segunda-feira, 17 de julho de 2006

O nó da questão (17/07)

Alguma hora haverá um cessar-fogo na guerra entre Israel e o Hezbollah. Digo entre Israel e o Hezbollah porque a esta altura está claro para todos que o Líbano não mais pode ser considerado um país soberano, com um governo que controla seu território. As autoridades libanesas formalmente constituídas são hoje pouco mais que porta-vozes do líder do Hezbollah, o xeque Hassan Nasrallah. É com ele e seus apoiadores (Síria e Irã) que deverá ser negociado um armistício. Saberemos quem ganhou e quem perdeu essa guerra a partir de algumas variáveis. Israel terá obtido uma grande vitória política e militar se o cessar-fogo acontecer com 1) a devolução dos militares israelenses seqüestrados em território de Israel pelo Hezbollah e 2) o recuo da milícia para a margem direita (norte) do rio Litani (em vermelho no mapa, clique para ampliar), e sem 3) um acordo prévio para a libertação de prisioneiros libaneses encarcerados em Israel. O Hezbollah poderá se dizer vitorioso se conseguir que a soltura dos dois militares israelenses aconteça em troca de presos em Israel. Terá, nesse cenário, aberto um caminho operacional (seqüestro de soldados) para pressionar o Estado Judeu sempre que quiser colocar na agenda a soltura de prisioneiros libaneses. Esse é o nó da questão. Independentemente do desfecho, Israel sabe que precisa destruir o máximo possível da força militar do Hezbollah antes do cessar-fogo e também criar as condições para que o sul do Líbano volte a ser uma zona tampão entre suas fronteiras e a milícia xiita.

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