quinta-feira, 27 de julho de 2006

Coração quente, cabeça fria e Kaliningrado (27/07)

Fiquei um tempo sem escrever sobre a guerra entre Israel e o Hezbollah. Meus posts anteriores geraram reações radicais, a favor e contra. Recebi emails de conhecidos, indignados com as explicações históricas apresentadas por mim para o conflito atual e para eventos passados, acontecidos na Segunda Guerra Mundial. Teve até gente que se chateou por concordar comigo!!! Como me classificam em outra coluna do espectro político, incomodaram-se com essa assimetria, que deve ter mexido com suas cabeças. Mexeu tanto que alguns me "acusaram" de defender minhas posições por ser judeu. Imaginem o que aconteceria se, por exemplo, no debate sobre cotas para negros nas universidades alguém dissesse: "Você defende cotas porque é preto". Seria um Deus nos acuda. Porque o racismo contra os pretos não é politicamente correto.

Pena que tenha recebido poucos contra-argumentos. Quando escrevi que o grau de sofrimento das vítimas civis não determina de que lado está a justiça (até porque há sofrimento civil em ambos os lados) e também que a força pode eventualmente ser usada pelo lado "justo" para dissuasão (dei exemplos históricos), irritaram-se. Paciência, quem sai na chuva se molha. Só lamento que esses mesmos que agora se irritam nunca tenham conseguido se indignar (pelo menos nunca me mandaram emails, nem nunca telefonaram) com as mortes de crianças, mulheres e velhos destroçados pela ação sistematica de homens-bomba. Eis o problema: quem usa a tragédia e o sofrimento humanos como biombo para seus propósitos políticos acaba desmascarado quando exibe a própria incapacidade de se compadecer do adversário exposto à desgraça.

Essa é uma discussão sempre complicada. Todos temos os nossos mortos e mutilados, fisicamente ou espiritualmente. Mas não façamos disso um expediente para atrair a piedade alheia e demonizar o adversário. Mantenhamos o coração quente e a cabeça fria. Coloquei aqui neste blog tempos atrás uma questão que me parece razoável. Pelo menos ninguém contestou. Em qualquer discussão sobre o conflito no Oriente Médio, a preliminar é o sujeito dizer se defende ou não a existência de um Estado judeu na Palestina. Desculpem, mas isso determina todo o resto. Ou então a pessoa entra na turma do "veja bem": "Veja bem, não é que eu seja contra Israel, mas acho que todos os palestinos deveriam voltar para as terras e casas que ocupavam antes de 1948, e penso que a melhor solução política para o problema seria um Estado laico democrático e binacional, onde judeus e árabes conviveriam pacificamente".

Pronto, o sujeito acabou de dizer que é contra a existência de Israel sem dizê-lo, pregou a extinção do Estado judeu de um jeito simpático e politicamente correto. Por que a ascensão do Hamas e do Hezbollah criou constrangimentos aos defensores da extinção de Israel? Porque são duas organizações que pregam abertamente a tranformação de toda a antiga Palestina num Estado islâmico. Fica difícil para o sujeito defender isso tomando uma cervejinha num bar da Vila Madalena (desculpem a referência paulistana). É por isso que se recorre à exploração do sofrimento como ferramenta de propaganda. Faltam-lhe razões? Apele à emoção, que sempre ajuda.

Uma das batalhas mais ferozes e sangrentas da Segunda Guerra Mundial foi a tomada da Prússia Oriental pelos soviéticos (tem gente que se incomoda com os exemplos históricos, mas paciência; ninguém é obrigado a ler este blog, certo?). Königsberg foi "russificada" e virou Kaliningrado, que hoje é um bolsão russo isolado entre os Países Bálticos, a Polônia e o mar (clique no mapa para ampliá-lo). Não se sabe de algum pleito alemão para retomar a região e regermanizá-la, com a volta dos alemães que de lá saíram. Os alemães sabem que isso significaria uma declaração de guerra contra os russos. Como Berlim quer paz, reconhece a realidade dos resultados militares obtidos no terreno de batalha e toca a vida adiante. Vejam que recorro a um exemplo de 1945, da mesma época, portanto, em que aconteceu a partilha da Palestina.

