domingo, 9 de julho de 2006

De volta, começando pelas cotas (09/07)

Voltei um dia antes do prometido, para comentar rapidamente o material que a Folha de S.Paulo publica hoje sobre a polêmica das cotas. É um trabalho equilibrado. Aliás, para encontrar equilíbrio na cobertura jornalística dos últimos dias é preciso procurar outros assuntos que não a sucessão presidencial. Está no ar um cheiro de 1989 (no jornalismo). Depois que o serviço estiver feito, virão os inevitáveis seminários internos nas redações para analisar "os eventuais erros e excessos que cometemos na cobertura da eleição". Terão tanta importância quanto eventuais seminários internos que Parreira e companhia tivessem promovido para descobrir por que não jogaram bola contra a França. Mas voltemos às cotas. Há bons argumentos dos dois lados. Entretanto, a posição de quem é contra tem uma fragilidade estrutural: nada propõem no lugar. Sabe-se que tratar igualmente os desiguais é reforçar os mecanismos que reproduzem e ampliam a desigualdade. Por isso, tratar desigualmente os desiguais é às vezes necessário para diminuir a desigualdade. Quem ganha mais paga mais imposto de renda, e todo mundo acha isso natural. Aliás, o combate à regressividade está presente em todos os discursos sobre a necessidade de uma reforma tributária. Mas os melhores exemplos de regressividade no país estão em outros lugares: na educação e na previdência social. São dois paraísos reservados para os brancos e a classe média, por meio das universidades públicas, da previdência dos servidores públicos e dos fundos de pensão das estatais. Uma alternativa às cotas seria forçar a entrada dos pobres e pretos na classe média. Reportagens de hoje da Folha e de O Globo mostram que isso está acontecendo num bom ritmo. Talvez um sistema misto de cotas raciais e sociais, expurgado das aberrações, possa ser um caminho, como alías já vem sendo cogitado. O Bolsa Família e a recuperação do poder de compra do salário mínimo não deixam de ser modalidades de cotas sociais.

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4 Comentários:

Anonymous jose carlos lima disse...

Mesmo após CPIs e mais CPIs tendo revirado os bolsos de Lula não se encontrando ali nenhum centavo vindo da corrupção, a mídia associada a Instituições como o TSE faz de tudo para que o presidente não seja reeleito. Apesar de a notícia da desconcentração de renda ser uma das mais importantes da história do Brasil, o fato não mereceu destaque. Aquilo que deveria ser capa, é ocultado, no máximo uma pequena nota prá não pegar mal não noticiar tal fato. Preferem mentir, difamar, partir para a baixaria. É a tátitca da direita para vencer estas eleições as custas da mentira. Esta tática deu certo, primeiro nos EUA com Bush, que teve inclusive a ajuda de Condolezza. Deu certo na Colômbia, no Perú, no México, porque não haverá de colar aqui? Já estamos vivemos sob uma espécie de fraude das eleições quando o TSE permite isso. Derrotar Alckmin terá o sabor de se estar derrotando também a falta de democracia na imprensa que, a todo momento, espalha seu veneno. Precisamos de antídotos.

segunda-feira, 10 de julho de 2006 10:00:00 BRT  
Anonymous Richard Lins disse...

Alon, gosto muito do seu blog, mas as vêzes vc nos prega peças! Faz uma bela introdução do assunto, coloca uns links, mas quando vamos neles, são páginas somente p/ usuários selecinados. Mesmo tendo posição definida quanto as cotas raciais (sou branco casado c/ parda) procuro estar atento à todos os pontos de vista... mas não sou assinante UOL nem Folha SP!! Isto quando somos remetidos p/ páginas em lingua estrangeira!!!!! Ou vc copia o conteúdo p/ uma página de seu controle ou informa, no texto, que o acesso ao original é restrito ou não está em português, certo!?!!

segunda-feira, 10 de julho de 2006 12:29:00 BRT  
Blogger pico disse...

Caro Alon,
Perfeito! O problema maior, abarca inclusive a questão do negro, em relação ao acesso a universidade é econômico. Não sou nenhum fã do sistema de cotas mas, como você muito bem pontuou, não se pode tratar desiguais com igualdade. Neste sentido, as cotas deveriam ser sociais e não raciais.
Pico

segunda-feira, 10 de julho de 2006 15:26:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Vai ser difícil romper as barreiras daqueles a favor ou contra a instituição das cotas. Os contrários, sustentam que fazendo crescer o bolo do lado social e da renda (sem aspectos raciais), todos poderão comê-lo com mais prazer no futuro. Os favoráveis (com aspectos raciais), sustentam que comendo as fatias do bolo agora, poderão ajudar a fazer o bolo crescer mais no futuro. Em suma, todos querem tratamentos iguais para todos. Só que, no processo, uns podem continuar, ou passar a ser, mais iguais do que os outros. Parece estar-se instituindo cota de 100% para a intransigência. Vale a pergunta: um estatuto de igualdade, prevalece sobre preceitos constitucionais? Outra: os preceitos constitucionais de universalidade de oportunidades, só valem agora, quando brandidos contra a instituição de cotas? Mais uma: qual País estão projetando para o futuro e para qual sociedade e pessoas nele viverem?
Skin

segunda-feira, 10 de julho de 2006 16:54:00 BRT  

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