sexta-feira, 28 de julho de 2006

Por que Itamar é um sujeito de (muita) sorte (28/07)

Itamar Franco era prefeito de Juiz de Fora em 1974 e queria ser senador. Procurou o chefe do partido (MDB) em Minas Gerais, Tancredo Neves, e perguntou se o ex-ministro de Getúlio Vargas e João Goulart tinha a intenção de disputar o cargo. Tancredo disse que não, que ia ser deputado, porque o MDB não tinha nenhuma chance na eleição majoritária. Quatro anos antes, a Arena (partido que dava sustentação ao governo militar) tinha dado uma lavada. Sem Tancredo, o candidato foi mesmo Itamar. A história é conhecida: a maioria do povo brasileiro decidiu votar na oposição e o MDB elegeu 16 dos 22 senadores, Itamar inclusive. Na imagem (clique para ampliar), a histórica capa da revista Veja com a reportagem sobre a eleição.

Em 1982, o mandato de Itamar estava na reta final. Ele seria candidato do PMDB para perder a eleição de governador para Tancredo Neves, que aproveitara a reforma partidária do presidente João Figueiredo e fundara com seus adversários da UDN (Tancredo vinha do PSD) o Partido Popular (PP), de centro. Aliado a Magalhães Pinto, Tancredo era o político mais forte de Minas.

Mas Figueiredo deu um passa-moleque no PP e instituiu o voto vinculado. Naquele ano haveria eleições de vereador a governador, e o eleitor só poderia votar em candidatos do mesmo partido. O PP não tinha bases municipais fortes e reagiu ao voto vinculado resolvendo (re) fundir-se ao PMDB. No acordo em Minas, Tancredo virou candidato a governador pelo PMDB e Itamar, docemente constrangido, ganhou a reeleição ao Senado.

Em 1986, Itamar deixou o PMDB, pois queria ser candidato a governador mas Newton Cardoso lhe tomara a máquina partidária. Candidatou-se pelo PL, perdeu e parecia caminhar para o ostracismo. Seu mandato terminaria em 1990, mas um ano antes ele aceitou ser o vice do então governador de Alagoas, Fernando Collor de Mello, na disputa pela Presidência. Collor elegeu-se, sofreu o impeachment e Itamar virou presidente da República. Fez o Plano Real, elegeu o sucessor (FHC) em 1994 e saiu do palácio nos braços do povo (essa é uma figura de linguagem).

Quatro anos depois, queria novamente disputar a Presidência pelo PMDB. Certamente perderia a eleição, como se viu depois. Mas o PMDB governista sabotou sua candidatura e a legenda ficou fora da disputa, como hoje. Itamar virou então candidato a governador de Minas. Elegeu-se.

Itamar tem a carreira política mais completa da República. Quando um jornalista certa vez perguntou a Tancredo Neves, já governador de Minas, por que apostava em seu neto Aécio como herdeiro político, recebeu a seguinte resposta: "Em política é preciso ter estrela. O Aécio tem estrela, como o Itamar".

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11 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Itamar sempre foi o patinho feio da mídia. Quando foi presidente, foi o que mais se aproximou da falta de respeito da mídia contra Lula. Estadões, Vejas, etc, sempre o trataram como um idiota. Você, Alon, está sendo o precursor de uma nova era para Itamar. A partir de agora para a mídia ele, de idiota, virará "sortudo" e outros mimos. Pela primeira vez desde 1993 verei Itamar ser bem tratado e elogiado pelos meios de comunicação. Pensando bem, até que ele merece. Sofreu muito. Deixemo-lo ser feliz se vendendo para o grupo de seu desafeto FHC.

sábado, 29 de julho de 2006 01:24:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Não estou sendo precursor de nada. Escrevi um texto com essas idéias quando ainda estava no Correio Braziliense, muitos meses atrás. Este post é só uma repetição. Anos atrás eu era mais um dos jornalistas que subestimavam Itamar Franco. Felizmente, pude corrigir esse erro, nascido da arrogância.

sábado, 29 de julho de 2006 01:40:00 BRT  
Anonymous Dourivan Lima disse...

