domingo, 11 de junho de 2006

O diálogo entre o "gordo" e o "bêbado", e a velhinha de Taubaté (11/06)

Nesses dias rarefeitos da política e do blog, não resisto e vou comentar (tardiamente) o diálogo entre o "gordo" e o "bêbado", entre Ronaldo Nazário de Lima e Luiz Inácio Lula da Silva.
Jogadores de futebol no Brasil são excessivamente mimados, principalmente pela imprensa. Em resumo, os nossos futebolistas "top" acham três coisas: 1) que nosso país é uma droga e que eles são responsáveis por uma das poucas alegrias do brasileiro, o futebol; 2) que ninguém tem nada a ver com a vida pessoal deles, apenas com o que fazem dentro de campo; e 3) que os jornalistas existem para levantar a bola deles (os boleiros).
Evidente que isso está triplamente errado. Toda figura pública deve explicações ao público sobre o que interessar a este. E nosso país não é uma droga.
Ronaldo não gostou de Lula ter trazido o tema da gordura do atacante novamente à baila, ainda que o presidente tenha, visivelmente, tentado na pergunta fazer uma média com o "9". Foi um erro político de Lula, a que Ronaldo reagiu com grosseria. Paciência. Nada há de mais em alguém ser grosseiro ou estúpido com o presidente da República. Seremos uma democracia mais evoluída e um país melhor no dia em que todo brasileiro se sentir à vontade para avacalhar qualquer autoridade em público.
Você poderá argumentar que Lula é mais xingado e pichado que os antecessores. Na comparação com Fernando Henrique Cardoso, sim. Mas lembro bem que, até colocar FHC no ministério da Fazenda, Itamar Franco foi tratado pela imprensa como um débil mental. Quando assumiu o cargo e indicou Paulo Haddad e Gustavo Krause para o Planejamento e a Fazenda, o mundo caiu.
Uma ressalva apenas: se o sujeito participou de algum governo anterior ao de Lula e vem a público dizer que o presidente é um idiota, um incompetente e um despreparado, arrisca-se a ouvir a inevitável pegunta: "Mas como, então, você explica que o governo atual seja melhor do que o seu?". No mínimo, alguém poderá concluir que o crítico e seus colegas são mais idiotas, mais incompetentes ou mais despreparados do que Lula. Ou as três coisas juntas.
Eu sou otimista: acho que depois de Luiz Inácio Lula da Silva todo presidente será tratado com a máxima dureza, especialmente pela imprensa. Acho que essa característica vai se incorporar à cultura jornalística no Brasil, como já acontece no Estados Unidos. Pena que a velhinha de Taubaté tenha morrido, porque seríamos pelo menos dois a acreditar nisso.

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16 Comentários:

Anonymous augusto disse...

Sonho de uma noite de verão(na Alemanha). Mais fácil Angola ganhar a Copa... Um abraço.

domingo, 11 de junho de 2006 21:10:00 BRT  
Anonymous Marcus disse...

Hahahahahahahaha.

A alusão à Velhinha de Taubaté foi genial. Vamos esperar que você esteja certo.

domingo, 11 de junho de 2006 22:00:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

A questão é que é impossível ter um governo PIOR que o atual. E olha que o Sarney e o Figueiredo quase chegaram lá... Pelo menos, não implodiram com as instituições como o atual faz.
Fora as bombas fiscais, cambiais, a desindustrialização etc, a estourar em 2007...

domingo, 11 de junho de 2006 22:41:00 BRT  
Blogger Paulo C disse...

Você quer dizer, Alon, que sua esperança é que, uma vez eleito Geraldo Alckmin, gente como o ricardo aí em cima e toda a imprensa oficial do PSDB (ie, Veja, Estadão e os inúmeros colunistas e "cientistas políticos" na folha de pagamento do partido), vai passar a tratá-lo como um ignorante desclassificado, pobre e bêbado, que não merece sequer o ar que respira? Acho difícil. A começar pelo fato de Geraldo ser apenas um boi de piranha jogado aí pelo PSDB para perder e deixar a vaga de 2010 em aberto.

segunda-feira, 12 de junho de 2006 01:43:00 BRT  
Anonymous Marcus disse...

Por que será que eu tinha certeza que alguém iria aproveitar para esculachar o Lula? É a idéia fixa dos comentadores de blog, qualquer blog. Nem precisa o post falar de política.

