segunda-feira, 26 de junho de 2006

Foi mal na escola, cuidado com o seu Bolsa Família (26/06)

Um artigo do comptetente economista tucano Gesner Oliveira, publicado na Folha de S.Paulo sábado último, é a síntese mais completa dos problemas do PSDB na busca de um discurso a respeito dos programas sociais que alimentam a popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva. Começa pelo título: Perigos do esmolão. Se você fosse pobre e recebesse um dinheiro mensal do governo para garantir uma renda mínima, como reagiria a alguém que descrevesse esse benefício como esmola? Ou, pior, como "esmolão", uma rotulação com objetivo nitidamente pejorativo?
Mas o equívoco não se esgota no título, percorre o texto com desenvoltura. O objetivo do autor é advertir para "riscos" embutidos no Bolsa Família. O primeiro deles residiria "na baixa (para não dizer inexistente) condicionalidade para o recebimento dos benefícios dos programas agrupados no Bolsa-Família. O requisito de a criança freqüentar a escola é risível. Considerando a qualidade deplorável do ensino básico na rede pública, a mera freqüência é insuficiente para garantir que os recursos aplicados representarão de fato aumento de capital humano em favor dos mais pobres". Em palavras mais simples, Gesner propõe que a freqüência escolar dos filhos não seja critério suficiente para as famílias receberem a ajuda. Bem, o único outro critério possível seria o aproveitamento escolar. Então, suponho eu, alguém pode estar pensando numa tabela de descontos no Bolsa Família, de acordo com o desempenho da criança no banco escolar. É uma proposta que certamente traria muitos votos para um candidato a presidente. Como piada, é engraçada. O menino (ou menina) chega em casa e dá a má notícia: "Mamãe, fui mal de Matemática neste bimestre, acho que só vamos receber metade do dinheiro do Bolsa Família neste mês. Desculpa, mamãe."

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11 Comentários:

Blogger Ricardo disse...

O Bolsa-Família é um projeto que agregava o Bolsa-Escola e outros programas sociais. Portanto, a crítica do Gesner é bem mais completa do que o simplismo que você utilizou, Alon. Portanto, além da ida à escola, deveria enfocar participação em cursos técnicos, e outras metas objetivas com vista NA FAMÍLIA (já que não se trata mais de uma bolsa-escola).
Eu concordo com ele ao chamar de Bolsa-Esmola, pois hoje, é somente isso, já que não se tem metas de saída das pessoas do sistema de auxílio.

Você anda defendendo demais o desgoverno petista, mesmo que a crítica seja correta, ao desqualificar o debate da mesma. O Bolsa-Esmola é mal-feito, pois não passa de transferência de renda sem gerar emprego e poupança, e desvia recursos do SUS. Não vi o Gesner falar que era contra um programa de transferência de renda, mas sim contra o modelo petista de coronelato moderno. Vá ver se no Chile e no México é assim, a fundo perdido.

segunda-feira, 26 de junho de 2006 15:01:00 BRT  
Anonymous Priscila Neves Moura disse...

O que os tucanos ainda não perceberam é que o Alon é um amigo deles. Ao expor a fragilidade do discurso e do palavreado do PSDB ele diz prá eles o que não devem fazer. Explica prá eles porque estão tão mal. Acordem, tucanos!

segunda-feira, 26 de junho de 2006 16:50:00 BRT  
Anonymous João Azevedo disse...

Deixa eu ver se eu entendi: vc está propondo que os economistas "tucanos" façam como os petistas, isto é, prostituam suas idéias com o único intuito de fazer ÇEU LÍDER permanecer no poder? Desta forma, eles não podem criticar o Bolsa-Esmola (termo que descreve à perfeição o que está acontecendo) pq isto vai prejudicar o Alckmin, não é isso? Pois eu penso de forma diferente: acho que vc está fazendo EXATAMENTE o mesmo que os petistas fazem o tempo todo. As coisas que o governo está fazendo estão corretas, pq Lula está muito na frente... É a mesma coisa que dizer que a Banda Calypso é melhor do que J. S. Bach! Afinal, o "povo" prefere a Calypso, não é?

segunda-feira, 26 de junho de 2006 17:29:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Folha de S. Paulo, 11 de junho de 2006

"Renda chinesa" aquece a economia e ameaça contas

Programas sociais e subsidiados aumentam fortemente os ganhos dos mais pobres

Na prática, governo substitui investimento direto por mais assistencialismo; os efeitos econômicos e pró-Lula são indiscutíveis no Nordeste

