sexta-feira, 2 de junho de 2006

O escândalo dos juros no crédito consignado dos aposentados (02/06)

Vejam como abre reportagem no UOL sobre o assunto:

"Juro máximo para aposentado já está valendo

Aposentados, preparem-se porque toda a atenção é pouca: ninguém pode cobrar juros de mais de 2,9% ao mês. Dá um pouco menos de 39% ao ano. O governo fixou o teto - juro máximo - para os já famosos empréstimos consignados, quer dizer, vinculados à folha de pagamento do INSS e, portanto, inteiramente garantidos pelo Tesouro Nacional. E tem mais: é juro máximo tanto para o empréstimo quanto para o cartão de crédito dos mesmos aposentados ou pensionistas do INSS.(...)"

O sujeito lê e acha que os aposentados têm motivo para comemorar. Vamos trocar em miúdos. O aposentado que tomar R$ 1.000,00 emprestado do banco na modalidade consignada terá, no fim de dois anos (se pagar em 24 meses), devolvido ao banco quase R$ 2.000,00. Ou seja, se por exemplo o aposentado decidir comprar uma TV nova para assistir à Copa do Mundo, ao final dos pagamentos terá adquirido um aparelho para si e outro para os acionistas do banco. Se, por exemplo, usar o dinheiro para comprar remédios, quando quitar a dívida terá repassado para o banco boa parte do (ou tudo) que economizou recorrendo a medicamentos genéricos ou a farmácias populares. E nem vale falar em risco de inadimplência, porque a possibilidade de o banco deixar de receber é zero. Está na reportagem: a coisa toda é "inteiramente" garantida pelo Tesouro Nacional. Isso é o Brasil. Enquanto os bem-postos da vida debatem o ritmo de queda da Selic e ficam indignados com uma taxa real de juros de 10%, o sistema financeiro vai assaltando os aposentados com taxas reais quase quatro vezes superiores. E o pacote todo é apresentado como um presente para os supostos beneficiários. Sem que isso atraia a atenção dos que adoram se indignar com qualquer coisa. É uma vergonha.

Clique aqui para assinar gratuitamente este blog (Blog do Alon).
Para inserir um comentário, clique sobre a palavra "comentários", abaixo.

7 Comentários:

Anonymous paulob disse...

É isso aí. É por isso que a oposição PSDB-PFL não vai a lugar nenhum. Como eles podem criticar o governo em coisas assim se eles mesmos são os office boys dos banqueiros? A Folha de São Paulo deu reportagem de um jantar dos tucanos com os banqueiros, que era só bajulação do Alckmin e do Serra. É por isso que a Heloísa Helena vai acabar passando o Alckmin, escutem o que estou dizendo.

sexta-feira, 2 de junho de 2006 12:20:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Quem inventou os créditos consignados foi o Apedeuta, aliás, como parte do pacote de bondade$ ao BMG, o Banco do Mensalão. Desde o início, o projeto era escandaloso.
Note que o tal controle do governo (que no fundo é um tabelamento) vale por 2 meses - completamente eleitoral. Nada é feito para, por exemplo, aumentar a competitividade entre bancos, como o cadastro positivo e o atendimento em horãrio comercial para TODOS os bancos.
Um governo assim faz o governo Quércia parecer debilóide em termos de "vale tudo eleitoral".

sexta-feira, 2 de junho de 2006 12:37:00 BRT  
Anonymous André Pessoa disse...

"Sem que isso atraia a atenção dos que adoram se indignar com qualquer coisa". Isso foi uma auto-ironia? Pois é exatamente isso que essa nota está parecendo: choradeira de alguém que "adora se indignar com qualquer coisa".

Não é verdade que o empréstimo não tenha risco nenhum para o banco. Se o aposentado morrer, o pagamento é suspenso. Além disso, os custos administrativos do contrato têm que ser embutidos nos juros, pois o governo proibiu a cobrança de taxa de abertura de crédito ou qualquer outra (para valores baixos, os custo administrativo se dilui menos).

O juro é o preço do dinheiro. O que barateia o preço das coisas, inclusive nesse caso, é a concorrência. Se não existe concorrência suficiente para este setor, e essa é possível, então o governo poderia facilitar de alguma maneira a entrada de novos "vendedores" neste mercado. Essa é a solução certa para o problema, e não esses discursinho católico contra a "usura".

