quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Abu Mazen luta para formar um governo de união nacional com base no documento dos prisioneiros palestinos (31/08)

O presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas (Abu Mazen), batalha para formar um governo de coligação entre a Fatah e o Hamas, e para credenciar a Organização para a Libertação da Palestina (OLP) como único interlocutor em eventuais negociações de paz com Israel e a comunidade internacional. Clique aqui para ler a reportagem do Jerusalem Post. O acordo entre as facções palestinas seria baseado no chamado Documento dos prisioneiros, elaborado por líderes encarcerados em Israel. O texto foi subscrito por Marwan Barghouti (Fatah), Abdel Khalek al-Natsheh (Hamas), Abdel Rahim Malouh (Frente Popular para a Libertação da Palestina), Mustafa Badarneh (Frente Democrática para a Libertação da Palestina) e o xeque Bassam al-Sa'di (Jihad Islâmica). Em resumo, propõe uma solução política baseada em dois estados, Israel e Palestina. Naturalmente, tem a oposição do Hezbollah, do Irã e de alguns líderes palestinos abrigados sob as asas da Síria. Na mesma reportagem do Jerusalem Post (que cita o jornal Al-Ayam, da AP), Abbas critica duramente o seqüestro de soldados israelenses e o lançamento de mísseis em territórios do Estado Judeu contidos nas fronteiras pré-1967. Outra notícia: o líder do Hezbollah, Hassan Nasrallah, não vai aparecer em público no dia do seu aniversário (hoje), por razões de segurança. Confesso que estou tendo algumas dificuldades para encaixar esses fatos na análise corrente de que Nasrallah, o Hezbollah, a Síria e o Irã teriam sido os grandes vencedores da recente guerra entre Israel e a milícia xiita. Mas, certamente, não faltará quem encontre uma explicação. Principalmente entre o pessoal que se entusiasmou e elegeu Nasrallah como o "novo líder" do mundo árabe. Sobre a Síria, aliás, andaram escrevendo que a resistência militar do Hezbollah contra Israel teria "demonstrado" a impossibilidade de minimizar o papel de Damasco na construção de um novo statu quo libanês e regional. Bem, a realidade indica o contrário. O Líbano pode receber nas próximas semanas milhares de tropas européias em seu território. Responda rápido: você acha que esse contingente é para proteger o Líbano de quem? Vai acertar quem disser que é do Hezbollah e da Síria. O próprio presidente sírio, Bashar Assad, já admitiu isso, ao dizer que uma eventual presença das forças internacionais na fronteira sírio-libanesa representaria um ato hostil contra o seu país.

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1 Comentários:

Blogger Leonardo Bernardes disse...

A primeira noticia é animadora, mas enquanto não houver efetivamente um mecanismo institucional que subordine as coligações político-religiosas às legislações internas e externas, a paz e a cooperação serão apenas uma coincidência feliz e contingente entre a vontade destes grupos e desejo pleiteado pela comunidade internacional -- e não, como deve ser, uma determinação político-institucional.
De todo modo uma "centralização" ajuda significativamente na mobilização dos interesses.

quinta-feira, 31 de agosto de 2006 21:28:00 BRT  

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