segunda-feira, 17 de julho de 2006

O eleitor não sai de casa para eleger, ele quer é derrotar alguém (17/07)

Há alguns anos, um amigo ensinou-me a sábia lição que está no título deste post. Eleitores que amam candidatos ou partidos são uma minoria, bem reduzida. A maioria dos eleitores saem de casa no dia do pleito para derrotar alguém. É por isso que construir a rejeição ao adversário é quase tão importante quanto obter os próprios votos. Lembrei disso quando li hoje reportagem de Gerson Camarotti em O Globo sobre a estratégia da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva. Parece que a campanha do presidente adotará uma atitude olímpica diante dos adversários. Parece que vai combinar a estratégia de Fernando Henrique Cardoso em 1998 com a do próprio Lula em 2002. Francamente, acho que o comando da campanha do presidente está marcando um encontro com a crise, ali pelo começo de setembro, quando saírem as primeiras pesquisas depois do início do horário eleitoral. Ou talvez antes. Lula 2006 tem pouco a ver com FHC 1998 ou Lula 2002. Quando concorreu à reeleição, o tucano tinha fortes bases estaduais. Não é o caso do petista. FHC foi pouco aos estados porque havia ali quem fizesse sua campanha, e também por não querer abrir conflitos entre os apoiadores onde tinha mais de um palanque. O que isso tem a ver com a realidade atual da campanha de Lula na maioria dos estados, especialmente os maiores? Nada. Sobre o Lulinha Paz e Amor de 2002, ele pôde sê-lo porque tinha quem construísse em seu lugar a rejeição a José Serra. Desta vez, Lula será o alvo de todos os demais candidatos. Ou a campanha de Lula sai da toca, ou vai ter surpresas desagradáveis.

Nota: Às 14h51, a campanha de Lula negou o conteúdo da reportagem de O Globo. Clique aqui para ler.

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5 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

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segunda-feira, 17 de julho de 2006 20:31:00 BRT  
Anonymous Antonio Lyra Filho disse...

Concordo com Você, ou a campanha de Lula sai da toca, ou vai ter surpresas desagradaveis.
O que vejo, são os coordenadores da campanha de Lula todo dia dar munição a oposição.
O que a imprensa esta chamando de "decalago", numca deveria ser colocado para o público.
Esta faltando agressividade, Alckmin diz que vai continuar com o Bolsa Familia, quando ha poucos dias; dizia que era um programa populista e eleitoreiro. Vai ficar por isto mesmo, sem resposta dos coordenadores da campahna de Lula, a exemplo do caso da jogada politica de dizer que o PCC tem ligações com o PT. Na enquete do Blogo do Noblar (se não houve manipulação) 77% dos entrevistados disseram que sim.
Tudo é motivo de diminuição das ações do Govêrno. Até a viagem de Lula para o G-8, esta sendo usada pelo a oposição.
Continuando desta forma, realmente as noticias serão desagradaveis.

terça-feira, 18 de julho de 2006 10:38:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Na realidade a campanha à reeleição iniciou-se na posse, em 2003. A estratégia de mostrar alheamento e de estar unicamente trabalhando em prol do País, só deu certo até a eclosão dos fatos que determinaram a corrosão da base parlamentar do governo. Além de uma certa leniência da oposição, que parecia dar como favas contadas a reeleição do presidente. Agora, tentar reeditar o mesmo estratagema, revela só o atordoamento que tomou conta da campanha do Lula e do PT. É provável que sondagens qualitativas tenham detectado a pouca viabilidade do PT repetir o sucesso de 2002, pois, os fatos negativos, já vinculados ao partido e à base de apoio, romperam a blindagem e começaram a colar no presidente. Assim, o refluxo não pode ser tomado como obra de inteligência política. Representa que PT e o presidente, foram colocados na defensiva por dificuldades na rearticulação de um discurso convincente. A surpresa desagradável começou com a divulgação do mensalão e era só questão de tempo para o discurso da perseguição, do golpismo, do preconceito, começar a murchar. Assim, o decálogo divulgado, nesta altura, soou mais como uma forma de mandar o candidato para casa e ficar quieto, do que uma estratégia para retomar a ofensiva na campanha eleitoral.

terça-feira, 18 de julho de 2006 11:49:00 BRT  
Anonymous Lsilva disse...

Estamos diante de duas verdades, uma os dez mandamento para chegar não se ter um segundo turno o outro um desmintido do PT, depois de quase 4 anos fico com a matéria do O Globo.
Acredito que o assunto era estratégico, não deveria se tornor público, a verdade é que será muito difícil a campanha para o Lula, agora ele é a vidraça, e haja motivo para tacar pedra, sempre haverá em seu caminho um Waldomiro, uma Benidita, um Andersom Adauto um Marcos Valerio, nossa é muita gente para um governo só e sempre haverá um expulso por ser ético, desde de Paulo de Tarso idos anos 90,passando pelo saudoso Lauro Campos,tudo bem se auto expulsou, até as Heloisas.
Tudo isso passará como num filme das nossas vidas, em instantes na cabeça do eleitor.

terça-feira, 18 de julho de 2006 12:03:00 BRT  
Anonymous jose carlos lima disse...

Concordo com você. O lugar de Lula é nas ruas, junto ao povo. O que há em comum com FHC só mesmo o cargo que ocuparam quando candidatos. FHC não sofreu por exemplo esta campanha negativa incessante que Lula está sofrendo. FHC tinha contra si um candidato de esquerda, Lula, contra o qual os meios de comunicação lutavam. Hoje Lula tem contra si um candidato que é menina dos olhos da mídia. Como se sabe, a campanha de Alckmin será facilitada porque, durante mais de um ano, mediante incessante processo de repetição, o mesmo terminou virando uma espécie de "Caçador de Corruptos" mesmo se sabendo que caso ele fosse eleito não seria muito difícil localizar os tais corruptos até mesmo porque eles estão todos com Alckmin morrendo de vontade de tomar de assalto, novamente, o Estado brasileiro. Por sinal, esta farsa montada para resultar num "Caçador de Corruptos" como salvação para este país, me faz lembrar muito a outra farsa, o tal "Caçador de Marajás" que, eleito, caçou sim, nossos bolsos.

terça-feira, 18 de julho de 2006 22:45:00 BRT  

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