sexta-feira, 19 de maio de 2006

Por que a burguesia é "má" (19/05)

É constante a choradeira empresarial sobre o "excesso" de carga tributária no Brasil. Mas, segundo a analista Cláudia Oshiro (Tendências), os tributos ligados à lucratividade é que estão puxando para cima a arrecadação federal. É uma boa ilustração para o que disse sobre a elite o governador de São Paulo, Cláudio Lembo. A burguesia (vamos agora usar essa categoria sociológica, que andava em desuso e foi reabilitada por Lembo) está lucrando mais, porém não quer pagar mais impostos. Ao contrário, pede para cortar os "gastos de custeio", forma elegante de se referir aos investimentos sociais dos governos. Um trecho da nota de Cláudia Oshiro:

"Arrecadação: tributos ligados à lucratividade têm forte crescimento

A expansão desses tributos em relação a março é decorrente, principalmente, do pagamento da cota única referente à apuração trimestral ocorrida em março.

A arrecadação federal de abril, divulgada ontem, registrou crescimento nominal de 10,2% em relação ao mesmo período de 2005 e atingiu R$ 34,9 bilhões, ficando ligeiramente acima das nossas expectativas (R$ 33,7 bilhões). Considerando a arrecadação total em termos reais, deflacionada pelo IPCA, o crescimento em relação a abril do ano passado foi de 5,3%. Os destaques foram, novamente, o aumento da arrecadação do IRPJ e CSLL, tributos ligados à lucratividade das empresas e que mais têm contribuído para a expansão da arrecadação nominal. A expansão desses tributos em relação a março é decorrente, principalmente, do pagamento da cota única referente à apuração trimestral ocorrida em março. Além disso, o pagamento efetuado por estimativa mensal do setor de refino de petróleo contribuiu para o aumento do recolhimento desses tributos em relação ao mesmo período do ano anterior. (...)"

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9 Comentários:

Blogger Ricardo disse...

Há um erro conceitual em sua opinião, Alon. Os tributos são concentrados nas principais empresas brasileiras, portanto, de uma base em quantidade muito restrita. Vão pegar siderúrgicas, automotivas, cigarro... Empresas que, inclusive por conta do dólar subvalorizado, estão remetendo muito lucro para fora (não retendo para novos investimentos).
Seria isso a nossa burguesia? Umas poucas dúzias de empresas, a maioria multinacional ou ligada a fundos de pensão? Se for isso, temos realmente a confirmação da "nova burguesia sem capital" que Reinaldo Azevedo e Chico de Oliveira falam a tanto tempo.

sexta-feira, 19 de maio de 2006 10:46:00 BRT  
Anonymous augusto disse...

Prezado Alon:
A grande questão é essa: o uso espúrio e insistente de um falso economês. É simples, investimento não é custeio, e a falta de coragem, ou vá lá, de "timing" para discussão do tema é que está na essência das contradições, paradoxos e conturbações que entretecem a corda bamba sobre a qual tenta se equilibrar o governo.
PS: O meu comentário sobre o post "Parabéns, governador" não chegou? Um abraço.

sexta-feira, 19 de maio de 2006 11:54:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

"Erro conceitual" é brincadeira. Isso sim é sociologia de botequim da pior espécie. Para não falar na defesa dos gastos de custeio do governo confundindo-os com política social. A gente começa até a imaginar que tem ma-fé embutida nos comentários.

sexta-feira, 19 de maio de 2006 12:08:00 BRT  
Anonymous paulob disse...

Por que má fé, ô anônimo? Não tem nada de má fé, é só uma opinião diferente da sua.Aceite a diversidade de idéias.

sexta-feira, 19 de maio de 2006 16:37:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caro Ricardo, a análise é simples. A arrecadação está subindo por causa dos impostos que incidem nos lucros. Isso significa que mais gente está lucrando ou que alguns estão lucrando mais. Ou um pouco das duas coisas. Veja que isso explica tb por que a economia está crescendo algo em torno de 3,5% a 4,0%, mesmo com toda a carga de impostos. Imposto sobre o lucro é justiça social, acho eu. Mas há gente que acha que é melhor reduzir os impostos, pois com mais capital o empresário vai investir mais e criar mais empregos. Tb é um ponto de vista respeitável. Só que no Brasil há uma massa de pobres muito grande e que não conseguiria competir pelos bons empregos, e que precisa da ajuda do Estado. De todo modo, é um bom debate.

sexta-feira, 19 de maio de 2006 16:42:00 BRT  
Anonymous Kleber Matos disse...