A guerra de Israel contra o Hezbollah é a continuação da guerra desencadeada pela decisão da ONU de criar um Estado judeu e um palestino na região, em 1947. Os judeus aceitaram a decisão e criaram seu Estado. Os árabes rejeitaram-na e apostaram na guerra. As sucessivas derrotas árabes e algumas israelenses (Líbano, por exemplo) criaram uma realidade no terreno militar. Para haver paz, é preciso que todos estejam de acordo em transportá-la para o terreno político. Por isso, acho eu há muitíssimo tempo, a única solução é todos os países da região apoiarem a solução de dois Estados, um judeu e um palestino.

Mas se você discorda, se você acha que se pode alterar a realidade militar de modo que o statu quo político final seja mais favorável aos adversários de Israel (eventualmente, até com a extinção do país), você tem todo o direito de pensar assim. Só não se lamente quando perceber que essa opção pode (vai) mergulhar o povo palestino numa aventura e levá-lo a mais um desastre. Como afirmou alguém que colocou um comentário neste blog, só faça o favor de lutar com honra. Com as armas ou com as palavras.

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19 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

alon, sou brasileira, mas com muito orgulho sou mussulmana e palestina tbm!!! israel exige q o libano cumpra as resolucoes da onu, mas se esquece de cumpri-las, se israel recuasse ao territorio de 1948, e desse a nos, palestinos, a oportunidade de termos um estado com territorio continuo, 99% do problema jah estaria resolvido, soh q como ha arabes q querem destruir israel, a maioria dos judeus tbm nos querem varrer do mapa!!! a unica arma q o povo palestino tem eh se explodir!! nao q eu esteja a favor, mais eh um povo sem terra, sem economia sem nada, soh com a sua fe e sua miseravel infra estrutura q desmorona mais e mais pelos misseis q seus compatriotas nos presenteiam sempre, gaza vive numa situacao desesperante!!! quanto a questao do libano, fica aqui a minha pergunta: cade a eficiencia do mossad? todo mundo sabe da ameaca do hezbollah pq em vez de ficar matando criancinhas nao matam seu lider e acabam com isso? espero q pense um poco tbm no genocideo q o seu povo cometeu contra o meu, e apesar de tudo ainda creio na paz, uma paz q os judeus nao querem!!!

quinta-feira, 27 de julho de 2006 18:51:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Cara anônima, qual é o seu nome? Você coloca questões muito interessantes e importantes. E agradeço sua iniciativa de prestigiar meu blog. Você me honra com sua franqueza. Eu acredito, sinceramente, que essa situação toda pode se resolver com dois Estados. Pelo que entendi, você também acredita. Agora, a volta às fronteiras determinadas pela ONU em 1947 não é uma solução realista. O Estado palestino teria largas porções de seu território com população hoje majoritariamente judaica. A solução, penso eu, é constituir um Estado palestino em Gaza, na Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental. A Cidade Velha, com a Esplanada das Mesquitas e o Muro Ocidental poderia ter um estatuto especial. No futuro, Israel e Palestina poderiam formar uma confederação, ter um mercado comum. Os países árabes e a comunidade internacional (especialmente EUA e Europa) poderiam ser obrigados a constituir um fundo para saneamento,habitação, saúde e educação. Yasser Arafat esteve perto de obter essa vitória para seu povo, mas infelizmente fracassou. Hoje a Fatah é uma força política em declínio, para tristeza de todos que a imaginavam como a liderança que poderia levar os palestinos a sua emancipação. O comando vem progressivamente passando às mãos de quem deseja varrer Israel do mapa. Daí a guerra. Com todo o respeito, não concordo quando você fala em genocídio.Há uma guerra, e sofre mais quem tem menos força militar. Discordo também de você quando diz que os judeus não querem a paz. Não há alternativa à paz. Veja que Israel foi atacada não da Cisjordânia -onde continua a ocupação, mesmo que parcial-, mas de territórios (Líbano, Gaza) de que havia se retirado. Qual é a mensagem? Se vocês se retirarem dos territórios ocupados em 1967 e 1982, mesmo assim continuaremos atacando vocês, agora dentro das fronteiras anteriores a 1967. Nenhum Estado soberano aceitaria isso, especialmente quando se sabe que o principal aliado externodo Hezbollah, o Irã, trabalha para ter armas nucleares rapidamente.

