quinta-feira, 4 de maio de 2006

Para entender o estado de espírito deles (04/05)

A Wikipedia traz uma seção especial sobre o que chama de Guerra do Gás Boliviano. Vale a pena ler e acompanhar. A foto acima foi copiada do site. Dá bem noção do estado de espírito dos andinos em relação ao assunto. Com um pouco de esforço, fica fácil de compreender. Eles já foram roubados na prata de Potosí e no estanho. Sempre foram um país rico em recursos naturais, mas o resultado de séculos de extrativismo é uma das populações mais pobres do mundo. Quem teve a idéia de chupar o gás natural deles pelo gasoduto como se bebesse água de coco pelo canudinho deveria saber que um dia a coisa poderia desandar.Posted by Picasa

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8 Comentários:

Anonymous Fernando disse...

Alon, vamos colocar os fatos:

- A Bolívia tem uma enorme reserva de gás natural, mas não tem dinheiro para tirar nem mercado para vender. Quanto rende para a Bolívia este recurso natural ficando ele lá embaixo da terra: nada. zero.

- O Brasil, por outro lado, tem a tecnologia e o dinheiro necessário para extrair o gás, e tem o mercado consumidor.

Ora, até um petista pode ver que extrair e usar o gás é um bom negócio para ambas as partes. O resultado foi um processo longo de negociação entre os dois governos, até que Itamar Franco assinou o contrato para exploração do gás boliviano.

A Bolivia, que não ganhava nada com o gás, deve hoje quase 20% do seu PIB a Petrobrás. Fez um excelente negócio que jamais seria possível sem o Brasil. Quem já passou pela região de Santa Cruz de la Sierra, hoje a maior cidade da Bolívia, sabe o quanto aquilo mudou depois do gasoduto e da soja, também escoada via Brasil.

Querer culpar o Brasil agora é no mínimo ridículo, e mais ridículo ainda é culpar os governos anteriores. A coisa pode desandar? É claro que pode, tudo pode desandar. O Oriente Médio petróleo vive desandando e estamos pagando US$ 75 o barril. Cabe ao governo gerenciar isso - governo atual, não os passados - e este governo está dando mais um show de incompetência.

quinta-feira, 4 de maio de 2006 13:02:00 BRT  
Anonymous Thiago Moro disse...

parabéns pelo comentário sobre este tema Alon, foi sútil, mas pegou na canela! Parabéns pelo blog!

quinta-feira, 4 de maio de 2006 15:10:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

O post do Fernando é excelente, porque é bem fundamentado e descreve bem a realidade. É verdade que o cenário atual é melhor para a Bolívia do que simplesmente não ter a quem vender seu gás. Mas é verdade também que eles querem mais, querem agregar valor ao gás para arrecadar mais, ter mais desenvolvimento e mais empregos. Além de mais recursos nas mãos do Estado para promover justiça social. Seria um erro raciocinarmos na base do "não sejam ingratos, depois de tudo que fizemos por vocês". Isso não funciona em política, muito menos em política internacional. Os ingleses fizeram muito pelas suas colônias e um dia todas quiseram vê-los pelas costas.

quinta-feira, 4 de maio de 2006 16:33:00 BRT  
Anonymous Fernando disse...

Alon, obrigado pelo cumprimento. A Bolivia realmente tem todo o direito de querer mais - me surpreenderia se não quisessem - e o próprio contrato prevê renegociações periódicas. Mas isso não dá o direito a eles de rasgar os contratos e se apossar unilateralmente dos ativos da Petrobras, e muito menos ocupar militarmente as instalações. Isso é uma postura de chantagem, não de negociação.

Já dizia o secretário americano Dulles que nações não tem amigos, tem interesses. O governo tem que defender os nossos interesses, e não ficar entendendo as causas deles. Não se começa uma negociação dando razão ao outro lado, você endurece primeiro e "vende" depois as concessões. Ao piscar primeiro ante a chantagem da Bolívia o governo brasileiro praticamente já selou o seu destino na negociação.

Vamos ver agora como vai funcionar a nova tática do governo, que é usar o velho sistema "good cop/bad cop", com o presidente da Petrobrás no papel de tira mau e Lula sendo o bonzinho...

quinta-feira, 4 de maio de 2006 18:38:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Veja, Fernando, que talvez nossa diferença esteja exatamente no ponto que vc toca. Acho que a diplomacia à Foster Dulles não funcionaria na América do Sul no contexto atual, de forças políticas e sociais emergentes e sequiosas de protagonismo. Talvez seja hora de aprender a pisar em ovos. Certamente o Brasil cometeu erros, e certamente cometerá outros mais, mas não vejo outro caminho para nós a não ser agir com paciência, que não significa falta de firmeza.

quinta-feira, 4 de maio de 2006 19:12:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Concordo e acredito que o papel do Brasil e da Petrobrás na Bolívia deve ser encontrar um ponto de equilíbrio entre lucro, ainda que menor, e responsabilidade social, ajudando a combater a pobreza, indo além da cartilha desenvolvimentista tradicional. Vejo o mundo (corporações e estados) com o desafio paradoxial de crescer vendendo menos e produzindo menos (se a pobreza for combatida só com o crescimento do consumo, interno e externo, que provoca aumento na produção, que aumenta emprego, vai faltar planeta Terra para tanto lixo).
Se é certo na Bolívia, então porque não fazer o mesmo no Brasil? Porque, ao contrário do Brasil, a Bolívia é quase um laboratório, onde o conflito de interesses está confinado entre governos (e maiorias de povos) que tem príncipios e fins semelhantes. Só precisam entenderem-se quanto aos meios.
Se o protótipo Bolívia for bem suscedido, poderá ser um modelo alternativo para boa parte da américa do sul.

quinta-feira, 4 de maio de 2006 22:17:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Alon isto esta cheirando politicagem.
Pela declaração do pres. lula, se houver aumento do gás, não será repassado ao consumidor, a Petrobras vai arcar, acabei de ver e ouvir no Jornal da Globo.
Isso até outubro, o filme é velho, identico ao plano cruzado I, terminou as eleições, foi um tsunami depois. E depois de 4 planos em 5 anos (sarney), até hoje estamos sem rumo.
Os dividendos quem vai colher é o comandante supremo da nação, dividendos politicos para sua reeleição.
Yoshio - Japão

sábado, 6 de maio de 2006 08:12:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Complementando o Yoshio, isso de contratar crise nem está considerando a futura crise cambial que contratamos para 2007. Imagina só um aumento do câmbio juntamente com aumentos cavalares de custo de energia. Vai ser lindo ver Lula... pelas costas.

terça-feira, 16 de maio de 2006 16:47:00 BRT  

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