A relação lucro/sacrifício jamais foi incorporada a realidade pública do Brasil. É preciso incorporar essa relação aos que ganham mais, pois ela é o sonho dos desvalidos. Aproximar realidades multiplas e distintas é fazer política. Acho que aqui nesse espaço se faz isso, por quem aqui circula. Quem cospe pra cima, é o primeiro a sair de baixo!

sexta-feira, 19 de maio de 2006 17:06:00 BRT  
Anonymous rui gomes disse...

O uso político do Datafolha pela Folha de São Paulo, não é novo. Exemplo é pesquisa sobre opinião dos paulistanos sobre o PCC. Nela, em clara manipulação, a Folha dividiu em dois grupos as opiniões dos que atribuem a culpa a Alkimin e a Lembo, se com 100 dias de governo, Lembo fosse dissociado de Alkimin, há 12 anos no poder. Diz a matéria de 17.05.06 : “o presidente Lula (PT) e o ex-governador Alckmin (PSDB) aparecem em posições similares entre os que consideram que eles tiveram "muita responsabilidade". Lula teve 39%; Alckmin é apontado por 37%. Já Cláudio Lembo (PFL) é citado por 30% nessa.” Ora, Somando Alkimin e Lembo o percentual é 67% e Lula 39%, ou seja, a pesquisa mostra uma clara condenação do PFL/PSDB, que a FOLHA quiz esconder. Ou seja, na pesquisa eleitoral, os votos para o PFL e PSDB são somados. Na pesquisa sobre responsabilidade, divididos! Veja mais sobre essa nova manipulação da Folha em www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u121627.shtml.Passe adiante.

sábado, 20 de maio de 2006 18:02:00 BRT  
Anonymous rui gomes disse...

O uso político do Datafolha pela Folha de São Paulo, não é novo. Exemplo é pesquisa sobre opinião dos paulistanos sobre o PCC. Nela, em clara manipulação, a Folha dividiu em dois grupos as opiniões dos que atribuem a culpa a Alkimin e a Lembo, se com 100 dias de governo, Lembo fosse dissociado de Alkimin, há 12 anos no poder. Diz a matéria de 17.05.06 : “o presidente Lula (PT) e o ex-governador Alckmin (PSDB) aparecem em posições similares entre os que consideram que eles tiveram "muita responsabilidade". Lula teve 39%; Alckmin é apontado por 37%. Já Cláudio Lembo (PFL) é citado por 30% nessa.” Ora, Somando Alkimin e Lembo o percentual é 67% e Lula 39%, ou seja, a pesquisa mostra uma clara condenação do PFL/PSDB, que a FOLHA quiz esconder. Ou seja, na pesquisa eleitoral, os votos para o PFL e PSDB são somados. Na pesquisa sobre responsabilidade, divididos! Veja mais sobre essa nova manipulação da Folha em www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u121627.shtml.Passe adiante.

sábado, 20 de maio de 2006 18:07:00 BRT  
Anonymous rui gomes disse...

O uso político do Datafolha pela Folha de São Paulo, não é novo. Exemplo é pesquisa sobre opinião dos paulistanos sobre o PCC. Nela, em clara manipulação, a Folha dividiu em dois grupos as opiniões dos que atribuem a culpa a Alkimin e a Lembo, se com 100 dias de governo, Lembo fosse dissociado de Alkimin, há 12 anos no poder. Diz a matéria de 17.05.06 : “o presidente Lula (PT) e o ex-governador Alckmin (PSDB) aparecem em posições similares entre os que consideram que eles tiveram "muita responsabilidade". Lula teve 39%; Alckmin é apontado por 37%. Já Cláudio Lembo (PFL) é citado por 30% nessa.” Ora, Somando Alkimin e Lembo o percentual é 67% e Lula 39%, ou seja, a pesquisa mostra uma clara condenação do PFL/PSDB, que a FOLHA quiz esconder. Ou seja, na pesquisa eleitoral, os votos para o PFL e PSDB são somados. Na pesquisa sobre responsabilidade, divididos! Veja mais sobre essa nova manipulação da Folha em www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u121627.shtml.Passe adiante.

sábado, 20 de maio de 2006 18:08:00 BRT  

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