quinta-feira, 4 de maio de 2006

A diferença entre Lula e Chávez (04/05)

Hugo Chávez manda na Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) e Luiz Inácio Lula da Silva não manda na Petrobrás. Menos mal que a semi-estatal brasileira não tenha conseguido impor ao governo de Lula uma reação imperialista ao decreto boliviano que nacionalizou o petróleo e o gás. Mas, graças à autonomia da Petrobrás e à pressão interna pelo confronto com Evo Morales, a diplomacia brasileira e a própria empresa vão sendo empurradas para uma posição estrategicamente defensiva. Enquanto a Petrobrás prepara-se para um longo contencioso com os bolivianos e o Brasil analisa como depender menos do gás do vizinho, a Venezuela corre para oferecer a La Paz aquilo que a Bolívia mais quer: investimentos para transformar o gás natural em produtos de maior valor agregado. Quem deveria estar fazendo isso era a Petrobrás, acho eu. E não ficar repetindo que os bolivianos dependem de nós porque não teriam mais a quem vender seu gás. Se eles não podem deixar de vender para nós, nós tampouco poderíamos parar de comprar deles imediatamente, mesmo se desejássemos. E o tempo que levaremos para obter fontes alternativas de energia é o mesmo que eles levarão para deixarem de ser só exportadores de matéria-prima.

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5 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

seria interessante saber como que uma empresa consegue fazer "investimentos para transformar o gás natural em produtos de maior valor agregado." quando um governo taxa sua receita em 82% (!!!!!!!!!!!). não há investimento que se remunere com esse nível de taxação. qual a lógica da petrobrás gastar o dinheiro do contribuinte brasileiro e do seu acionista na Bolívia, sendo que não vai recuperar o investimento??????
não me diga que a PDVSA vai conseguir porque não tem como...

quinta-feira, 4 de maio de 2006 10:01:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

A Bolívia jogou pesado, mas foi para ter trunfos na mesa de negociacao. Se a Bolivia e estrategica para a Petrobras, a estatal deveria cuidar para que ninguem (PDVSA) ocupasse seu espaco la. Mas se quiser manter apenas um negocio da China, corre o risco de perder tudo. Morales tem a carta venezuelana na manga, algo que a arrogancia da Petrobras nao lhe deixou enxergar.

quinta-feira, 4 de maio de 2006 10:30:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Alon

Sua análise peca ao se esquecer que levará uns 4 anos para o investimento da PDVSA vingar. Além disso, neste meio tempo, o Brasil já teria condições de produzir o mesmo no país, via Santos. Ou seja, a Bolívia iria ter um produto mas teria que baixar preços ou micar com o produto, já que seu mercado consumidor principal teria conseguido maior suficiência.

quinta-feira, 4 de maio de 2006 10:44:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

Caro Ricardo, sua anánile fornece os argumentos para contestá-la. Não poderemos deixar de importar gás da Bolívia por um tempo que para eles será suficiente para construírem uma indústria petroquímica. E, portanto, terem condições de diversificar seu mercado. A vantagem estratégica é deles, não nossa.

quinta-feira, 4 de maio de 2006 10:56:00 BRT  
Anonymous Marcus disse...

Acho que ficou claro que, por trás de um suposto ato de independência nacional, existem os interesses comerciais da PDVSA e os interesses políticos de Hugo Chávez.

Nada impediria que a Petrobrás também auxiliasse nessa questão de produtos de valor agregado. A defesa da Petrobrás, publicada pelo Luiz Nassif na terça feira, mostra que ela foi parceira do governo boliviano, e não apenas mais uma multinacional sanguessuga.

O que a Venezuela quer é comprar barato os ativos da Petrobrás na Venezuela. E o que Evo Morales quer é ganhar votos para a Assembléia Constituinte e se tornar o mais novo Chávez da região, com patuscadas como "refundar o Estado" e ganhar mais poder.

O Brasil quis ajudar a Bolívia (apoiou a emergência de seu líder popular, perdoou dívidas) e foi apunhalado pelas costas.

quinta-feira, 4 de maio de 2006 11:59:00 BRT  

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