quarta-feira, 26 de julho de 2006

Boa, mas perigosa (26/07)

Tem gente que desconfia de pesquisas. Houve tempo em que eu também desconfiava. Aí resolvi o (meu) problema usando a estatística. Em vez de desconfiar das pesquisas, passei a acreditar em todas. A média entre elas, descontado algum ponto fora da curva, deve estar bem perto do que seria um retrato fiel da realidade.
Quando comecei este blog, pensei em fazer uma página com links para todas as pesquisas. Depois desisti, porque o jornalista Fernando Rodrigues já faz isso muito bem em seu site. Internet é isso. Em vez de reinventar a roda, dê um link.
O que dizem as pesquisas? Que Luiz Inácio Lula da Silva está ali, no limite para ganhar a eleição no primeiro turno. Se tiver que disputar uma segunda votação, tem uma vantagem razoavelmente confortável, de quase dez pontos, sobre o adversário mais certo, Geraldo Alckmin.
Lula mostra resiliência. Mantém um desempenho pouco acima do primeiro turno e pouco abaixo do segundo turno de quatro anos atrás, quando venceu com folga. Mais ainda: não se nota erosão significativa do eleitorado do presidente, pois o crescimento de Alckmin (e, em menor grau, de Heloísa Helena) se deu apenas agregando votos de outros candidatos que saíram da disputa.
Esse é o lado bom para o presidente. Mas há o lado ruim: os candidatos pró-Lula nos estados apresentam desempenho anêmico, especialmente nos grandes colégios eleitorais. É impressionante que o candidato do PT no Rio de Janeiro esteja com 1%. E que o partido em São Paulo perca do PSDB nas simulações de segundo turno na proporção de três para um. Nem é necessário falar da situação de Minas e da Bahia. E há o isolamento político, retratado no fato de Lula ter menos tempo de TV que Alckmin.
Lula vai liderando as pesquisas com base em seu eleitorado próprio, com base na ligação mais íntima com os pobres e com o Nordeste. Tem contra ele a esmagadora maioria do empresariado, da classe média alta e da imprensa [Advertência: isso não é uma crítica, é só uma constatação, pois cada um tem o direito de apoiar quem lhe aprouver]. E não tem uma rede de apoios políticos tão relevante assim.
O que vai prevalecer no final? A liderança de Lula ou o exército adversário? Numa conversa meses atrás com Geraldo Alckmin, ele me disse acreditar que eleição se decide na relação direta do candidato com o eleitor. Se estiver certo, é bom para Lula. Alckmin deve saber o que diz, tem larga experiência em buscar voto.
Eu prefiro a cautela. Tive sorte de não dar aqui neste blog Alckmin como morto tempos atrás, quando essa era a moda. Agora a onda é dizer que o tucano está crescendo rapidamente. Nem tanto. Noves fora, a situação parece estar mais ou menos assim: o candidato do PSDB precisa arrancar de Lula uns cinco ou seis milhões de votos, seja para provocar o segundo turno, seja para ganhá-lo.
De onde podem vir esses eleitores? Teoricamente, de um esforço nos grandes estados para transferir a Alckmin votos dos candidatos a governador do PSDB (São Paulo, Minas) e PFL (Bahia).
A situação de Lula é boa, mas é perigosa.

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12 Comentários:

Blogger Dário Recife disse...

EM MEU ESTADO O PFL É MAJORITÁRIO NAS INTEÇÕES PARA O GOVERNO. EM CONTRAPARTIDA O PRESIDENTE LIDERA NAS INTEÇÕES DE VOTOS PARA REASSUMIR A PRESIDENCIA. NO ENTANTO, CONCORDO PLENAMENTE.

quarta-feira, 26 de julho de 2006 09:57:00 BRT  
Anonymous Willian Gonçalves disse...

