terça-feira, 9 de maio de 2006

Uma distância prudente (09/05)

Não vi a entrevista de Fernando Henrique Cardoso ao Canal Livre, da Bandeirantes, no último domingo. Li sobre o assunto nos jornais. Reproduzo aqui um trecho da coluna de hoje de Nelson de Sá na Folha de S.Paulo. Escreve o Nelson: "DE LULA A NIXON: FHC, antes mesmo da decisão da OAB, deu uma longa entrevista ao 'Canal Livre', da Band, e evitou defender o impeachment de Lula. Mas escorreu ironia, como de costume, ao comparar o brasileiro ao americano Richard Nixon, que foi reeleito e terminou impedido no segundo mandato. É o chamado 'impeachment com hedge', ou ainda, a prazo."
Já escrevi aqui sobre por que FHC tem lugar na galeria dos bons presidentes do Brasil. Está em Estratégias frágeis de petistas e tucanos. Mas, de vez em quando, ele diz ou faz coisas que não devia, acho eu. É o tal de perder o amigo mas não a piada, algo bem ao estilo do ex-presidente. Fica mal para FHC deixar seu nome ser associado a essa coisa de impeachment, especialmente ao impeachment negociado no mercado futuro, como especulam alguns. Como acreditam não ter votos para derrotar Lula, já imaginam formas de inviabilizar um eventual segundo mandato do petista. O erro é duplo, pois nenhuma eleição está decidida de véspera. Para o bem de sua biografia, FHC deveria manter uma distância prudente dessa turma. Geraldo Alckmin, esperto, já está fazendo isso.

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4 Comentários:

Anonymous Luis Carlos disse...

Não é dificil imaginar a possibilidade do Lula ter problemas no segundo mandato, se for eleito. Não se pode descartar a possibilidade de problemas relacionados à governabilidade, gerados por sucessivas crises até a crise derradeira, que pode vir antes de 1 de janeiro de 2011. Sei que é um difícil exercício de futurologia, pois dependerá de muitas variáveis: se eleito, é preciso saber qual o tamanho da base que o apóia; como ele fara para compor maioria no congresso; como ficará a economia (nacional e internacional); como sairá o PT nas eleições etc...
Uma eventual composição com o PMDB será fundamental para garantir o mínimo para se segurar dos solavancos políticos. Mas é o mínimo! Se será suficiente, quem viver, verá. Quem sabe seria o caso de ter como vice o Itamar "você não contava com a minha astúcia" Franco. Já imaginou a turma do PSDB, PFL & Cia colocando o homem de novo lá, após outro impedimento? Seria, no mínimo, motivo para darmos muitas gargalhadas.
Mas, Alon, quanto a colocar o FHC na galeria dos "bons presidentes", não vejo grande coisa nisso. Afinal, se formos fazer um raknking, fica até fácil, num país que já teve a turminha de fazendeiros da velha república, o General Dutra, o Médici, o Collor entre outros. Em terra de cego, quem tem um olho...

terça-feira, 9 de maio de 2006 16:53:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Sr. Alon, gostaria de ler seu sempre lúcido comentário sobre a entrevista do ex-presidente Itamar Franco no Roda Viva de ontem, na TV Cultura de São Paulo. Para não perder viagem peço também, se possível, outro comentário sobre a entrevista de Ciro Gomes, ex-ministro de Lula e de Itamar, à Caros Amigos mensal que se encontra nas bancas. Em ambas o sr. poderá degustar da troca de gentilezas dos entrevistados com o Sr. Fernando Henrique que conviveu com ambos. Agradeço antecipadamente. As suas posições sempre enriquecem o debate político e humano nesse meio de comunicação.

terça-feira, 9 de maio de 2006 17:05:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Nelson de Sá, pra variar, viu outro programa. FHC fez ironia com o fato de que Nixon foi impichado por ter mentido. E FHC falou "E Lula não sabia de nada.". Esta foi a ironia.

terça-feira, 9 de maio de 2006 18:46:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Nelson de Sá, pra variar, viu outro programa. FHC fez ironia com o fato de que Nixon foi impichado por ter mentido. E FHC falou "E Lula não sabia de nada.". Esta foi a ironia.

terça-feira, 9 de maio de 2006 18:46:00 BRT  

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