhorias econômicas com crescimento em suas econômias, veja Argentina, Chile, China; e o Brasil, bem o Brasil tá estagnado crescendo 2 a 2,5% igual o Haiti, pois deveria ter crescido na ordem de 6% a 10% ao ano folgado.
Portanto caro Alon o Brasil está na rabeira e o meu bolso e de milhares de pessoas continua na mesma sem ter apresentado nenhuma melhora financeira. Brasil país de governo mediocre...

quarta-feira, 23 de agosto de 2006 23:03:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Boa análise Alon.
Se apenas 18% desaprovam o governo (ruim péssimo), e os demais consideram-no regular, bom ou ótimo. É natural que uma imprensa isenta deduza que o governo bem avaliado pela maioria (não é pelos ditos formadores de opinião), é também um governo bom.
Qualquer um tem direito a sua própria opinião e avaliação e o governo pode não estar sendo bom para si. Mas dizer que 82% dos outros estão errados, é comportar-se como o médico de "O alienista", de Machado de Assis, que internou toda a cidade no hospício, e achava que o único não louco era ele.

quinta-feira, 24 de agosto de 2006 02:53:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Alon, você prticamente decifrou o enigma da esfinge em seu post de 22/08: "A falta que faz um almoço grátis". Há um entrave para que os ajustes necessários sejam colocados de forma clara, mas será necessário ajustar seja qual governo for no próximo quadriênio. E não será no caminho do crescimento, pelas amarras dadas. O mérito atual centra-se no fato da manutenção das regras dadas pela estabilização promovida pelo Real em 1994. Mas o fato de não ter tido condições de aproveitar o ambiente externo favorável para promover maior deslanche, o que era esperado, vai pesar. A despeito dos indicadores fundamentais exibirem aspectos favoráveis.

quinta-feira, 24 de agosto de 2006 11:25:00 BRT  
Blogger Paulo de Tarso Soares disse...

Caro Alon, mas que coisa mais deselegante,onde está o Alon alegre, brincalhão, sarcástico, aque conheci? Encerrar o post com a frase "abaixo a burrice, viva a inteligência" mostra que você tebtou desqualificar o adversário e não a tese adversária, além de ser super agressivo com um cometário que apenas fez-lhe uma pergunta. Pergunta, aliás, que você solertemente (lembra-se desse termo?), no seu post, fingiui que se esqueceu. A pergunta desse alguém que, obviamente fui eu, era: " se o goiverno Lulla é tão bem avaliado pela população, porque seus ministros estão tomando uma surra eleitoral?". Levantei várias hipóteses para resopondê-la, mas a que mais me atrai é que a avaliação popular não esteja relacionada tão diretamente ao desempenho do governo e sim a como Lulla vive no imaginário da população. Você nada comentou sobre elas, apenas reiteirou a tese de que o governo tem um bom desempenho e, como qualquer economista vulgar, imaginou que os dados empíricos são irrefutáveis. Está certo que o Blog é pessoal, como você diz logo na página de abertura, mas não precisa ser mal educado com quem discorda de suas teses. Uma das coisas que eu ía lhe sugerir é que respondesse aos comentários dos que lhe escrfevem, pois eles o fazem para ouvir mais coisas de você do que aquelas colocadas nos posts. Depois do "abaixo a burrice", fiquei com receio de fazer tal sugestão. Um abraço, Paulinho.

quinta-feira, 24 de agosto de 2006 12:02:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Desculpe, a intenção não foi desqualificar ninguém. Só enfatizar que o debate deveria se dar com base em dados, não apenas em opiniões. Quanto aos ministros, não acho que esteja havendo um julgamento dos ministros de Lula nos estados. O que há no mais das vezes são governadores bem avaliados (como Lula). Além do mais, a estrutura do PT nos Estados continua fraca, como em 2002. Um abraço.

quinta-feira, 24 de agosto de 2006 12:08:00 BRT  
Blogger Paulo de Tarso Soares disse...