"Implodir instituições"? "Bomba fiscal"? Chamaram um roteirista da Twilight Zone pra fazer os comerciais da oposição.

segunda-feira, 12 de junho de 2006 01:48:00 BRT  
Anonymous Fernando disse...


se arrisca a ouvir a inevitável pergunta: "Mas como, então, você explica que o governo atual seja melhor do que o seu?".


Taí uma pergunta que eu nunca ouvi - e se ouvisse, questionaria imediatamente a sanidade mental de quem perguntou.

segunda-feira, 12 de junho de 2006 06:17:00 BRT  
Anonymous paulob disse...

Ô Paulo C, vc não percebeu a ironia?

segunda-feira, 12 de junho de 2006 07:50:00 BRT  
Anonymous paulob disse...

Percebam que o Fernando, pouco a pouco, vai descambando para o xingamento. Segundo ele, a maioria da população brasileira não tem sanidade mental, pois considera o governo Lula melhor que o de FHC. É impressionante como os tucanos estão movidos pelo ódio.

segunda-feira, 12 de junho de 2006 08:05:00 BRT  
Anonymous carcamano disse...

Paulob,
Não acho que seja (só) ódio. É repetitivo dizer isso, mas é o caso de prepotência burra mesmo. Acham que sabem de tudo (não leram nada sobre Sócrates, provavelmente) e qualquer coisa que escape aos seus dogmas, é logo descartado como (oh infâmia) ideologia.

segunda-feira, 12 de junho de 2006 10:26:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Ah, petistas...

1) Em nenhum momento me declarei tucano. Mas, para o PT, não-PT é sempre tucano. Coisa de recalque.

2) Nunca achei Lula bobo, ignorante ou algo do tipo, muito pelo contrário. Ele é esperto demais para meu gosto. Esperto no sentido "Vila Rica" do termo.

3) O governo atual é muito ruim, tem feito implosões sistemáticas no parco arranjo institucional brasileiro. Quem não concorda, que traga argumentos. Eu tenho vários, como os Conselhos que iriam sobrepujar o Congresso, o dinheiro sobrando para movimentos "çociais" (que na verdade são apenas massa de manobra pró-Lula, tipo CUT e MLST), os arranjos de sindicatos recebendo dinheiro por "intermediações financeiras" via crédito consignado...

segunda-feira, 12 de junho de 2006 11:26:00 BRT  
Anonymous Richard Lins disse...

Ainda bem que vc indicou a Velhinha de Taubaté... Por um instante pensei que era sério este papo de "máxima dureza pela imprensa"!!!!!!!!!!!!!!!!!!

segunda-feira, 12 de junho de 2006 13:43:00 BRT  
Anonymous Marcus disse...

Assim como alguns acusam qualquer um que critique o governo de ser tucano, o Ricardo acusa qualquer um que aprove o governo de ser petista. Faz exatamente aquilo que acusa nos demais.

Ainda estou querendo saber quais são as tais implosões institucionais.

São os conselhos consultivos do Presidente da República? O dinheiro repassado a entidades ligadas a movimentos sociais, que sempre existiu?

Você pode melhor do que isso. Tente, por favor.

segunda-feira, 12 de junho de 2006 15:50:00 BRT  
Anonymous carcamano disse...

Pois é, é só começaar a ter distribuição de renda e falar em social que se começa com essa coisa de implosão do arranjo institucional. Allende que o diga. Há dados que sustentem que essas bobagens selvagens como o MSLT são a regra e não erros eventuais que pdoem existir em umae strutura do tamanho do Estado brasileiro?
PS: também não sou petista, Ricardo. Apenas não gosto de pensar dogmaticamente.

segunda-feira, 12 de junho de 2006 18:18:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Vamos lá:

0) Assumi que são petistas por verem tucanos em tudo que seria "dogmático" (?) ou crítico ao governo atual. Se não são petistas, o discurso é o mesmo deles. Eu não tenho discurso de tucano, até porque acho que o PSDB não é oposição suficiente ao estado de coisas atual.

