terça-feira, 2 de maio de 2006

A crise sul-americana (02/05)

O bicho está pegando na América do Sul e vamos ver agora se Luiz Inácio Lula da Silva é mesmo um estadista, um líder continental, e se vai saber desatar esse nó. Na Bolívia, o presidente Evo Morales fez o que falou que ia fazer: nacionalizou a indústria de petróleo e gás. E anunciou mais nacionalizações. O povo boliviano julga-se roubado em seus recursos naturais pelas multinacionais -inclusive a Petrobrás (com acento). Agora veio o troco. Escrevi sobre isso há um mês em Por que nós podemos e eles não?. No Uruguai, o presidente Tabaré Vázquez diz que vai enfraquecer as relações com o Mercosul e abrir o país para oportunidades de acordos bilaterais, especialmente com os Estados Unidos.
A diplomacia de Lula com os vizinhos tem-se equilibrado num meio-termo entre o ímpeto bolivariano de Hugo Chávez e o pró-americanismo dos presidentes chilenos. Lula quer unir a América do Sul para dialogar em melhores condições com George Bush, mas Chávez e Morales preferem o continente unido contra Washington. E o pequeno Uruguai, espremido entre dois gigantes (seu problema desde Dom Pedro I), começa a ceder à tentação de virar uma cabeça de ponte do grande irmão do Norte. Neste caso, a responsabilidade é também de Néstor Kirchner, com sua atitude imprudente na polêmica sobre as plantas industriais de papel e celulose em Frei Bentos no pequeno país vizinho (assunto em que Lula se omitiu).

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6 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

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terça-feira, 2 de maio de 2006 12:34:00 BRT  
Anonymous Priscila Schneider disse...

Não acho que ele tenha claudicado. O Lula quis tirar uma casquinha no massacre que o Garotinho vem sofrendo. A mídia quer uma polarização Lula x Alckmin, para tentar destruir o Lula na campanha e eleger o Peter Sellers (Muito Além do Jardim) tucano.

terça-feira, 2 de maio de 2006 12:40:00 BRT  
Blogger Mauricio Savarese disse...

Quando aquele bispo do Nordeste entrou em greve de fome, Lula respeitou bastante e disse que só se faz greve de fome por motivo muito sério, que é uma atitude extrema. Não custava ter sido mais respeitoso, o Garotinho que se desgastasse sozinho.

terça-feira, 2 de maio de 2006 13:33:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

A Bolívia querer melhor remuneração sobre seus recursos naturais, para aplicá-lo no bem estar social é perfeitamente justo e lógico (até a Dinamarca faz isso com seu Petróleo). O que assusta é a forma catastrófica em fazê-lo. Moralles causa indisposição com aliado de peso, o Brasil, seu maior parceiro comercial e, sobretudo, sob Lula, ao causar-lhe constrangimento político em plena campanha eleitoral. Indispõe-se também com Kirchner e com Zapatero, dois suportes de apoio. Apoia-se em Chaves e Fidel, o que é pouca coisa, considerando que nenhum dos dois são seus mercados, e a Venezuela é por natureza um produtor concorrente, que está sendo um aliado conjuntural dentro da velha ordem da guerra fria de troca de ajuda econômica por política.
Mais por precaução forçosa, do que por retaliação, Moralles corre o risco de produzir uma crise econômica interna, que pode custar-lhe seu projeto de poder por insatisfação popular (algo como o plano Cruzado com moratória no Governo Sarney).
Pode parecer triunfo ocupar refinarias com tropas e fazer decretos mirabolantes à revelia de negociações, mas sua situação assemelha-se mais a de um alpinista inexperiente, destemido, trilhando a face assassina da montanha, que, mais tarde, terá que pedir socorro às brigadas de resgate, a quem ignorou advertências do perigo.
Mas, lembrando seu (de Alon) post de outro dia, somos sul-americanos, e, para um processo de integração, é necessário retirar os esqueletos dos armários da história, e saber ouvir as manifestações, anseios e até fanfarronices, daqueles que nunca tiveram voz e agora gritam triunfantes, por vezes estridentes. Também será necessário saber responder aos futuros resgates de nossos imprevidentes vizinhos, quando estiverem encurralados nos abismos políticos que experimentam trilhar.

terça-feira, 2 de maio de 2006 20:35:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Bloguista Alaor, o sr. que transcreve textos intessantes, será que conseguiria um texto que foi editorial do Estadão ou Jornal da Tarde, com o titulo Carta de Escobar ou Tratado de Escobar ( se não me engano) transcrito no inicio dos anos 1990. Em suma eu me recordo que se dizia que ``os latinos tradicionalmente não cumprem nada do que são prometidos``. Ou fazem tudo ao contrario, creio que tem muito a ver com o momento atual.
Yoshio - Japão

terça-feira, 2 de maio de 2006 20:59:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Quanto a Garotinho, acho que o "metodo da Melancia no pescoco" poderia ser mais eficiente. Greve de Fome? So faltava isso. Alega ser "evangelico". Os "politicos" JA SAO MUITO COBRADOS (com razao), e OS EVANGELICOS TAMBEM! Pois se colocam como os Paladinos da Etica e Moral Biblicas no meio de uma Sociedade de maioria Catolica (ainda). E o "tal" Garotinho COMO EVANGELICO deixa MUITO A DESEJAR,(ele e sua "irma-esposa" na Fe) isso sem falar de area politica.
Quanto `a Lula achei razoavel o "sarrinho" em seu comentario sobre poder transformar-se(com greve de fome) em um nati-morto, cada vez que fosse "massacrado" pela imprensa.
Quanto a Latino-Americano nao cumprir palavra, Lula so nao cumpriu todas as promessas de campanha, por motivos alheios `a sua vontade, ao contrario de Governantes passados, que faziam e atualmente fazem, "promessas vagas" que tambem jamais chegam "`a mesa do pobre". Tem muito pobre e miseravel simpatizante de Lula, a quem nao interessam tanto (ate por que nao entendem), os complicados numeros e taxas, cercados de "termos dificeis" que so os "academicos" discernem. Lula tem demonstrado equilibrio e sobriedade; sorte `a ele.

Tudo de bom a todos.

domingo, 7 de maio de 2006 01:51:00 BRT  

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