quinta-feira, 27 de julho de 2006

Pela isonomia entre políticos e economistas (27/07)

Título de nota no boletim distribuído hoje pela consultoria Tendências a seus clientes:

"Superávit do setor público fica acima do esperado".

E segue o texto:

"No acumulado em 12 meses, todos os entes apresentam superávit primário acima da meta, como proporção do PIB. O resultado do setor público consolidado de junho, divulgado pelo Banco Central, ficou acima de nossa expectativa (superávit de R$ 8,9 bilhões) e atingiu R$ 10,44 bilhões, o que representa 4,51% do PIB no acumulado de 12 meses. O superávit do governo central (pela ótica abaixo da linha) ficou acima do divulgado pelo Tesouro (R$ 5,9 bilhões), tendo atingido R$ 6,87 bilhões, e foi o principal responsável pela disparidade em relação à nossa projeção para o setor público consolidado [o negrito é meu]. Os governos regionais, que englobam estados e municípios, tiveram superávit primário de R$ 1,47 bilhão, próximo da expectativa. As empresas estatais registraram em junho superávit de R$ 2,095 bilhões, ficando levemente acima de nossa expectativa de R$ 1,5 bilhão. O superávit das empresas estatais foi positivamente influenciado pela alta nos preços do petróleo. O governo central registrou superávit (acumulado em 12 meses) de 2,68% do PIB, acima da meta para o ano de 2,5% do PIB. O superávit dos governos regionais acumulado em 12 meses correspondeu a 0,95% do PIB, sendo que a meta para este ente é de 0,9% do PIB. As estatais registraram superávit de 0,88% (acumulado em 12 meses) do PIB, sendo que a meta para o ano é de 0,85% do PIB."

Sabe todas aquelas reportagens, análises, editoriais, projeções e declarações peremptórias que você leu ou ouviu nos últimos tempos sobre a suposta "farra fiscal" neste ano eleitoral? Esqueça, jogue fora, delete, risque do seu caderninho. Pena que você não possa reaver o tempo que certamente desperdiçou com o assunto, nem que tenha sido apenas para tomar conhecimento dele.

O Brasil será um país melhor no dia em que os economistas forem tão cobrados por suas previsões quanto os políticos o são por suas promessas.

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4 Comentários:

Blogger Ricardo disse...

Compare com os anos anteriores e verá que é farra ainda. Aliás, compare a qualidade dos gastos para ver a farra in loco.

quinta-feira, 27 de julho de 2006 11:17:00 BRT  
Anonymous Bartolomeu disse...

Concordo com o RIcardo. Basta ver o incrível aumento da publicidade do governo federal. Aliás, por quê o governo federal tem que fazer propaganda? Afinal, ele não oferece produto que sofra concorrência. Estou para ver um governo - de qualquer nível - que crie uma legislação que impeça propaganda, exceto em caso de desastres naturais e questões de saúde. Mas aí... quantos interesses contrariados, não? Não é mesmo "companheirada"?
Quanto ao comentário do Alon, realmente os comentaristas econômicos, com as exceções de praxe, e os economistas são "Maria vai com as outras".

quinta-feira, 27 de julho de 2006 15:22:00 BRT  
Anonymous Marcos disse...

Não concordo com Ricardo, mas concordo com o Bartolomeu quando ele se refere aos gastos com propaganda. É um inferno ver todo o dinheiro do contribuinte sendo jogado no ralo com propaganda de todos os níveis de governos. O dinheiro economizado ajudaria a fazer o que o Alon sugere no post acima.

quinta-feira, 27 de julho de 2006 18:04:00 BRT  
Anonymous augusto disse...

Prezado Alon: Muito bem colocado. Recentemente, passou meio desapercebido um fato interessante: Quando da finalização da bem sucedida renegociação da dívida argentina (o Risco Argentina já está quase igual ao Risco Brasil) o Pres.Kirchner fez questão de publicamente enunciar o nome de todos os economistas e jornalistas que previam o fracasso da empreitada. No Brasil, da mesma forma, o puxa-saquismo é fundamental no sucesso do exercício do alpinismo social. O mercado de trabalho super estreito para quem se forma em Economia e Jornalismo força um permanente vale-tudo na luta pela afirmação profissional. Por isso, essa abundância de papagaios que na ânsia de agradar repetem sem nenhuma reflexão o quê lêem e ouvem na nossa indigente "mídia especializada" que só abre espaço para quem lê na sua própria cartilha formando o triste círculo vicioso que caracteriza esse pedaçinho de terceiro mundo metido à besta. Acesse os sites do Instituto Millenium, ANJ e QueromaisBrasil e será mais fácil tentar entender a rede que pauta a mídia econômica do Brasil. Um abraço.

quinta-feira, 27 de julho de 2006 23:35:00 BRT  

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