Estou supondo, claro, que você concorda com a existência do mercado. Se não concorda, paro por aqui. Esquerdismo tardio, eu já percebi, não tem remédio.

sexta-feira, 2 de junho de 2006 12:37:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caro André, sou judeu, não católico. Realmente é de espantar que o risco de morte mais taxas administrativas levem os juros à casa dos 40% ao ano. Acho que essa explicação deveria virar disciplina em cursos de finanças. Mais espantoso ainda é achar alguém que defenda isso. Eu sou a favor do mercado e da concorrência. O que o juro praticado no Brasil tem a ver com o mercado? Tudo. Não há mercado financeiro no país, o que há é oligopólio financeiro. Isso é esquerdismo tardio? Não, é apenas uma constatação. Os lucros dos bancos e as taxas de juros praticadas entre nós são uma vergonha. São o retrato de um cartel. Telefone a um gerente de banco e pergunte quanto ele paga por um aplicação. Depois telefone e pergunte quanto custa o empréstimo. Faça a continha do spread. São exercícios interessantes. Você pode não gostar, meu caro, mas é a realidade.

sexta-feira, 2 de junho de 2006 12:50:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Sobre spread, saiu na Folha Online:

Juros para população são os menores em 12 anos, diz BC

ANA PAULA RIBEIRO
da Folha Online, em Brasília

Os juros para a pessoa física registraram em abril queda na maioria das modalidades, segundo balanço divulgado hoje pelo Banco Central. A taxa média cobrada pelos bancos da população caiu 1,2 ponto percentual, para 57,8% ao ano. Assim como no mês anterior, essa é a menor taxa desde o início da série, em julho de 1994.

A maior queda ocorreu no crédito pessoal, modalidade em que as taxas recuaram de 67,8% em março para 65,3% em abril.

Dentro dessa modalidade está o crédito consignado --desconto em folha de pagamento--, cujos juros caíram de 37% para 34,3% em abril.

'A queda nos juros persiste há um bom tempo. Em linha com a descompressão da política monetária', avaliou Altamir Lopes, chefe do Departamento Econômico do Banco Central.

Desde setembro do ano passado, a taxa básica da economia, a Selic, já caiu 4,5 pontos, para 15,25% ao ano. No entanto, a velocidade na redução das taxas na ponta, ou seja, para o consumidor, tem ocorrido em um ritmo menor.

Outras modalidades

Já a taxa do cheque especial caiu um ponto percentual, para 145,4% ao ano abril.

O custo das operações para a compra de veículo caiu 0,3 ponto percentual, para 34,1% ao ano.

A única elevação para o consumidor pessoa física ocorreu na taxa cobrada para a aquisição de bens (exceto veículos), que subiu 2,5 pontos percentuais, para 59,4% em abril.

Segundo Lopes, isso ocorreu devido ao aumento da inadimplência nessa modalidade. Na avaliação dele, parte das famílias estão tendo dificuldade em pagar as prestações assumidas no final do ano passado.

A inadimplência entre 15 e 90 dias passou de 10% para 10,4% nessa modalidade. Acima desse período, passou de 10% para 10,8%.

O spread bancário --diferença entre o custo de captação dos bancos e a taxa efetiva cobrada dos clientes-- para essas operações passou de 44 pontos para 43 pontos em abril.

Para as empresas (pessoa jurídica) a taxa média ficou praticamente estável. Caiu de 30,7% ao ano em março para 30,6% ao ano em abril. O spread, no entanto, subiu 0,3 ponto, para 15 pontos percentuais.

sexta-feira, 2 de junho de 2006 16:09:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Ola Alon tudo bem?

Sei que o post em que comento é antigo mas acho q vale a pena trazer de volta assuntos, abordar novamente assunto para ver se a opnião permanece a mesma.

Pois bem Alon trabalho em promotora de crédito consignado dentro da parte de marketing, assim como qualquer outra empresa o objetivo final é sempre o lucro, mas como atuo na area de marketing posso te dizer que minha função e evitar que os clientes fiquem desgostosos com a empresa existe esta preocupação e nosso objetivo é mostrar que é mais facil ele conseguir um crédito mais controlado onde ele não pode exceder 30% de suas verbas mensais do que a recorrer a outras formas de conseguir créditos mais abusivas ou mesmo ilegais.
convido o senhor a participar também de nosso blog, pois acredito que uma opnião contrária desde que baseada em fatos e bem colocada é interessante para expor a realidade aos leitores de nosso blog
www.blogdoconsignado.com.br

Att
Ricardo - Marketin HR Mercantil

terça-feira, 30 de setembro de 2008 11:26:00 BRT  
Blogger gabinete-estetica disse...

Aqui em POrtugal os juros estão bem baixos, mas as familias Portuguesas estão bem endividadas. No entanto e não sei se no Brasil é igual podemos sempre consolidar os varios creditos. Tem informação muito boa em www.creditoconsolidado.net

terça-feira, 4 de agosto de 2009 11:18:00 BRT  

Postar um comentário

<< Home