Só vai se ter um quadro correto do que pode acontecer na eleição após uns trinta dias do horário eleitoral. Acho que a situação continua confortável para a candidatura do presidente, porque ao contrário do que dizem o PSDB e parte dos analistas políticos (Que de um modo geral apoiam Geraldo Alckmin abertamente ou não), Lula não está em campanha há quatro anos, mas sim levando pancada por todo esse tempo. O que se produziu de manchetes sensacionalistas e irresponsáveis nos últimos tempos foi algo nunca antes visto na história do Brasil. Tudo é culpa dele, do atendimento ruim nos hospital do Rio ao terrorismo do PCC, do escândalo dos sanguessugas à qualquer prefeito do interior nordestino que receba o bolsa-família indevidamente. E no entanto, as pesquisas mostram 40% dos eleitores convictos do voto em Lula. Bater mais no presidente do que já foi feito recentemente é praticamente impossível. Fica então muito difícil essa transferência de votos. Mesmo porque duvido que Aécio Neves, por exemplo, queira entrar nessa briga. O governador de Minas Gerais é praticamente um aliado do governo, o que explica a ausência de deputados mineiros na linha de frente das CPIs. E disputa uma eleição quase homologatória, uma vez que não tem oposição, e o PT lançou um candidato absolutamente decorativo, apenas para marcar presença na cédula. Não é impossível, mas Geraldo Alckmin terá que mover uma montanha do lugar.

quarta-feira, 26 de julho de 2006 10:39:00 BRT  
Anonymous Willian Gonçalves disse...

Só vai se ter um quadro correto do que pode acontecer na eleição após uns trinta dias do horário eleitoral. Acho que a situação continua confortável para a candidatura do presidente, porque ao contrário do que dizem o PSDB e parte dos analistas políticos (Que de um modo geral apoiam Geraldo Alckmin abertamente ou não), Lula não está em campanha há quatro anos, mas sim levando pancada por todo esse tempo. O que se produziu de manchetes sensacionalistas e irresponsáveis nos últimos tempos foi algo nunca antes visto na história do Brasil. Tudo é culpa dele, do atendimento ruim nos hospital do Rio ao terrorismo do PCC, do escândalo dos sanguessugas à qualquer prefeito do interior nordestino que receba o bolsa-família indevidamente. E no entanto, as pesquisas mostram 40% dos eleitores convictos do voto em Lula. Bater mais no presidente do que já foi feito recentemente é praticamente impossível. Fica então muito difícil essa transferência de votos. Mesmo porque duvido que Aécio Neves, por exemplo, queira entrar nessa briga. O governador de Minas Gerais é praticamente um aliado do governo, o que explica a ausência de deputados mineiros na linha de frente das CPIs. E disputa uma eleição quase homologatória, uma vez que não tem oposição, e o PT lançou um candidato absolutamente decorativo, apenas para marcar presença na cédula. Não é impossível, mas Geraldo Alckmin terá que mover uma montanha do lugar.

quarta-feira, 26 de julho de 2006 10:40:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

quarta-feira, 26 de julho de 2006 11:47:00 BRT  
Blogger Luca Sarmento disse...

Há que se analisar a tendência de Lula (queda) e a de Alckmin (alta), não apenas o percentual de cada um. Neste cenário, prever o limite introduz uma margem de êrro desconhecida. A situação de Lula é muito menos tranquila agora que a diferença entre os candidatos reduziu 9 pontos e ainda temos muita água (suja) para rolar embaixo desta ponte.

quarta-feira, 26 de julho de 2006 12:50:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

De todo modo, alguma coisa não tem andado bem para a campanha do presidente. A cada pesquisa divulgada, apesar da confirmação da dianteira de Lula, suas manifestações não transmitem tranqüilidade. Por mais que isto tente aparentar tática, deixa transparecer incerteza de vitória já no primeiro turno. Antes, suas falas passavam certeza de estar com a vitória garantida sem a necessidade de segundo turno. Hoje, os discursos tornaram-se mais sinuosos, como que tateantes. Talvez, a tentativa de descolar-se do PT, que pode ser a razão da insegurança, mostre certo isolamento, o que dá, cada vez mais, oportunidades de contra-ataques por parte da oposição. Testar os atuais 40%, patamar aparentemente mais sólido de Lula, tende a ser o desafio de Alckmin. Com o início do horário eleitoral, Alckmin pode tornar-se mais conhecido como alternativa viável. Portanto, caso chegue a 30% antes do horário eleitoral, poderá ampliar este índice durante a campanha pelo rádio e TV, aumentando suas chances de obter parcela dos votos não cativos em Lula.

quarta-feira, 26 de julho de 2006 14:23:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Há algo que vocês todos se esqueceram: Lula perdeu, sem chance de volta, votos entre os mais escolarizados e os mais esclarecidos - ou seja, não é critério renda, mas critério educação. É daí que virá a ruína de Lula.

quarta-feira, 26 de julho de 2006 19:11:00 BRT  
Anonymous augusto disse...