quinta-feira, 27 de julho de 2006 19:24:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

O problema de quem não concorda com o Alon é que é muito, muito difícil contra-argumentar no nível que ele coloca a discussão. Eu não sei se concordo com você, mas parabéns pelo blog. É mesmo diferenciado. Juvenal Pires.

quinta-feira, 27 de julho de 2006 20:05:00 BRT  
Anonymous Lúcia Passos disse...

Também não sei se eu concordo,mas é o melhor texto que eu li sobre o assunto.

quinta-feira, 27 de julho de 2006 20:14:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

alon meu nome eh nissrin, me desculpem os erros de portugues,jah faz um tempo q nao moro mais no brasil,enfim... viu como eh? a palestina esta cheia de colonias judaicas, nao respeitaram as nossas terras, se essas colonias nao sao retiradas, seria impossivel obter um estado de territorio continuo, por isso seria necessario q a forca militar israelense continuasse a atuar como atua agora, como caes de guarda, como se fossemos bandidos, nao sei se vc teve a oportunidade de ir ate la, te digo q eh uma terra linda, ate 2000 era cheia de harmonia, era prospera tinha seguranca em ambos lados, mas vc jah sabe o q aconteceu... quando sharon foi eleito presidente, as poucas esperancas de paz se esfumaram... a vitoria do hamas foi uma revolta popular, eu particularmente apoio o fatah q eh mais razoavel, mas o meu povo jah estava cansado dessa vida miseravel, quando eu tinha 4 anos estava lah com a minha familia, e pela madrugada vieram os soldados e nos colocaram contra a parede com metralhadoras nas nossas cabecas, estavam buscando um tio q fazia parte da olp, essa mesma casa em q eu estava jah havia sido demolida e reconstruida duas vezes, esse tio ficou 17 anos em prisao e soh foi libertado com a troca de presos, mais tarde ele foi nomeado ministro e apesar de tudo sempre preferiu a paz, nunca falou em varrer israel do mapa, mas sim em criar um estado palestino autonomo e soberano, se israel estivesse sob o dominio dos arabes, acredite q fariam coisas muito piores q os homens bombas, e vc diz q nunca praticaram genocidio, entao me explique o q foi o massacre de saabra e chatila? sharon foi um homen sem piedade o governo de israel nao tem piedade eh muito triste ver como matam no libano, isso soh vai criar mais fundamentalistas, nao vou dizer terroristas pq esse termo cabe mais ao judeus. Parabens pelo blog, muito interessante

sexta-feira, 28 de julho de 2006 00:31:00 BRT  
Anonymous João Azevedo disse...

Quando Alon escreve sobre os que "ficaram chateados por concordar comigo" está se referindo aos meus comentários, nos quais critiquei suas acrobacias intelectuais. Embora ele escreva "teve até gente", li todos os comentários dos leitores, e como só eu fiz esta crítica, "teve até gente" só pode ser eu mesmo. Ele me chama, indiretamente, de racista, ao colocar na mesa a questão das cotas raciais, que nada tem a ver com o caso. Bom, é direito dele dizer o que quiser. O blog é dele. Aliás, é o único blog de petista que mantenho (e continuarei mantendo) entre meus favoritos: deletei todos os outros (A. Mello e F. Rodrigues, p. ex.) por pura irritação. Desqualificar o argumento dos outros apelando para acusações de "racismo" é uma forma de defesa. Fraquinha, mas fazer o quê? Só achei engraçado ele dizer que "mexeu com a minha cabeça". A minha??? A dele é que está "mexida". Ele acha que Marcola é um coitadinho, que "não teve oportunidades", e que representa um grupo reprimido pelo pérfido governo de SP. E acha Nasralah um terrorista sádico. Eu acho que os dois são terroristas sádicos. E acho tb que tanto o governo de SP quanto o de Israel são violentos e repressores, o que não diminui em nada a culpa dos terroristas. O que afirmei é que, por coerência, ele deveria ter a mesma opinião nos dois casos. Não tem pq o caso de Israel lhe aperta o calo. Isto é racismo? Tá, tá bom, o blog é seu...