1) Não são os Conselhos Consultivos, mas os Conselhos que visam estabelecer um ente partidário intermediário entre sociedade e governo, como o caso do CFJ, do Conselho de Desenvolvimento Social (que pretendia, sim, utilizar ditos "entes sociais" que ninguém elegeu e passar por cima do Congresso Nacional para deliberar sobre matérias - até que descobriram a picaretagem e mudou-se o discurso), a Ancinav (que extrapolava seu objetivo de orientar para o explícito objetvio de definir "o bem" e "o mal" no conteúdo" etc, etc. Isso é da natureza do PT, vide o desastroso orçamento participativo (onde somente as tais "entidades sociais cooptadas" atuavam).

2) É também da natureza do PT aparelhar os seus grupos de pressão, caso do MLST. O governo anterior começou achando que MSTs e ONGs do gênero representavam movimentos sociais, quando na verdade, eram grupos corporativos que financiavam os próprios planos do líderes (vide o discurso e a prática do Sr. Bruno Maranhão). Quando viu que serviam apenas para drenar dinheiro que nunca chegava aos assentamentos, o governo anterior parou o repasse. A violência no campo caiu brutalmente, os assentamentos aceleraram. E o que vemos hoje? O contrário, a despeito de ir MUITO mais dinheiro a essas entidades, que se mostraram apenas grupos para-estatais do petismo.

4) Distribuição de renda??? Então FHC é o seu melhor ídolo, pois foi entre 1994 e 1995 que mais rapidamente se distribuiu renda neste país. Outra coisa: o Bolsa-Esmola não redistriubui ESTRUTURALMENTE a renda. Não gera emprego, não muda a condição de pobre de ninguém, apenas remedia uma situação. Enquanto isso, a classe média definha no governo atual, pois o índice de Gini tem se reduzido MENOS que no governo anterior.

Portanto, o dogma parte de quem acredita em discursos e não enxerga a prática. Este é um governo propositalmente esquizofrênico: discurso para produtores e pobres (que ficam reféns de políticas assistencialistas) e prática para os intermediários (bancos, financeiras, sindicatos). Vão ler um pouco de marxismo para entender a práxis de esquerda e o que o governo atual faz.

segunda-feira, 12 de junho de 2006 19:56:00 BRT  
Anonymous Dourivan Lima disse...

Alon: Essa história de esculhambar governantes parece ser um costume de todos os povos, em todas as épocas. Lembro-me, de orelha, de uma antiga quadrinha lusitana (citada por Oswald de Andrade), sobre D. João III, ao qual se atribuía - justa ou injustamente - o declínio português, acentuado sob seu neto e sucessor D. Sebastião: "Portugal teve três reis, Todos chamados João. O primeiro valia um milhão, O último não vale um tostão". Não sei exatamente a quem cabe evitar que isso degenere em niilismo e ingovernabilidade, mas desconfio que só instituições fortes e impessoais podem evitá-lo. Também cultivo, numa solidão quase masturbatória, a crença de que o grande problema no Brasil, com relação à figura do presidente, vem de um sistema federativo centrífugo, restaurado na Carta de 88, que enfraquece demasiado a figura do presidente, combinado com um sistema partidário-eleitoral anárquico e instituições que a Carta de 88 transformou em castas, das polícias ao judiciário, passando pelo Ministério Público. Quanto a Lula e Fernando Henrique, acho-os muito parecidos: preguiçosos, vaidosos, falastrões e irresponsáveis, enfim, animais políticos tipológicos. Dou-lhes o desconto de serem melhores que a maioria dos concorrentes e inimigos com quem disputaram direta e indiretamente o poder (de Quércia a Alckmin, passando por Itamar, ACM e Garotinho, exceção muito pessoal feita por mim a José Serra).

segunda-feira, 12 de junho de 2006 20:56:00 BRT  
Anonymous Marcus disse...

Ricardo, como todo direitista convicto, acha que os que divergem dele o fazem por falta de inteligência ou cultura. Típico.

Se o CJF e a Ancinav foram retirados pelo governo após a reação a eles, é evidente que não houve implosão institucional nenhuma. E digo apenas isso porque acho inútil entrar no mérito de uma proposta que não existe mais.

E me recuso a responder à afirmação ridícula de que o MST e as demais entidades da sociedade civil não são movimentos sociais. É um argumentum ad absurdum tão flagrante que não merece resposta.

quarta-feira, 14 de junho de 2006 15:10:00 BRT  

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