Itamar fez Plano Real... ou terceirizou o governo para o Fernando Henrique quando se convenceu (ou foi convencido) de que caminhava para não terminar o mandato? A sorte já fez por Itamar mais do que ele merece. E ele ainda insiste em dar sopa pro azar.

sábado, 29 de julho de 2006 10:15:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon, o problema de Itamar é que ele é movido por rancor. É honesto e bem-intencionado, mas faz política sempre esperando retribuição. Ele não se corrompe - que se saiba -, mas alia-se a qualquer um para atingir objetivos eleitorais e depois, quando descobre que foi usado, revolta-se. Virou inimigo figadal de FHC não por conta de ele ter quebrado o país reiteradas vezes, mas por ter se candidatado à reeleição.

sábado, 29 de julho de 2006 10:27:00 BRT  
Anonymous jose carlos lima disse...

Imagina só se estas várias operações da PF estivesse sendo feitas por Alckmin na presidência. Prá começo de conversa, tais operaçõe nem seria desencadeadas. E se fossem, seríamos obrigados a suportar o poom, digo pool da midiocracia 24 horas por dia azucrinando nos nossos ouvidos, informando que o governo estaria em campo para desbaratar quadrilhas. Como é Lula está fazendo isso, a mídia, especialmente os dinossauros da mídia paulista, distorcem as notícias. Manipulam. Interessante notar que esta campanha de distorção, esta força manipuladora da mídia começou, como há mais de um ano. Imagine só se, ao invés de Lula, fosse o Alckmínimo o governante. O coronelismo midiático inscrutado em São Paulo, de onde saem as notícias para o resto do país, teria outro comportamento. A prisão dos sanguessugas, por exemplo, seria mostrada como obra do governo e não o contrário. Como foi Lula que mandou prender os ladrões, os mesmos ladrões se voltam contra Lula.

sábado, 29 de julho de 2006 12:16:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

sábado, 29 de julho de 2006 18:45:00 BRT  
Anonymous jose carlos lima disse...

A respeito da capa da Isto É noticiando como suspeito um acordo entre a Telebrás e a parte autora de um processo contra aquela agência, acho válida tal a preocupação. No entanto, isto não pode ser feito do ponto de vista eleitoreiro. A impressão que tive foi a de que a matéria não discorre muito sobre o ponto mais importante: o verdadeiro motivo do acordo que reduziu um débito de algo em torno de 500 milhões para 253, 9 milhões. A pergunta ficou no ar: porque o acordo, se o caso poderia ter sido protelado através de recurso ao STJ? É importante que se saiba que não ocorreu nenhuma ilegalidade por parte da Telebrás que, é claro, defendeu seus interesses até constatar, sinto isso, que a causa estava perdida e que, recorrendo-se para a última instância, o prejuízo poderia ser ainda maior, praticamente o dobro do valor acordado. Mais uma bomba de efeito tardio deixada pelo famigerado governo do PFL/PSDB.

Mesmo não conhecendo do processo, a impressão que tive é a de que a ré Telebrás, baseada em evidencias que a levou a concluir que poderia perder a ação em última instância, o que seria trágico, resolveu fazer o acordo. Perdendo no STJ, a Telebrás seria obrigada, por conta de uma sentença judicial final, a pagar algo em torno de 500 milhões ao autor. Daí o motivo do acordo, o que reduziu este valor para menos da metade. Este sim, é o ponto mais importante da discussão e não o fato de a parte autora ser amigo do ministro Hélio Costa. O fato de a parte autora ser amiga do ministro Hélio Costa, isto não torna suspeito o acordo judicial. Para mim, o importante mesmo é se verificar se tal acordo foi ou não favorável à Telebrás que, é claro, preferiu não correr o risco de ser condenada em última instância, o que levou-a a fazer o acordo. Não acredito que tenha sido outro o motivo do acordo para desarmar mais esta bomba de efeito retardado deixada pelo famigerado desgoverno do PFL/PSDB.



De qualquer forma, torço para que o governo aproveite o caso para dar uma mexida nesta área chamada advocacia pública. Trata-se de um setor movido por intrigas e disputa de poder entre advogados. Uma verdadeira guerra de egos. Isso vem de longa data. Trata-se de uma verdadeira Máfia dos Bacharéis. Reconheço que, a depreender da dificuldade de se criar a super-receita para disciplinar a área de arrecadação e fiscalização, a área da advocacia pública é um vespeiro ainda mais perigoso. Nenhum governo se atreve a mexer com esta bandidagem incrustada nas procuradorias e assessorias jurídicas de agências e instituições como INSS, Telebrás, Anatel.Para por ordem na casa foi criada a PGF procuradoria Geral Federal que, ao lado da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional e AGU, não passam de órgãos em constante disputa de poder. Nem se pode afirmar que existe advocacia pública disciplinada, estruturada e, portanto, merecedora de respeito. Daí a desconfiança em relação ao caso Telebrás, onde explodia mais uma das bombas de efeito retardado da era FHC, um período que parece um câncer cheio de metástases que, volta e meia, explode.

sábado, 29 de julho de 2006 20:20:00 BRT  
Anonymous jose carlos lima disse...