sexta-feira, 28 de julho de 2006 08:36:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caro João Azevedo, não tive a intenção de desqualificar, e isso pode ser percebido no esforço que fiz para argumentar. Apenas notei que dizer que fulano defende tal ou qual coisa por pertencer a tal ou qual grupo étnico ou social é perigoso, pois retira a discussão do terreno conteudístico e nos leva a um impasse. Pois se o fato de pertencermos a grupos diferentes nos levaria necessariamente a ter posições diferentes, não haveria por que discutir. Esse é o problema. Malabarismo é um substantivo fraco. Não creio ter feito malabarismo, mas respeito seu direito da considerar assim. Sobre o crime, Marcola e o PCC, vou escrever de novo para desenvolver esse debate, mas não concordo que se possa fazer um paralelo entre a luta contra o crime e a luta contra o terrorismo. São duas coisas diferentes. De todo modo, João, fico contente de você ler meu blog mesmo tendo divergências. Sinto-me honrado com isso. E, além do mais, ouvir as críticas é sempre uma coisa boa. Ninguém tem o monopólio da verdade, não é?

sexta-feira, 28 de julho de 2006 10:13:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Apenas uma observação, Nissrim: a segunda Intifada (Intifada de El-Aksa) começou em 2000 (como você nota), ou seja antes de Ariel Sharon ser eleito premiê. O governo era chefiado por Ehud Barak, que propôs a Arafat a melhor proposta que os palestinos receberam até hoje. Arafat recusou, Barak caiu e o resultado é o que temos hoje. Eu concordo com você sobre a continuidade das terras na Cisjordânia. O problema é que se isso não foi feito por acordo, terá que ser feito unilateralmente por Israel. E a perspectica de acordo fica mais longe quando Israel é atacado exatamente das áreas de que se retirou completamente.

sexta-feira, 28 de julho de 2006 10:19:00 BRT  
Anonymous João Azevedo disse...

Caro Alon
Não vou ficar batendo nesta tecla, já que isso não leva a nada. A polêmica já se esgotou por si mesma. Continuo achando sua posição incoerente, mas acho tb que coerência absoluta é tacanhice. Só achei engraçado a enorme quantidade de comentários negativos que vc recebeu quando defendeu Israel. Do meu ponto de vista, seus leitores são super-coerentes (no mau sentido): se Marcola é coitadinho, Nasralah tb é. Embora Israel esteja repleto de pecados (Sabra e Chatila, p. ex.) é inegável que os israelenses fizeram vários gestos em direção à paz nos últimos anos, sempre sabotados pelos árabes e iranianos. Acho que vc poderia tratar tb da pusilânime atitude do governo brasileiro sobre este tema, sempre disposto a paparicar ditadores fascistas, como o da Síria. Espero que vc volte a falar do PCC, e discordo de vc: eles são terroristas sim. O que é o terrorismo? Minha definição é "violência política dirigida a civis". É óbvio que existe motivação política nos ataques de Marcola e seu "Hamas". Não estão apenas tentando fugir da cadeia. São, portanto, terroristas. Mas vou esperar vc falar disso... abs

sexta-feira, 28 de julho de 2006 11:18:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Alon, permita-me. Discordo quando você diz que racismo contra os pretos não é politicamente correto, a respeito de terem colocado suas posições pelo fato de ser judeu. Racismo é condenável, venha de onde vier sob quaisquer justificativas. Racismo contra uma etnia, também o é poara todas as demais. Desejo que continue com suas posições, independentemente de suas origens. Como qualquer negro deve também fazê-lo.

sexta-feira, 28 de julho de 2006 12:11:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Swamoro, o que ele quis dizer é que as pessoas aceitam mais o racismo contra os judeus do que aceitam o racismo contra os negros. É uma realidade. Sorte dos judeus que eles tem hoje um país com um exército. Pelo menos eles podem se defender. Veja que situação dramática: querem até tirar o direito deles de atacar uma guerrilha terrorista armada de foguetres de longo alcance e apoiada por países que sustentam o terrorismo. Guerrilha essa que quer destruir o país deles. Se fosse comigo, eu ia para a guerra sem pensar duas vezes.

sexta-feira, 28 de julho de 2006 12:18:00 BRT  
Anonymous André Pessoa disse...

