domingo, 28 de maio de 2006

A "rifondazione" petista (28/05)


Pronto. Temos novidade. Não é tão novidade assim, mas na entressafra vale. A senadora Heloísa Helena fechou uma aliança com o PSTU e o PCB, e vai à luta para ser presidente da República. O interessante na candidatura da senadora [na foto da Agência Estado (AE), Heloísa emociona-se ao discursar na reunião que decidiu pelo apoio a seu nome] é que se coloca como alternativa de poder, não apenas um instrumento de denúncias ou para "marcar posição". Faço o registro do que diz à AE César Benjamin, o economista candidato a vice: "Nós, se eleitos, vamos enquadrar o Congresso (...). Estamos dispostos a governar com esse Congresso, mas se ele tentar nos emparedar com molecagem, teremos crise (institucional), porque nós não aceitaremos e o povo estará contra ele (o Congresso). Será uma crise benéfica para o País". Apenas para registro, Benjamin é a face dita "moderada" da aliança. Na Itália foi assim, quando o Partido Comunista Italiano decidiu deixar de ser comunista. Em 1991, virou o Partido Democrático da Esquerda (Partito Democratico della Sinistra, PDS). Em 1998, juntou-se a outros grupos para formar a DS (Democratici di Sinistra). Quando o PCI deixou de existir como tal, um setor rompeu e criou a Rifondazione Comunista, a Refundação, à esquerda. Reformistas e refundadores brigaram como gato e rato até se juntarem nas últimas eleições para derrotar Silvio Berlusconi e eleger o democrata-cristão de esquerda Romano Prodi. Tucanos e pefelistas acham que a candidatura Heloísa Helena é boa para Geraldo Alckmin (PSDB), pois ajudará a evitar uma vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no primeiro turno. Não sei. PSOL e até PSTU podem ter algum nível de diálogo com a esquerda petista e com partidos como o PCdoB. Mas não têm pontos de contato orgânico com o PSDB e o PFL. E há sérias dúvidas sobre se o eleitor da senadora vai se deslocar majoritariamente para Alckmin num eventual segundo turno contra Lula. Mais provável que não. Essa coisa de ficar confinado no eleitorado conservador é um problema para Alckmin. É por isso que tucanos e pefelistas correm atrás do PPS de Roberto Freire. É a ponte, acreditam, para evitar esse confinamento.

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3 Comentários:

Anonymous augusto disse...

A verdade é que a direita/elite, talvez até por acomodação, não conseguiu formar quadros com significativa densidade política . Todos, praticamente sem exceção, não conseguem difarçar a fragilidade ao se apresentar como representantes seja da classe média ou mesmo das classes mais baixas. Mesmo FHC, sem o Plano Real, provavelmente teria conseguido muito pouco. Daí a pressão por essa reforma eleitoral que privilegia os candidatos com maior poder econômico. Buscar o apoio de R.Freire, nesse caso, não muda nada, pois nem mesmo como grife de esquerda, pode mais se apresentar, haja vista, posicionamentos contraditórios que vão desde a extinção do antigo PCB até, eventuais apoios a posições, nitidamente, neoliberais. Um abraço.

domingo, 28 de maio de 2006 22:36:00 BRT  
Anonymous Marcus disse...

Os jovens tucanos que ainda acreditam que pertencem a um partido de centro-esquerda (coitadinhos, iludidos) estão corretos quando dizem que Alckmin deveria se afastar do discurso conservador, pois quem é conservador nunca votará em Lula, e esse eleitorado não precisa ser cortejado.

Em vez de falar claramente como melhorará a vida do povo, Alckmin fala em cortar impostos, assunto exotérico para a imensa maioria da população.

É impressionante a falta de fibra da direita quando tem, pela primeira vez, que enfrentar a esquerda em posição de desvantagem.

segunda-feira, 29 de maio de 2006 04:04:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Com qualquer um que ganhe a presidencia, o país não vai sair das garras do congresso. Afinal, o que faz o vereador, deputado estadual, federal, raramente se houve falar em projetos que beneficiaram a população. Alon, poderia solicitar um balanço das atividades de cada um, como são obrigados as empresas apresentarem seus balanços anualmente. Teve um artigo do Merval Pereira sobre o exemplo de administrações bem suscedidas como a Australia, Nova Zelandia. Será que isso seria o choque de gestão do candidato Alckim? O candidato Cristovam Buarque tem um artigo excelente sobre educação. A candidata Heloisa Helena seria o choque de gestão no congresso. Até que poderiam ser aproveitados os palanques de cada candidato independentes de partidos e imprementar os bons nomes e torna-los ministros, assim como uma seleção que escolhe os melhores para representar o país?
Yoshio - Japão

segunda-feira, 29 de maio de 2006 05:56:00 BRT  

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