quarta-feira, 7 de junho de 2006

A bengalada do MLST (07/06)

Esta será uma nota curta. Os que vandalizaram e depredaram ontem dependências do Congresso vão responder por isso na forma da lei. O que fizeram não tem qualquer justificativa. Tomara que todos os feridos na confusão armada pelo MLST se recuperem plenamente. São os meus votos. No plano político, vamos ver se vai colar a tentativa da oposição de grudar mais esse episódio na imagem de Luiz Inácio Lula da Silva. Tenho dúvidas. Os acontecimentos de ontem me lembraram outro, de novembro do ano passado. Num certo dia daquele mês, um "bruno maranhão" de cabelos brancos e bengala, o senhor Yves Hublet, deu duas bengaladas na cabeça do então deputado federal José Dirceu em pleno Salão Verde da Câmara dos Deputados. Na época, o assunto foi tratado com bom humor na imprensa. Alguns (muitos) viram no episódio a expressão de uma "lavada de alma" popular contra o ex-ministro que caminhava para a cassação. Isso é o Brasil, o país da indignação seletiva. Qualitativamente, não há diferença entre os dois episódios. Quem aceita e até aplaude num dia a agressão contra qualquer deputado dentro da Câmara não tem motivos para indignar-se no dia seguinte com uma ação como a dos militantes do MLST.

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19 Comentários:

Anonymous Fernando disse...

"Qualitativamente, não há diferença entre os dois episódios."

Lamentável, Alon. Lamentável. Se tinha algum respeito por você ele sumiu agora.

Meus votos são para que o servidor da Câmara em coma se recupere, bem como você possa se recuperar do coma moral em que está agora.

quarta-feira, 7 de junho de 2006 08:46:00 BRT  
Anonymous paulob disse...

Voce nao esta em coma moral, Alon. Voce tem razao. Ou somos contra todas as formas de violencia ou seremos tragados por ela. Quem aceita qualquer violencia arrisca-se a legitimar eventos violentos com que eventualmente nao estiver de acordo.

quarta-feira, 7 de junho de 2006 09:37:00 BRT  
Anonymous Mateus Volta disse...

Coma moral por que, Fernando. Por que é legítimo atacar um deputado e é ilegítimo atacar a Câmara? Fico indignado com esse oportunismo.

quarta-feira, 7 de junho de 2006 09:39:00 BRT  
Anonymous Leonardo disse...

Dois movimentos diferentes

O sr. Hublet atacou o ex-deputado José Dirceu.
O MLST (300 pessoas) atacou o Congresso e a Democracia.

Alon, qualitativamente é diferente: uma coisa é uma ataque de uma pessoa contra outra.

Outra coisa é um movimento planejado e organizado de um Movimento contra um dos Poderes da República.

Temos que separar o Congresso como instituição dos deputados (lobistas e mensaleiros) que estão por lá de passagem.

Abraços,
Leonardo

quarta-feira, 7 de junho de 2006 10:15:00 BRT  
Anonymous Marcus disse...

Parabéns, Alon, pela feliz comparação.

O Fernando não é o mesmo que vinha sempre comentar aqui, sempre divergindo, fingindo que queria fazer um debate democrático?

Como ele mesmo disse: "se eu tinha algum respeito por você"... ou seja, não tinha quase nenhum respeito. Saiu do armário. Estava só afetando respeito para enganar trouxa.

Esse negócio de arrogar-se superioridade moral é tão típico...

quarta-feira, 7 de junho de 2006 10:16:00 BRT  
Blogger Paulo C disse...

É, fernando precisa estudar - crimes de "lesa-majestade" são graves, não importa se cometidos por uma turba ou por um só homem. Invadir o Congresso, agredir seus servidores, agredir deputados, são crimes não apenas contra o patrimônio ou contra as vítimas específicas, são crimes contra a República. E na essência são iguais.