Aceito o seu desafio. Eu sou totalmente favorável à existência de dois estados na região, Israel e Palestina, mantendo-se as fronteiras atuais mas encontrando-se uma solução para a continuidade do território da Palestina (por exemplo, uma via elevada) e também para as áreas comuns de Jerusalém.

Mas isso não me obriga a apoiar as atitudes do estado israelense. Israel tem agido como um estado terrorista há muito tempo, e pra mim pouco importa que tenha como inimigos algumas organizações igualmente terroristas. Se eu aceitasse simetria neste caso, seria o mesmo caso de dizer que o Estado, para combater certo tipo de criminalidade, deveria implantar a lei do talião, as execuções sumárias e a tortura.

Quanto a Dresden e Hiroshima, sinto muito, mas nada do que você disser vai transformar aqueles eventos em coisa diversa do que são: crimes de guerra, genocídios. E se você os defende e eu lhe chamo de "defensor de genocidas", por favor não encare isso de modo pessoal. É apenas um epípeto genérico, aplicável a qualquer um que faça aquele tipo de defesa.

E neste caso, nada a ver com Israel, que, felizmente, não é um Estado genocida, e eu espero que jamais se torne.

sexta-feira, 28 de julho de 2006 12:43:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Para Anônimo que respondeu a Swamoro: foi o que eu quis dizer (ou tentei), por isso execrei o racismo. Racismo politicamente correto é o mesmo execrável racismo dito cordial em nosso País, praticado contra negros e/ou não-brancos. Entendi não ser dele o abominável sentimento de aceitar mais o racismo contra uns do que contra outros. No meu entendimento, ele fez uma crítica a isto. Como as guerras, deve ser combatido tal sentimento. Embora não seja necessário, permiti-me a presunção de dar uma força para ele continuar a externar suas opiniões. Obrigado pela resposta e pela oportunidade de explicar.

sexta-feira, 28 de julho de 2006 14:51:00 BRT  
Anonymous tibério canuto disse...

Alon,

Não vou carinhosamente lhe chamar de Judeu, como o fiz no passado, porque corro o risco de você entender isso como uma manifestação de antisemitismo. Vou ao substantivo:
Voce acerta quando diz que não há solução para o conflito do Oriente Médio sem levar em considração a existência de dois Estados, um de Israel. e outros dos Palestinos.
qualquer solução fora disso será irrealista e só contribuirá para a perpetuação do conflito Não existem razões históricas, mesmo que milienares, de um tentar jogar o outro no mar.

Entre isso e defender a ação indisriminada do Estado de Israel, há uma enorme distância. Nada justifica o bombardeio indiscriminado patrocinado pelo Estado Israelense contra a população civil Nem mesmo a ação ensandecida de grupos terroristas árabes ou palestinos.
Uma das formas de terrorismo é o de Estado e é inegável que Israel o utiliza à exaustão. Você viu o filme Munique?
Não dá para defende Israel à base do argumento de que não há um genocídio, mas apenas uma superioridade militar, onde quem sofre mais é quem é mais débil. Se fosse assim, iríamos absorver Hitler, alegando que ele não fêz genocídio na URSS. Ele apenas era mais forte do que Stalin, militarmente.

