terça-feira, 11 de julho de 2006

Partidos de porteira fechada (11/07)

Leio na Folha de S.Paulo que Luiz Inácio Lula da Silva, se reeleito, vai querer aprovar a fidelidade partidária. Já havia lido, aqui e ali, que Geraldo Alckmin propõe a mesma coisa. Perguntará então o leitor deste blog: se ambos têm mais de 80% das intenções de voto e mais de 90% das bancadas no Congresso, por que não aprovam a fidelidade partidária imediatamente? Parece paradoxal, mas é um falso paradoxo. Lula e Alckmin querem a fidelidade partidária, mas só depois que promoverem (os dois acreditam que serão eleitos) o troca-troca habitual entre a eleição e a posse dos parlamentares. Como sempre, o presidente eleito vai tanger deputados e senadores como gado para os partidos governistas. Com a fidelidade partidária, essa operação vai poder ser feita de modo mais eficiente. Recolhe-se o gado do pasto e depois negociam-se os cargos com as cúpulas partidárias. O parlamentar que não quiser dançar conforme a música será ameaçado de expulsão. Com a fidelidade partidária em vigor nos moldes desejados pelos presidenciáveis, os punidos não poderão se candidatar a nenhum cargo nas eleições seguintes. Estivesse em vigor, Heloísa Helena não poderia concorrer a nada nestas eleições.

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4 Comentários:

Anonymous jose carlos lima disse...

Por força do instituto da coalização política, Lula foi obrigado a indicar para os correios dirigentes do PTB. Gente de confiança do ex-deputado Roberto Jefferson.Conhecendo a fama da peça e portanto, como não poderia deixar de ser, Zé Dirceu, colocou espíões na cola da diretoria dos Correios. Resultado: o ladrão foi pego com a boca na botija. Amparado ela mídia, o criminoso virou atração, virou vítima. Os jornalistas foram à forra. Era o que Mriam Leitoa, Arnaldo Jabá, Lúcia Hipódromo e companhia esperavam para destilar seu veneno acumulado. Foi triste assistirmos inertes ao carnaval dos bandidos, a festa de uma burguesia que "de tão gorda a porca já não anda..." (Chico Buarque), abrir os dentes em comemoração à morte política de Lula. Já que o PT estava morto, Jorge Bonhausen apostou no retorno e permanência no poder por, no mínimo, 30 anos. Chegaram a lotear cargos. ACM aqui, Jorge Apagão acolá. O vendaval passou. Nem Lula nem o PT morreram politicamente. Tentaram pregar nas costas de Lula várias pechas, de ladrão a beberrão. Como nada disso pegou, a novela agora é o lenga-lenga dos 16%. Como um dos atores desta novela, lá se vem, de novo Roberto Jefferson. Agora com espaço cativo na CNT em substituição a sua filha que, talvez por força da lei eleitoral, afastou-se. Licenciou-se sim mas nem tanto, uma vez que deixou em seu lugar seu pai. Isto pode? Que lei exdrúxula esta nossa lei eleitoral. A filha sai e deixa o pai. Que diferença faz? Cadê o Ministério Público Eleitoral que toma as devidas providecias contra esta malandragem? Isto é, no mínimo, propaganda indireta, subliminar, disfarçada de programa jornalístico. No seu programa dirigido aos aposentados, informa o site do jornal O Globo, Roberto Jefferson ataca Lula. É a continuidade da novela dos 16%. Trata-se de um descarado mau uso dos meios de comunicação em pleno processo eleitoral. Em termos de permissão para a direita praticar abusos, ilegitimidades e até ilegalidades, a nossa Justiça Eleitoral está cada vez mais parecida com a mexicana. O México é aqui?

terça-feira, 11 de julho de 2006 11:44:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Como Márcio Pochmann provou, Lula é o candidato de direita nesta eleição. Nunca um governo foi tão ortodoxo em termos de política econômica. Os ricos ganharam 3 vezes mais renda do que o pobre. Nunca um governo foi tão assistencialista (no sentido pior da palavra - dar dinheiro sem investimento que sustente a mobilidade social).
Lula não foi obrigado a nada: ele não é vítima e sim promotor do descalabro.
E Lula hoje é sinônimo de ladrão: todas as pesquisas indicam isso já que 50% da população o considera corrupto. Quem não acha é o povo ignorante, que não lê jornal. O máximo que acham é que ele é ladrão como os outros: que grande elogio!
Fora Lula. Que venha qualquer outro candidato melhor.

terça-feira, 11 de julho de 2006 12:39:00 BRT  
Anonymous Marcus disse...

Queria apenas avisá-lo, Alon, que mesmo com as regras mais draconianas de fidelidade partidária, Heloísa Helena poderia sim se candidatar a presidente.

Afinal, mesmo na época da ditadura era permitido sair de um partido sem perder o mandato, desde que fosse para criar um novo partido -- o que é o caso do PSOL.

terça-feira, 11 de julho de 2006 16:07:00 BRT  
Anonymous Renata Sophie disse...

Vejam que debate interessante. Vamos supor que o sujeito sai de um partido para formar um novo. Em seguida, esse partido novo forma uma federação com outro já existente, de preferência um que tenha superado a cláusula de barreira. Pronto, acabou a fidelidade partidária. Outra questão: e se a senadora HH desejasse disputar a eleição pelo PDT, por que deveria ser impedida?

terça-feira, 11 de julho de 2006 16:17:00 BRT  

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