domingo, 7 de maio de 2006

Chico Buarque, um editorial na Folha, Sílvio Pereira e uma luta no Zaire (07/05)

A Folha de S.Paulo taz hoje editorial (Identidade de oposição) em que afirma: "O mais preocupante para um país que necessita debater seus problemas, a fim de melhorar o ambiente em que o eleitor decide seu voto, é a falta de um conjunto de idéias-força da oposição".
Clique aqui para ler o editorial.

Ontem, o mesmo jornal trouxe entrevista de Chico Buarque de Holanda (Chico diz que vota em Lula de novo) com a seguinte declaração do artista: "Mas o preconceito de classe contra o Lula continua existindo -e em graus até mais elevados. A maneira como ele é insultado eu nunca vi igual. Acaba inclusive sendo contraproducente. O sujeito mais humilde ouve e pensa: 'Que história é essa de burro!? De ignorante!? De imbecil!?'. Não me lembro de ninguém falar coisas assim antes, nem com o Collor. Vagabundo! Ladrão! Assassino! -até assassino eu já ouvi. Fizeram o diabo para impedir que o Lula fosse presidente. Inventaram plebiscito, mudaram a duração do mandato, criaram a reeleição. Finalmente, como se fosse uma concessão, deixaram o Lula assumir. 'Agora sai já daí, vagabundo!' É como se estivessem despachando um empregado a quem se permitiu esse luxo de ocupar a Casa Grande. 'Agora volta pra senzala' Eu não gostaria que fosse assim".
Clique aqui para ler a entrevista com Chico.

Esses assuntos haviam sido tratados neste blog mês passado em pelo menos dois textos: Os pobres, Lula e os Capitães Ahab da oposição e Caravelas liberais contra o vento, em mares nunca dantes navegados.

Leia tudo (se achar conveniente, claro) e tire as suas próprias conclusões. Da minha parte, penso que a combinação entre o editorial e as palavras de Chico explica muita coisa.

Hoje, O Globo traz longa entrevista com Sílvio Pereira, ex-secretário-geral do PT. Vai reavivar as labaredas da crise no Congresso. Mas a política é como o boxe. Ganha quem sabe apanhar melhor e colocar os golpes com inteligência. Só bater contra a guarda do adversário pode ser contraproducente. Você não acumula pontos e se cansa. Pode ficar exposto a um nocaute inesperado. O exemplo sempre vivo na memória é a luta de Muhammad Ali e George Foreman (foto) no Zaire em 1974.

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3 Comentários:

Anonymous Marcus disse...

O suposto conteúdo bombástico da entrevista de Silvio Pereira revelou-se quase nada.

Afora a tentativa da oposição de inflar o caso, verifica-se os interesses comerciais do jornal O Globo de dar à entrevista uma importância que ela não tem.

Confesso que fiquei esperançoso, quando Jorge Bastos Moreno avisou na véspera que haveria uma entrevista-bomba com alguém importante, que fosse algo que esclarecesse melhor os mecanismos de corrupção na cúpula do PT. Fiquei decepcionado, pois Silvio Pereira limita-se a defender José Dirceu e Delúbio Soares, e fazer um monte de afirmações genéricas.

A única novidade é o entrevistado ter sido da cúpula do PT. Se ele tivesse dito apenas e exclusivamente o que já consta do relatório das CPIs e da denúncia do Ministério Público (e na verdade ele não foi muito além disso), mesmo assim a imprensa daria ao caso uma dimensão exagerada. "Delatores" de dentro do esquema despertam nossos instintos mais primitivos, hehehehehe.

Eu acho que isso não vai afetar em nada a popularidade do presidente, e quando isso for aferido em pesquisas de opinião, vai deixar a oposição ainda mais desnorteada.

domingo, 7 de maio de 2006 12:41:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Eu iria além das demais explicações, também válidas, para a vantagem eleitoral de Lula sobre a oposição. A exasperação oposicionista em superfaturar crises, com ajuda da imprensa, cujas expectativas catastróficas deveriam afetar a economia e o bolso do povo; quando não se realizam, tem como efeito credenciar Lula como o grande administrador da crise.
Lembremos que FHC conseguiu o 2o. mandato em grande parte devido ao medo do eleitorado de perder as conquistas da estabilidade econômica, ao confiarem mais nele para enfrentar o ambiente de crise, do que em uma mudança. Quando FHC perdeu esse capital político devido à desvalorização do Real, ao apagão e às recorrências ao FMI, o eleitorado preferiu arriscar-se na mudança, porque passaram a sentir-se mais inseguros na continuidade. Agora a oposição ajuda a eleger Lula, quando fortalece a impressão de que ele é o condutor da estabilidade e das consquistas sociais, diante do ambiente de crise superdimensionado e bem administrada por Lula (quando na verdade, é em grande parte administrada pela simples realidade, se bem que Lula teve seus méritos na construção da solidez dessa realidade).

domingo, 7 de maio de 2006 15:23:00 BRT  
Anonymous Kleber disse...

taí Alon, acho que é por aí mesmo. Tem ficado fácil concordar ou não no Brasil. Abraços!

domingo, 7 de maio de 2006 19:41:00 BRT  

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