Ah, agora reconheço o Alon. Agora está explícita a fonte da nossa divergência. Não veja, por favor, no que se segue, uma argumento de autoridade e sim a indispensável citação da fonte. O Bob Fields dizia que o economista devia se apoiar no poste na estatística como o bêbado se apóia no poste, ou seja, não para iluminar seu caminho e sim como ponto de apoio. O fato de que, em certa(s) área(s) os números do governo Lulla são maiores do que os do governo FHC, nada diz além de que esses números são maiores. Esses números, para servirem como ponto de apoio, precisam de um critério externo (qualitativo). A diferença entre esses números pode ser expressiva, mas não retirar os dois governos do campo considerado medíocre. Desculpe-me a impertinência, mas você tem uma história po~lítca invejável. Será que já esqueceu-se que o imaginário é tão importante quanto os dados objetivos? Está bem que você pode ter jogado fora o que aprendeu com Lênin e Lukács, mas não era exatamente isso que eles ensinavam? Se trocarmos os nomes deles pelos nomes de analistas políticos modernos isso terá mais valor? O ponto que estou tentanto chamar a sua atenção é que, ao invés de simplesmente chamar o povo de fisiológico (bolsa família)ou "bater" nos números para provar o sucesso do governo Lulla, para se entender os motivos que fazem com que Lulla esteja à frente nas pesquisas, seria mais adequado fazer uma incursão no imaginário popular. Você, ao que me lembre, era bom nisso. Um gande abraço, Paulinho.

quinta-feira, 24 de agosto de 2006 13:58:00 BRT  
Blogger Paulo de Tarso Soares disse...

Caro Alon, desculpe-me, mas depois que escrevi a mensagem anterior, lembrei-me que sua resposta usou um argumento indevido. Ela diz que a estrutura do PT, nos estados, é fraca. Isso, então, explicaria a "surra" eleitoral dos ministros do governo Lulla. Ora, caro amigo, se as estruturas estaduais são fracas, isso signifca, necessariamente,, que a estrutura nacional também é fraca. ´Note, então, a contradição. A fraqueza das estruturas, que explica a "surra" eleitoral de quem implementa um bom governo, deveria, também explicar a "surra" eleitoral do chefe desse bom governo. Acontece que o chefe do bom governo está vencendo a disputa eleitoral. fica, então, frágil usar a fraqueza do PT para explicar alguma coisa. isso só nos leva para o campo do imaginário popular. É lá que vamos encontrar uma boa dica para a explicar a vitória do Lulla. Um grande abraço, Paulinho.

quinta-feira, 24 de agosto de 2006 14:07:00 BRT  
Anonymous frank disse...

Alon, vc continua ignorando o efeito eleitoral do carisma de Lula, de sua identificação popular, de sua figura messiânica?

Por que? Vc realmente acredita que a avaliação poisitiva do governo sustenta-se em uma avaliação objetiva do eleitorado?

Há números bons na economia, não discuto - deixemos de lado o fato de Lula escudar-se, agora, no que criticava, antes.

No entanto, um bom pedaço dessa avaliação parece (olha a subjetividade aí de novo...) derivar do símbolo operário-pobre-nordestino.

Talvez, para se ter uma idéia mais realista do tamanho dessa "gordura messiânica", devêssemos tomar os números da região SUL. Esses estão, em larga medidas, livres de qq efeito colateral que o carisma do presidente nordestino possa produzir.

quinta-feira, 24 de agosto de 2006 14:57:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Paulo: O plano nacional não é a somatória de planos estaduais. Sabiamente, o eleitor sabe que são orçamentos diferentes e atribuições diferentes. Lula teve vitória expressiva em 2002 sem que o PT ganhasse nada além do Acre, do Piauí e do Mato Grosso do Sul. O PT está mais ou menos na mesma, compensou o desgaste da crise com a presença na máquina. Quanto ao imaginário, acho que importa para quem torce. Um terço da população brasileira torce (e vota) a favor de Lula. Um terço torce (e vota) contra. O resto vota pragmaticamente. Se a economia vai bem, é natural que esse terço penda majoritariamente para quem está no governo. Claro que isso é um esquema. Se, por exemplo, a situação da economia estivesse péssima, o terço pró-Lula sofreria corrosão. Já o terço anti-Lula é relativamente inelástico. Lembre-se de que em 2002,com tudo contra, José Serra teve 40% no segundo turno.

Frank: Acho que respondi no post anterior. E não acho que o voto no Sul seja mais consciente.

sexta-feira, 25 de agosto de 2006 00:37:00 BRT  

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