quinta-feira, 18 de maio de 2006

Parabéns, governador (18/05)

Você que lê este blog sabe que critiquei duramente nos últimos dias o governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL). Você sabe que eu penso (e escrevi) que ele deveria ter decidido pôr nas ruas já no fim de semana toda a força policial e militar disponível (estadual e federal), como fator de dissuasão contra o crime organizado. Essas opiniões estão mantidas. Mas preciso admitir que hoje, em sua entrevista à Folha de S.Paulo, o governador reagiu e mostrou a que veio. Lembo é um homem de direita. Isso (suas convicções políticas) é assunto dele e de mais ninguém. Mas talvez só um político de raízes conservadoras pudesse, enfim, falar as verdades que ele disse sobre a "branca" elite paulista, e apontar o dedo para as causas últimas da grave crise de segurança que vivemos. Mudei de idéia, governador. Parei a minha contagem regressiva sobre os dias que lhe faltam no cargo. Isso não adquire nenhuma importância prática (pela minha própria desimportância), mas tenho certeza de que, assim como eu, muitos paulistas estão orgulhosos hoje do senhor. Obrigado e parabéns.

Vale a pena ler ainda Civilização, sim; barbárie não, de dez advogados e juristas, também na Folha.

Leia também:

Contagem regressiva em São Paulo, onde a última moda é ser reacionário (16/05)

O Tet do PCC (16/05)

O Princípio de Peter e a busca inútil por culpados (15/05)

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10 Comentários:

Anonymous Tibério Canuto disse...

Alon,
você continua um jornalista brilhante. O paralelo que você fêz entre a ofensiva Tet e os atentados do PCC é muito interessante. De uma maneira geral os blogueiros do país não tem dado muito atenção à estratégia militar do PCC. Sem estudá-la fica difícil combater o crime organizado.

quinta-feira, 18 de maio de 2006 10:44:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Este comentário foi removido por um administrador do blog.

quinta-feira, 18 de maio de 2006 12:08:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

É raro um governante falar com desenvoltura sobre os temas abordados na entrevista. Nestes tempos em que transformaram a clareza em artigo raro, tomara que a moda pegue.

quinta-feira, 18 de maio de 2006 13:56:00 BRT  
Anonymous Fernando disse...

clap clap clap É por essas que este é o melhor blog de política do país.

A entrevista foi mesmo muito boa, e captura um daqueles raros momentos em que um político pode se dar ao luxo de ser sincero.

Tem uma coisa que me chamou a atenção: enquanto parte da imprensa acusa o governador de ter feito um acordo com o PCC, outra parte acusa a polícia de estar fazendo uma matança no estado. Precisamos chegar numa conclusão: afinal, houve acordo ou matança?

quinta-feira, 18 de maio de 2006 14:42:00 BRT  
Anonymous .xavier disse...

só diz isso pq ele tb concorda com essa bobagem de que falta de familia é causa de violência.
causa de violencia é social, impunidade e corrupção.

quinta-feira, 18 de maio de 2006 15:02:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Até parece que a classe média já não paga impostos absurdos nesse país. O problema não é abrir a carteira que a burguesia tem que fazer. O povo é que tem que parar de eleger ladrões que só fazem roubar o nosso dinheiro em vez de resolver os problemas do país.

Ridículo ficar elogiando esse tipo de discurso populista.

quinta-feira, 18 de maio de 2006 17:49:00 BRT  
Blogger Paulo C disse...

Eu concordo e aumento o comentário de swamoro: é raro um político falar com este tipo de sinceridade sobre qualquer tema hoje em dia.

Acho que ocorreu uma conjunção de fatores: Cláudio Lembo é um homem aparentemente sincero (e digo isto como alguém que nunca votou ou votaria nele por discordar de suas idéias quanto a possivelmente quase tudo). Ele também é mais acadêmico que administrador e foi abandonado com uma equipe herdada. Quando a crise veio nem um só prócere do principal partido da aliança que o elegeu foi a público (nem ao menos para prestar solidariedade).

E sempre resta a esperança que a direita ou parte dela veja a luz e comece a trabalhar pela melhoria da educação, da saúde, dos indíces de desigualdade social etc.

quinta-feira, 18 de maio de 2006 18:03:00 BRT  
Anonymous augusto disse...

Prezado Alon:
Como se costuma dizer: Intimidade só traz aborrecimento e filhos, e o Bono Vox que guarda, na minha opinião, a distância ideal para se compreender o Brasil, identificou em seu recente "Leading Article" no The Independent, com enorme e surpreendente sabedoria, a encruzilhada que resume tudo que aconteceu em nosso país nos últimos 4 anos, incluído este episódio aqui em SP: "As reformas no Brasil estão lentas demais para os pobres e muito rápidas para os ricos". Dá prá sair dessa? Um abraço.

quinta-feira, 18 de maio de 2006 21:35:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Quando o governador fala na burguesia meter a mão na bolsa... entendo que não está necessariamente dizendo em aumentar impostos da classe média. Entendi que ele está criticando os baixos salários pagos proporcionalmente aos lucros dos empregadores, e as políticas de desemprego em nome da competitividade.
Além do lobby ao Estado, cujo poder de pressão é maior das altas classes sociais, e, por isso, tem maior influência em direcionar os orçamentos governamentais e leis para áreas de negócios de seus interesses (emprenteiras, bancos, etc), sacrificando gastos em políticas sociais, que poderiam redistribuir renda.
Foi um belo discurso, mas falta convertê-lo na prática de alguma política pública.

quinta-feira, 18 de maio de 2006 22:38:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caro Augsto, não somos um país chegado a rupturas. Nunca fomos. Acho que o Bono Vox acertou em cheio. Mas não sei se há alternativa.

sexta-feira, 19 de maio de 2006 16:46:00 BRT  

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