Assim como o velho e falso slogan da "Caça aos Marajás" criado por marketeiros, este discurso anti-corrupção do momento não passa também de falácia, estratégia de marketing, enfim, nada mais é do que um slogan de tempo de eleiçao. E como tal, assim como a "caça aos marajás" acaba com a eleição.Collor que o diga. Lula não tem dado trégua à guerra contra esta epidemia chamada corrupção que, só mesmo o fim da impunidade e fortalecimento de instrumentos de prevenção e controle para minor esta tragédia. É continuar botanto os gatunos na cadeia. Muitos que vejo por aí fazendo discursos em favor da ética e da honestidade, pelo seu próprio passado não têm moral nenhuma para discussão contra a corrupção. Na verdade, estes hipócritas, conhecidos corruptos, estão com medo de que Lula seja reeleito. Pois caso isto ocorra a Polícia Federal continuará em campo com suas operações. E foram várias. A próxima poderá ser batizada de "Operação Papai" para combater o nepotismo.

domingo, 30 de julho de 2006 01:58:00 BRT  
Anonymous jose carlos lima disse...

O termo mensalão foi criado para significar que se tratava de uma mesada paga pelo governo para que deputados votassem nos projetos apresentados ao Congresso Nacional. Seria até risível imaginar o governo pagando tal mesada, mensalão como dizem, para João Paulo, por exemplo. O que houve foi prática de caixa 2, ou seja, empresas privadas finananciando candidaturas, isto de todos os partidos e não apenas do PT, como dão a entender.Contra o caixa 2 o Congresso Nacional deveria ter aprovado uma lei. Como não querem o fim do caixa 2, é claro que não aprovaram tal reforma. E você acha mesmo que vão querer isso?Claro que não.Tanto isso é verdade que já nesta campanha estouro o caso Nossa Caixa, ou seja, o Caixa 2 de Alckmin.O que discordo é da hipocrisia destas figuras que falam do mensalão como se não fossem elas mesmas as maiores interessadas em isto continue.Assim não dá né.Não dá pra ficar calado vendo a os meios de comunicação manipulando os fatos para trazer de volta as velhas raposas PFL/PSDB

domingo, 30 de julho de 2006 16:55:00 BRT  
Anonymous jose carlos lima disse...

Voto no Lula de novo pois assim a Polícia Federal continuará em campo com suas diversas operações, de sanguessugas a vampiros, passando por raposas (fox), cerol. Tenho certeza de que a PF está investigando o nepotismo, daqui uns dias veremos na TV mais esta bomba estourando, a "Operação Papai." É claro que os ladrões vão quer votar-se contra Lula e, pra isso terão o apoio da Folha, Veja, etc. É assim: Lula põe os ratos na parede, como ocorreu com os sanguessugas e aí os gatunos se revoltam e contam com o apoio dos meios de comunicação prá isso. Não adianta.As velhas raposas incrustadas no PFL/PSDB não voltarão. Não vamos deixar. Queremos que a PF continue em campo. E só Lula pode fazer isso. Para a desgraça dos corruptos deste país, é Lula de novo.Com Lula o Brasil melhorou e vai melhorar ainda mais.

domingo, 30 de julho de 2006 17:31:00 BRT  
Anonymous José Pires disse...

Capa histórica e linda. Do grande cartunista Fortuna. Observem a excelente síntese e a elegância do desenho, uma marca do Fortuna, um dos criadores do "Pasquim", do suplemento "Folhetim" da "Folha de S. Paulo" e tantas outras boas publicações brasileiras. É marcante também a limpeza gráfica, sem adornos desnecessários e longe -- no estilo e no tempo -- do amontoado de luzes, sombras, meios-tons e efeitos exagerados que tomaram conta da nossa imprensa nesta era informática de desfigurações de conteúdo.

terça-feira, 1 de agosto de 2006 14:37:00 BRT  

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