sexta-feira, 28 de julho de 2006

Um Congresso (ainda mais) fraco será a herança da crise (28/07)

O próximo quadriênio vai assistir à relação mais desequilibrada entre Executivo e Legislativo da História do Brasil, em tempos democráticos. Um dos resultados práticos da atual crise política será a emergência de um presidente muito forte (qualquer que seja) e de um Congresso muito fraco. Muitos dos parlamentares da elite congressual que vem comandando as investigações das CPIs não vão voltar, principalmente porque boa parte deles disputam cargos majoritários. Haverá um contingente razoável de parlamentares reeleitos acusados de irregularidades, o que vai ocupar boa parte da agenda de iniciativa do Legislativo (leiam reportagem de O Estado de S.Paulo). Dezenas de deputados e senadores terão sido eleitos por partidos que não terão atingido a cláusula de barreira, e serão pasto para os grandes partidos. Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin falam em fidelidade partidária, mas a primeira coisa que seus eventuais governos farão será estimular o troca-troca partidário para o Executivo montar uma maioria dócil. E o eleito vai conseguir. Vai ter chão limpo pela frente para aprovar o que quiser. O próximo Congresso será o mais distante do sentimento das ruas de toda a História do Brasil. Vocês discordam de mim? Anotem e me cobrem depois.

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5 Comentários:

Anonymous João Azevedo disse...

A: "Um dos resultados práticos da atual crise política será a emergência de um presidente muito forte (qualquer que seja) e de um Congresso muito fraco"
- Exato. E o principal responsável por isso é Lula, que corrompeu e degradou a política "como nunca antes nesse país".

B: "Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin falam em fidelidade partidária, mas a primeira coisa que seus eventuais governos farão será estimular o troca-troca partidário para o Executivo montar uma maioria dócil"
- Vc está querendo dizer que Alckmin, se eleito. vai usar os mesmos métodos de Lula? Ou seja, o mensalão? Taí, vou anotar prá cobrar depois, ok?

sexta-feira, 28 de julho de 2006 13:27:00 BRT  
Anonymous Sergio Praca disse...

Alon, concordo que o proximo presidente tera `facilidade` para montar uma base dada a impopularidade atual do Legislativo. Mas acho que um aspecto a considerar eh a possivel (e provavel) punicao nas urnas dos mensaleiros e sanguessugas. Sempre bom lembrar que apenas um dos envolvidos na CPI do Orcamento de 1993/1994 foi reeleito imediatamente. Portanto, talvez o proximo nao seja o Congresso mais distante do sentimento das ruas de toda a historia do pais. Abraco!

sexta-feira, 28 de julho de 2006 15:02:00 BRT  
Anonymous Marcos disse...

Quem fiscaliza politico é o outro politico que quer seu cargo. Voto distrital é uma boa solução.

sexta-feira, 28 de julho de 2006 16:19:00 BRT  
Anonymous augusto disse...

Prezado Alon: A futurologia em política é um exercício desafiador. Interessante você se preocupar com o pós-eleição. Acho que tal assunto deveria ser mais explorado. Analisando os dois cenários mais prováveis:
1)Reeleição do Lula - Acredito na continuidade da crise (oposição sendo maioria), exceto no caso da repactuação de uma nova coalizão que incorpore notáveis como, por exemplo, Pedro Simon (Itamar, agora, está difícil) que, emprestando credibilidade, se disponham a patrocinar o governo. Caso contrário, babau...
2)Eleição do Alckmin – Nesse caso, o Alckmin deverá governar sob tutela da mídia que continuaria pressionando o Congresso para a adoção de medidas de interesse do mercado financeiro, do grande empresariado e do agrobusiness tais como: Reforma Previdencária e Tributária com foco na redução de gastos e investimentos (porque os liberais brasileiros tratam gastos e investimentos públicos como a mesma coisa) e na priorização do pagamento da Dívida (maximização do superávit primário); Reforma Trabalhista com precarização dos direitos dos assalariados e uma Reforma Política privilegiando a condição econômica dos candidatos mediante exigências que deixem o financiamento e a realização de campanhas somente ao alcance daqueles capazes de alavancar recursos financeiros junto ao “mecenato político” (bancos e grandes empresas) inacessível a candidaturas de classe média sem recursos próprios ou redes de relacionamento com lobbies que seriam valorizados em detrimento de outras formas de participação política, como consultas diretas (financiamento público seria mais um gasto desnecessário). Resumindo, acho que estou enganado, mas Alckmin seria um presidente mais forte que Lula (que às vezes dá a impressão que quer ser só presidente, forte ou fraco, pouco importa) dispensando o apoio sincero de um poder, o Congresso, porém muito dependente de outro, a Mídia para fazer acontecer o seu mandato. E aí sim, você está certíssimo: deverá ser o Congresso mais distante do sentimento das ruas da História do Brasil. Um abraço.

sexta-feira, 28 de julho de 2006 20:50:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Todos deveriam fazer uns exerciciozinhos de custo-beneficio em prol da comunidade, das atuações dos vereadores, deputados estaduais, federais e seus asseclas e ver o resultado. Ganham muito, gasolina, grafica, passagens, funcionarios fantasmas, e ainda aposentam integralmente só e somente com 8 anos de mandato. E ainda surrupian por baixo do pano (cueca) mais unszinho. Haja impostos para a voracidade dos gastos dos politicos que brincam ainda de fazerem leis que são inconstitucionais como bem mostrou Lucia Hippolito em seu artigo.
Yoshio - Japão

sábado, 29 de julho de 2006 03:34:00 BRT  

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