Só discordo um pouco quanto ao "qualitativamente" pelo grau de magnitute que este episódio apresentou. Um crescimento de quantidade sempre implica numa mudança de qualidade.

quarta-feira, 7 de junho de 2006 10:19:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Dois comentários:

1) Um ataque a um deputado cassado por corrupção não é a mesma coisa que um ataque à INSTITUIÇÃO Poder Legislativo. A bengalada não foi ao Congresso, foi ao sujeito chamado José Dirceu. Não me parece que o Sr. Yves Hublet tenha agredido a instituição, mas a cara de pau de um deputado que não horna o Congresso.

2) O ataque de ontem foi POLÍTICO. QUem viu as fotos e os vídeos notou que os baderneiros vieram para quebrar tudo. Portavam faixas contra o PSDB e o PFL (ver no Blog do Noblat). Tinha um grupo de líderes falando "vai entrando, vai entrando" com o explícito objetivo de destruir tudo. Ora, não se trata em absoluto de "crítica a um Congresso podre" - a não ser como forma de desmoralização da instituição como um todo, mas as faixas anti-oposição mostravam claramente que não se tratava de um protesto aos sanguessugas ou sei lá o que for.

Enfim, lamentável sua comparação com o valoroso Yves Hublet, que se indignou contra UMA PESSOA que desonrava a instituição e a democracia, e um bando de maioístas cujo interesse é destruir a democracia.

quarta-feira, 7 de junho de 2006 11:06:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

Apesar da pancada violenta que foi o mensalão e do cinismo encobridor, as bengaladas não foram engraçadas. Foram só mais um ato de violência. Só isso. A balbúrdia de ontem idem, com um trabalhador da Câmara em coma. E volta o cinismo de discursos, ora tentando descolar o fato de tudo em volta, ora tentando vinculá-lo a tudo. Se vai colar ou descolar é uma questão em aberto. Mas que vai abrir um pouco mais a brecha, vai. O fato pouco alvissareiro são os atores obscuros (ou nem tanto?), provocando e arvorando-se de representantes de grupoos sociais excluídos. E atacam, literalmente, o Congresso. Já sabe-se como começam e como terminam essas ações. A memória não é tão fraca como tentam fazer crer. O objetivo é criar reféns do medo. Infelizmente, mais tergiversações, desqualificações e atenuantes vão entrar em cena mais uma vez.

quarta-feira, 7 de junho de 2006 11:19:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

É um bom debate. A dificuldade de distinguir a violência legítima da ilegítima é sempre a mesma: quem deve fazer a distinção. Uns acham que é legítimo o sujeito entrar no Congresso e agredir um deputado, desde que esse deputado seja alguém de quem não gostamos ou que desejamos ver cassado. Outros podem achar que é legítimo um movimento social impor suas demandas pela força, desde que essas demandas sejam justas. E assim vamos caminhando rumo à selvageria política. Minha posição sobre esse assunto é radical: sou contra a violência, qualquer uma. Sou contra o terrorismo, qualquer terrorismo. A civilização resolveu essa questão dando ao Estado o monopólio da violência legítima. Ou aceitamos esse pacto civilizatório, ou transporemos uma linha perigosa. Muito perigosa.

quarta-feira, 7 de junho de 2006 11:55:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Não estou aqui justificando a violência de Yves (nunca faria aquilo), mas separando coisas distintas, ou seja, ataque à democracia não é a mesma coisa que ataque a uma pessoa.
A primeira é terrorismo, a segunda é crime contra a pessoa. Sou contra ambos, mas o primeiro é muito mais grave do ponto de vista social, ou estou enganado?

E para quem não quer politizar: Berzoini quer apenas suspender o Bruno Maranhão, para quem ainda tinha dúvidas do caráter político do ocorrido.

quarta-feira, 7 de junho de 2006 12:12:00 BRT  
Anonymous augusto disse...