Prezado Alon: Parabéns pelos comentários. Credibilidade em jornalismo é resultante do trinômio informação, equilíbrio e clareza de propósitos. Em tempos de "blog de barrigudo" você, certamente, conquista, a cada dia, um espaço diferenciado. Um abraço.

quarta-feira, 26 de julho de 2006 21:25:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Para o leitor Ricardo: oxalá o sr. tivesse razão e os mais escolarizados (portanto, os mais ricos, de acordo com o IBGE) pudessem decidir qualquer eleição no Brasil - significaria que é significativo o número de pessoas nessas condições neste país. O sr. se equivoca, no entanto, ao dizer que, em se tratando de voto, ter nível de instrução mais alto significa ser mais "esclarecido". Aliás, a impressão que se tem é a de que pessoas como o sr. pregam o voto censitário, que vigeu na aurora da República. Escolarizado e esclarecido como é, o sr. deve saber do que estou falando. Só que, se sua pretensão fosse transformada em lei apenas, uns 10% dos brasileiros teriam direito de votar. Mas como as sociedades contemporâneas deixaram para trás preconceitos como o seu, não haverá ruína nenhuma para Lula. Mesmo que eventualmente perca a eleição a derrota não é ruína. Aliás, ele perdeu três eleições presidenteciais antes de vencer. A derrota, meu caro, é só o recomeço da luta. E faz parte das vidas de todos nós.

quarta-feira, 26 de julho de 2006 22:03:00 BRT  
Anonymous jose carlos lima disse...

O ministro da Contralodoria Geral da União declara no Jornal Nacional que tem farta documentação comprovando que a máfia das sanguessugas teve seu ápice no governo FHC.Não posso ifnormar isso no Blog do Noblat.Agora assisto ao complozinho de Merdal e seus amiguinhos tentando, com seu contorcionismo cerebral, confundir o telespectador ao mostrar o combate a corrupção como prática da corrupção. Vai ver que eles não sabem que, de fato, nunca tantos corruptos foram presos.Claro, sob o governo tucano, ele roubavam à vontade sem que nada viesse à tona. Estão loucos para voltar ao poder para, sob debaixo dos panos, pintar e bordar. Afinal de contas, a impressão que se tinha no governo FHC era de que a PF nem existia. O Procurador Geral, Beraldo Brindeiro, era conhecido como engavetador-geral da república. O Alckmentira quer tomar de assalto os cofres públicos mandando a Polícia Federal de volta prá casa.Disso não tenho a menor dúvida. É isso aí Lula. Cerol nos ratos, raposas, sanguessugas...

quarta-feira, 26 de julho de 2006 23:08:00 BRT  
Anonymous Marcos disse...

Ricardo, Lula está na frente por um simples motivo: o bolso da grande maioria melhorou. Brasileiro não vota por ideologia. Evitava votar no PT antigamente por medo. Agora vai votar em quem ele achar que melhorou sua vida. Simples assim. E corretissimo. Funciona maravilhosamente bem em todos os países. Quer ganhar a eleição? Prove que você fez e fará melhor que o seu adversário. Esse negócio de crise externa, estávamos botando a casa em ordem, etc.. é desculpa de todos os políticos (incluindo os do PT) para seus fracassos. E por útltimo, por que o povão que o senhor classifica como menos esclarecido deveria votar na oposição?

quarta-feira, 26 de julho de 2006 23:18:00 BRT  
Anonymous José Marcelo Randes disse...

Alguém duvida que Alckmin crescerá pelo menos dez pontos ao fim do horário eleitoral? É só conferir o que dizem os especialistas em tocar campanhas televisivas. Continuo afirmando que Alckmin não poderia chegar ao horário eleitoral perto dos 30 pontos, que esse é um número acima das melhores expectativas para sua candidatura. O Fernando Rodrigues vem ressaltando a semelhança dos números de agora com os da eleição em que Fernando Henrique bateu Lula no primeiro turno. Eu chamaria a atenção para dois dados peculiares a esta eleição e que se relacionam entre si: A maioria do eleitorado que não usa internet e não lê jornal, mal conseguia ligar o nome de Alckmin à pessoa até o Jornal Nacional iniciar a cobertura dos candidatos. Quero dizer: ao contrário de Lula já àquela época, Alckmin vem para sua primeira disputa presidencial e ainda precisa ser apresentado a uma substancial parte do eleitorado. O outro dado são os seis minutos diários a mais que o candidato do PSDB vai ter em relação a Lula. Para mim será surpresa se Alckmin não terminar o primeiro turno por volta dos 40 pontos percentuais.

quinta-feira, 27 de julho de 2006 01:32:00 BRT  

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