FERNANDO CANZIAN
ENVIADO ESPECIAL AO NORDESTE

O "crescimento chinês" na renda da parcela mais miserável da população brasileira vem provocando um novo dinamismo econômico nas regiões mais pobres do Brasil.
Entre 2001 e 2004, os 10% mais miseráveis do país viram sua renda subir 23,3%. Os 20% mais pobres, cerca de 15%. A tendência, embora com menos força, persistiu ao longo de 2005 e neste ano eleitoral.
O lado negativo, e potencialmente explosivo, é a aceleração dos gastos com benefícios totalmente ou fortemente subsidiados pelo governo federal.
O aumento nos gastos ocorre, principalmente, em detrimento dos investimentos da União. Na prática, é como se o governo trocasse obras por dinheiro na mão dos brasileiros.
Uma combinação de fatores resulta em importante aumento da renda dos mais pobres e na queda da desigualdade. À frente, estão programas como o Bolsa-Família e os benefícios fortemente subsidiados pagos pela Previdência e vinculados ao salário mínimo.
Os reajustes do salário mínimo acima da inflação, mais empregos (3,9 milhões formais no governo Lula), mais crédito e queda nos preços de produtos básicos também contribuem.
O comércio nordestino cresce hoje até quatro vezes mais do que a média nacional. A taxa é de 19,1% ao ano, contra 5% na média do país. A produção industrial na região cresceu 1,2% em abril. No país como um todo, caiu 1,9%. Na Bahia e em Pernambuco, as altas foram de 5,2% e 8,6%, respectivamente.
Em visita a três Estados do Nordeste e a dez diferentes localidades, a Folha constatou o forte impacto econômico e político do aumento da renda.
Entre 16 famílias visitadas, aumentou o consumo de alimentos, roupas e outros bens. Para todos os entrevistados, sem exceção, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já está escolhido para 1º de outubro.

Recebe sem contribuir
Hoje, o país paga mensalmente cerca de 30 milhões de contracheques para pessoas incluídas em programas totalmente subsidiados, como o Bolsa-Família, ou fortemente subsidiados e indexados ao mínimo, como os de renda mensal vitalícia, aposentadorias rurais e os que fazem parte da Lei Orgânica da Assistência Social.
Os benefícios são considerados subsidiados porque quem recebe geralmente não contribuiu para a Previdência.
Os 30 milhões de pagamentos já correspondem a R$ 80 bilhões por ano, ou 4,1% do PIB.
Embora individualmente o Bolsa-Família consuma cerca de 10% desse gasto, ele é considerado o principal motor da melhor distribuição da renda.
Em 2006, o Bolsa-Família atingirá o recorde de 11,1 milhões de famílias e R$ 8,5 bilhões -31% mais dinheiro do que em 2005. Neste ano eleitoral, ele entrará pela porta de 21,4% do total de domicílios.
O salário mínimo e outros benefícios a ele indexados também contribuem para o "crescimento chinês" da renda.
Com o reajuste para R$ 350 do mínimo em 1º abril, o governo Lula provocou aumento real de 32,2% nesse rendimento desde a posse. Em oito anos, o aumento real na gestão FHC ficou abaixo de 21%. No Nordeste, 46% do total dos trabalhadores recebem o mínimo.
Em 1994, ano do Plano Real, um salário mínimo comprava menos de 70% dos produtos contidos em uma cesta básica. Hoje, compra duas cestas.

segunda-feira, 26 de junho de 2006 17:40:00 BRT  
Anonymous Marcus disse...

Agora pensar em idéias viáveis e sustentáveis politicamente é "prostituí-las".

Parabéns, tucanos! Desse jeito, serão sempre vistos como realmente são, elitistas que não se preocupam com o povo.

segunda-feira, 26 de junho de 2006 18:19:00 BRT  
Blogger Paulo C disse...

É interessante (no sentido apocalíptico de "tempos interessantes") ver o tucanato que um dia posou de "radical-chic", com estadas nas melhores faculdades do mundo e o discurso da racionalidade radical, agora gritar contra qualquer iniciativa que amenize a desigualdade social no Brasil.

