segunda-feira, 12 de junho de 2006

Para a Petrobrás e o Brasil aprenderem com os indianos (12/06)

Uma empresa indiana (Jindal Steel and Power) ganhou a concessão para explorar a mina de ferro de El Mutun, na Bolívia. O relato de Amitabh Dubey, analista para a Ásia do Eurasia Group, é uma aula para a Petrobrás e o governo brasileiro. Transcrevo um trecho: "A Jindal vai investir até US$ 2,3 bilhões ao longo de dez anos, gerando até 10 mil empregos e uma receita estimada de US$ 200 milhões para o governo boliviano. A companhia vai construir casas e infra-estrutura no município vizinho de Puerto Suarez, reforçando o compromisso governamental com investimentos sociais". Enquanto uma histeria chauvinista em ano eleitoral pede ao Planalto e ao Itamaraty uma atitude supostamente "dura", vamos perdendo espaço para russos, indianos e chineses em nossas redondezas. Um bom exemplo de como a pretensa "defesa da Petrobrás" tem servido para enfraquecer os interesses do Brasil na vizinhança. Clique aqui para ler a íntegra do relato de Dubey.

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2 Comentários:

Anonymous augusto disse...

Este é mais um "case" que evidencia a enorme distância que vai se abrindo entre o Brasil e os demais países componentes da sigla BRIC. Veja só: no que se refere às reais intenções do capital privado, a cada dia se cristaliza a tremenda contradição entre o discurso de fachada contra a "alta" taxa de juros (que em tese inibiriam maiores e melhores investimentos) e a pregação assumida pelo candidato à presidente, sucesso em Comandatuba, que se fundamenta nos princípios econômicos que emanam, suavemente, da Casa das Garças. No que se refere ao Governo e sua capacidade de indução e direcionamento dos investimentos, públicos ou privados, a camisa de força imposta pelos verdadeiros donatários do poder, interna e externamente, blindou (palavra da moda no último ano FHC) quaisquer possibilidade de maiores mudanças no status quo(lembre-se que Kirshner e Morales - sem medo de serem felizes - "quebraram contratos"). Na Índia, Rússia e China é tudo, mas tudo mesmo, muito diferente. A condenação do emergente magnata do petróleo russo M.Khodorkovsky pode ser considerado um exemplo recente da prevalência dos interesses do Estado (ou da maioria, se preferir) quando se trata de questões geopolíticas ou estratégicas. Mas, como prova de que, tudo isso é bobagem, e somos, afinal muito superiores, nenhum deles está na Copa. Um abraço.

segunda-feira, 12 de junho de 2006 21:59:00 BRT  
Anonymous Lucas disse...

Alon, o princípio da troca sem dúvida é bom. Em troca de contratos, licenças etc., empresas investem no social. Perfeito porque exploram atividades nas quais governos não tem competência e, se bem contratadas e fiscalizadas, geram dividendos sociais.

A comparação com o caso Bolívia/Petrobrás, no entanto, não é válida. Não sei se a Petrobrás investiu ou não no "social" boliviano. Isso não importa agora. O fato é que foi celebrado um contrato que está sendo unilateralmente quebrado. O que garante que o contrato com a Jindal não vai ser quebrado pelo próximo governo apesar dos investimentos sociais? Esse é o problema.

A Bolívia perde mais do que a Petrobrás neste incidente, porque mina a confiança de um grande (e quase único) consumidor. Sim, vamos pagar um pouco mais pelo gás no curto-prazo, mas o fato é que vamos procurar alternativas com muito mais afinco, reduzindo, no longo-prazo, o valor do gás boliviano. Isso sem contar com a perda da confiança de outros investidores.

segunda-feira, 19 de junho de 2006 18:50:00 BRT  

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