Prezado Alon:
Ambos os casos são deploráveis. Meu entendimento foi de que o autor quis confrontar a abordagem da mídia nos dois episódios. Contribuindo, sugiro, fortemente a leitura completa do texto postado hoje por Luiz Weiss no blog Verbo Solto no site do Observatório de Imprensa. Um abraço.

quarta-feira, 7 de junho de 2006 13:09:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Ou se é contra a violência, ou não!
Atacar minha casa e minha familia é pouca coisa se comparado ao ataque a uma escola pública, por exemplo?
Prenderam os donos da Daslu e o "mundo quase veio abaixo".
Todos os dias prendem sacoleiros nas fronteiras e aí...
O delito é o mesmo, mas as condições sociais...
Assim não dá!
Fico com Alon.
Ou o pau que bate em Chico também bate em Francisco, ou não se bate em ninguém!

Edson Araújo
São Vicente/SP

quarta-feira, 7 de junho de 2006 14:29:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Quero pedir desculpas a todos os que enviaram comentários hoje à tarde, porque o serviço de moderação está fora do ar, bem como outros serviços do blogger.com. Quando voltar ao normal, todos os comentários serão adicionados.

quarta-feira, 7 de junho de 2006 19:19:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Laércio disse.....
Caro Alon,
Concordo em número, genero e grau com teu comentário sobre a "indignação seletiva". Àqueles que apreciam os blogs e jornalões partidários de certos "cavaleiros do apocalipse" que estimulam a luta fratricida fugindo do debate civilizado meus pesames. Vamos continuar com os comentários da inteligência serena de nosso blogueiro.

quarta-feira, 7 de junho de 2006 22:33:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon:

Sou militante do PSTU e quero te dar meus parabéns pela serenidade. Você em nenhum momento criminalizou os movimentos sociais. Parabéns mesmo.

quarta-feira, 7 de junho de 2006 23:47:00 BRT  
Blogger pico disse...

Caro Alon,
Em primeiro lugar, concordo com você, merece indignação de todo democrata tanto a depredação do prédio Câmara, como a agressão a um de seus representantes. Em segundo lugar, como você mesmo observou, o que eu acho importante realçarmos neste triste episódio, é a reação de grande parte dos políticos e da imprensa, que foi injusta e facciosa ao atribuir a culpa ao Presidente Lula e aos presidentes das duas Casas. Todos os três cumpriram com os seus papéis constitucionais, seja condenando politicamente ou, no caso do Aldo Rebelo, utilizando a polícia legislativa. O que não pode passar em branco, é a postura lamentável do ACM, golpista histórico, insuflando uma reação militar, ou então, a nem sempre tão democrática Rede Globo, na pessoa de seu âncora, atribuindo ao Lula a responsabilidade direta pelo ato de vandalismo da Câmara e por toda e qualquer impunidade que ocorre no país. Agora, quanto ao PT, quem tem em seus quadros diretivos uma figura como o Bruno Maranhão, não precisa de oposição. Será que alguém avisou para ele que o seu partido está no governo.
Pico

quinta-feira, 8 de junho de 2006 10:35:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

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quinta-feira, 8 de junho de 2006 10:42:00 BRT  
Anonymous Richard Lins disse...

Ricardo tem razão! O que fazer com um Josef Dirceu, sínico mas com imunidade parlamentar... esperar ele deixar de ser Deputado!? Só isto?!?!?! O cara usa e abusa do cargo e nada acontece, não infrigiu nenhuma Lei?!?!?!?!? Esta é uma discusão politicamente-correta porém incorreta. Minha vontade é de acabar com este Congresso, mas tenho que esperar pacientemente as eleições... p/ ver escolhidas as mesmas pessoas!

quinta-feira, 8 de junho de 2006 16:29:00 BRT  
Anonymous Leo disse...

muito bom o comentário sobre a indignação coletiva. muito bom mesmo.

segunda-feira, 12 de junho de 2006 20:41:00 BRT  

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