Sei lá, talvez seja a melancolia pelos oito anos perdidos sem sequer um aceno de solução. Mas dá nojo, em um país com indíces de concentração de renda de fazer inveja a qualquer genocida africano, ver intelectuais que custaram tão caro ao país formar se postarem contra o povo de maneira tão ostensiva, inventarem qualquer coisa para evitar que os mais pobres recebam qualquer benefício. No paraíso neo-liberal que preconizam os pobres possivelmente já morreram de fome e cansaço tentando cumprir as contra-partidas a serem exigidas por um prato de comida. Ou entraram para o PCC e concretizaram o banho de sangue qe se cozinha neste país há tanto tempo.

terça-feira, 27 de junho de 2006 01:24:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Bolg. Alon dar tempo ao tempo, ou as urnas julgarão quem é quem. Esperamos pelo melhor, um Brazil mais justo. Os resultados das politicas assistencialistas desde pós diretas-já, produziu os retirantes nordestinos todos para as grandes cidades, pois as ``industrias da seca`` não produziram resultados, só levaram verbas.
E outrora as grandes cidades absorvedoras de mão de obra, graças a politica sindicalista, criou tantos direitos adquiridos que espantou as industrias das grandes cidades.
E aonde estavam os atuais salvadores da pátria???
Sempre Graças ao desgoverno anterior, tem se o sucesso do posterior. O mesmo que subir um degrau e voltar 10 degraus.
Os dois lados tragicos da atualidade: as cidades interioranas ficam contentes com a ``industria penitenciaria`` porque produzem empregos e estimularam ``tour`` de visitantes aos presidios e estimulam o comercio local. De outro lado a Bolsa-familia mata a fome (país considerado o celeiro do mundo) e estimulam o comercio das localidades com o aumento do poder aquisitivo, paradoxal porque é sem emprego.
Se começar o movimento contrario das migrações internas, com o retorno as suas origens, pode se dizer que há inicio de alguma semente boa.
Yoshio

terça-feira, 27 de junho de 2006 17:40:00 BRT  
Anonymous Dourivan Lima disse...

Alon: Já me acostumei a considerar normal (digamos assim) que durante uma campanha eleitoral políticos tentem explorar qualquer declaração dos adversários que pareça anti-popular ou politicamente incorreta. Fico decepcionado, porém, ao ver esse tipo de raciocínio no seu blog, que se propõe a ser um espaço para discussões mais inteligentes e menos passionais - e é assim que eu o vejo, sinceramente. Embora o Gesner de Oliveira seja tucano, acho que a análise dele merece questionamento mais elaborado que esse tom de "você-teria-coragem-de-dizer-isso-no-palanque?".

terça-feira, 27 de junho de 2006 17:56:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caro Dourivan, meu questionamento é simples e direto: o que atrapalha muitos tucanos é a impressão elitista que trasmitem. Parecem muitas vezes incomodados com as políticas sociais do governo Lula. Seria mais inteligente se procurassem trasmitir entusiasmo em relação a elas. Obrigado pela critica, sempre ajuda.

quinta-feira, 29 de junho de 2006 19:41:00 BRT  
Anonymous jose carlos lima disse...

É só tentar dar assistência aos famintos para que o governante, claro, se este for de esquerda (já que os da direitona nem costumam praticar tal tipo de bondade) são chamados de populistas. Antes a palavra que metia medo era o comunismo. Hoje é o comunismo. Fazem piada com os pobres, criam termos como esmolão. Quando Brizola implantou os CIEPS no Rio de Janeiro esta campanha ocorreu da mesma forma que hoje contra Lula. Naquela época as dondocas esbravejam contra os "piscinões para os pobres", contra os CIESPS transformados em área de lazer ou restaurante prá preto, etc. É só olhar as últimas charges de Angeli na Folha de São Paulo. É de dar nojo este tipo de campanha por parte desta elite cínica e perversa. Deveriam limpar a boca antes de falar asneiras contra Lula. Durante mais de um ano reviraram os bolos do presidente e não encontraram um só centavo arrecadado às custas de corrupção ou qualquer outro crime. Como não colou chamra Lula de ladrão, agora atacam a sua opção pelos pobres. É demais.

terça-feira, 4 de julho de 2006 11:07:00 BRT  
Anonymous gesner las casas fan clube disse...

a fome prejudica o raciocinio.
sem comida...
ninguem pensa direito
por isso chamem o gesner las casas -pra cantar num evento e pessam alimentos nao pereciveis como pagamento de engressos.
vanda,lucia,e camila

terça-feira, 21 de agosto de 2007 15:35:00 BRT  

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