O povo israelense tem uma bela história, inclusive como vítima de perseguições e estão aí os inúmeros episódios da Segunda guerra para comprovar. Exatamente por essa razão, nada justifica o que seu Estado faz com o sofrido povo palestino.
Se os valores que defendemos tanto em nossa juventude ainda valerem alguma coisa, eles só podem nos orientar para uma postura: condenação dos atos terroristas de agrupamentos palestinos e condenação do terrorismo de Estado praticado pelo governo de Israel.
Fora essa crítica, seu blog é ótimo.

sexta-feira, 28 de julho de 2006 16:30:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Senhor Tiberio Canuto, quem lança foguetes unicamente contra a população civi é o Hezbolla. Israel ataca objetivos militares. Se uma guerrilha se mistura ao povo, o povo sera atingido.Mas os foguetes do Hezbolla sao unicamente lancados contra a populacao civil.

sexta-feira, 28 de julho de 2006 17:14:00 BRT  
Blogger Luca Sarmento disse...

Vejo com admiração a forma lógica com que coloca seus argumentos, mesmo para aqueles que discordam em parte ou no todo de sua opinião.

É bom, nestes dias onde as TVs aqui fazem uma cobertura tão tendenciosa e sempre contrária aos Estados Unidos e Israel, ter uma análise com foco no outro ponto de vista.

Bons ventos para seu blog e você.

sexta-feira, 28 de julho de 2006 20:17:00 BRT  
Anonymous Arnaldo disse...

Parece aceitável para os governos britânico e americano que, depois dos ataques iniciais do Hezbollah em 12/07, Israel culpe o governo libanês por não conter o Hizbollah e destrua a infra-estrutura libanesa e tire a vida de centenas de civis para "neutralizar" os "terroristas". Mas quando o IRA matava inocentes na Inglaterra em atos de terror, Londres culpava o governo da Irlanda em Dublin? Ou ordenava o bombardeio de Dublin ou da infra-estrutura da Irlanda?

segunda-feira, 31 de julho de 2006 08:28:00 BRT  
Anonymous Richard Lins disse...

A Nissirim mandou muito bem, parabéns. E o Arnaldo tbm. Os judeus tiveram a chance que nenhum outro povo teve: ter devolta suas terras históricas!!! Mas negam este mesmo aos palestinos, libaneses e outros. Só concordo que a oferta feita ao Arafat foi realmente a melhor... talvez ele tenha recusado exatamente por isto: muita esmola o cego desconfia!!!!!!!!

sexta-feira, 4 de agosto de 2006 17:42:00 BRT  
Anonymous Túlio Leal disse...

Oi Alon, sobre a terra do Kant, Kaliningrado/Königsberg, li há um tempo atrás que o Yeltsin, desesperado por dinheiro, no rastro do desmantelamento caótico na URSS, teria proposto ao Gerhard Schröder "vender" a cidade de volta para os alemães, mediante módica quantia. O Schröder, apertado pelos custos titânicos da reunificação alemã - além das dificuldades logísticas e nacionais inerentes -, teria recusado a proposta. Não sei se a estorinha é verdadeira, mas achei interessante compartilhar por causa da referência à cidade.

Quanto à solução dos 2 Estados, confesso que a vida tem me deixado cético. Não tenho dúvidas de que a maioria dos judeus israelenses, desde pelo menos meados da década de 1990, é a favor dela. Basta ver que o Barak estava disposto a bancá-la e que ante perspectivas reais de acordo, a população vota em um partido que a defenda (como no caso da eleição do Olmert). Gostaria, entretanto, de ver pesquisas que mostrem o quanto os palestinos apoiam essa solução. Minha impressão é que o Arafat não aceitou a oferta do Barak não porque era generosa, mas sim porque no fundo, no fundo, os palestinos parecem estar pensando... "olha, desde que estamos aqui já vieram e foram embora bizantinos, franco-cruzados, mamelucos, turcos e ingleses... Agora estão aqui os judeus, um dia eles também irão embora. Então pra quê dividir a terra com eles? Um dia eles também terão que se retirar". Obviamente o grande erro desse cálculo, e que ainda vai custar muito sofrimento, é que os judeus, ao contrário dos outros, nem estão em terra estrangeira, nem têm para onde ir... Minha impressão é que somente quando os palestinos aceitarem o fato de que os judeus não vão sair de lá (os judeus já tinham caído na realidade de que os palestinos estavam lá para ficar depois das intifadas) a paz será possível.
Abs,
T.

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011 17:02:00 BRST  

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