sexta-feira, 28 de abril de 2006

Uma promessa e tanto (28/04)

O candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, disse aos jornalistas que, se eleito, vai zerar o déficit fiscal, que gira em torno de 3% do PIB. Ou seja, o superávit primário teria que alcançar, mantidos constantes os demais fatores, cerca de 7% do PIB, no mínimo. Talvez um pouco menos, por causa da provável redução das despesas com juros.
É uma promessa e tanto. Como não faz sentido cortar nos investimentos, o ataque tem que ser ao custeio. Ou seja, na Previdência (salário-mínimo), em pessoal e nos gastos sociais, principalmente Saúde e Bolsa Família. Dá para fazer? Dá. Mas será preciso montar no Congresso uma base parlamentar disposta a matar e, principalmente, morrer pelo presidente.
Alckmin é bom nisso, governou seis anos sem oposição significativa na Assembléia. Sabiamente, enterrou todas as CPIs que o PT tentou instalar. Já disse aqui em outro texto (O que é governar no Brasil?, de 29/03) que as duas tarefas principais de qualquer presidente brasileiro, hoje em dia, são fazer superávit primário e abafar CPIs.
Por falar em Alckmin, pressinto que o estão subestimando. Dêem uma olhada em sua biografia. A coisa que o ex-governador de São Paulo mais fez na vida foi ganhar eleições. A estatística dele é bem melhor que a de Lula.
O metalúrgico petista disputou seis vezes. Perdeu quatro (presidente (3) e governador) e ganhou duas (deputado federal e presidente). O anestesista tucano disputou nove. Ganhou oito (vereador, prefeito, deputado estadual, deputado federal (2), vice-governador (2) e governador). Perdeu, raspando, só uma, para prefeito de São Paulo em 2000.
Vai ser uma briga boa de assistir.

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6 Comentários:

Anonymous José Silveira disse...

Você faz comentários interessantes que omitem fatos importantes.

Mas você não pode achar que dá para formar um quadros sem elementos importantes. Pulos de gato serve para chamar os seus leitores de simplórios.

Falar que impedir CPI em um Estado é igual a fazê-lo em Brasília é falso. É verificado isso na Tese do Professor Fernando Abruccio, que não tem nada de petista, por exemplo. O livro é Barões da Federação.

Sem colocar todos os dados relevantes no quadro, fica a incomplitude depondo contra o Senhor.

Meus respeitos,

sexta-feira, 28 de abril de 2006 19:06:00 BRT  
Anonymous Jose Augusto disse...

A menos que você esteja usando da mais fina ironia (eleição para vice-governador???), dessa vez tenho que discordar de alguns tópicos. Comparar as eleições de Alckmin com as de Lula, é, guardada as devidas proporções, como querer comparar meu colega de aula que vencia todas gincanas na escola primária, com um medalhista olímpico que venceu numa única olimpíada.
Quanto ao resto do texto estou convicto de sua fina ironia.

sexta-feira, 28 de abril de 2006 19:57:00 BRT  
Anonymous Luis Carlos disse...

Moro em São Paulo, nunca votei no Alckmin, exceto indiretamente, quando votei no Covas no 2º turno de 2 eleições para governador, quando o adversário era o meu inimigo público nº1 Maluf. Nas 2 vezes nem lembrei q ele era vice. Tenho restrições ao ex-governador, especialmente ao seu estilo conservador “repaginado”. Se colocar fraque, cartola e bengala, fica igualzinho a turma do tempo da 1ª república. Além disso, há esses relatos (não são poucos) em relação à Opus Dei... Mas muitos paulistas gostam do seu estilo. Daí q não o menosprezo. Sua popularidade por aqui não vem apenas de certo perfil do eleitorado local, mas também de uma certa competência. É um cara que ajudou a organizar o partido dele no estado, conseguiu a candidatura de vice-governador, teve habilidade de colocar muita coisa esquisita para debaixo do tapete durante seu governo e, por último, tirou do Serra o sonho de 1 dia este se tornar presidente. Porém, como dizia o craque, clássico é clássico e vice-versa. O Alckmin vai ter que provar agora se agüenta o tranco de 1 eleição p/ presidente. É muito diferente do que ele já encarou na vida. A campanha para o cargo é dureza e se não fosse o mensalão ele não teria chance alguma...Aliás, não votarei nele, de novo.

sexta-feira, 28 de abril de 2006 22:32:00 BRT  
Anonymous augusto disse...

Prezado Alon:
Não acredito em ironia da sua parte, pois estaria comprometendo um estilo que se diferencia pela qualidade e alto nível. O momento é muito sério e você disse a verdade. Forças poderosas se levantam, ocupam posições estratégicas na mídia até no exterior e não estão de brincadeira. Primeiro foi Caetano, depois D.Mercury e C.Torloni. O patrulhamento sem trégua começa a atingir seus objetivos e jornalistas (como ninguém, é claro)não querem ser demitidos ou rotulados, correndo o risco de perder um espaço profissional duramente conquistado. Até o Obs. da Imprensa, aos poucos, cede espaço à reação. Infelizmente, como você pode observar, seus comentários , embora excelentes, são para poucos. Pior que a ironia é menosprezar o significado do momento. Insisto, acumulemos lenha pois o inverno poderá ser muito rigoroso... O Brasil nunca dependeu tanto da "silent majority". Posso estar errado, é só uma visão... Um abraço.

sábado, 29 de abril de 2006 11:22:00 BRT  
Anonymous Marcus disse...

A comparação do José Augusto procede, e muito.

Sobre a eleição para prefeito em 2000, é muito exagero dizer que que Alckmin perdeu "raspando". O que ele perdeu de pouco foi a disputa do 2º lugar com Paulo Maluf... seria a mesma coisa que dizer que Brizola perdeu "raspando" a eleição para presidente em 1989...

sábado, 29 de abril de 2006 12:56:00 BRT  
Anonymous Swamoro Songhay disse...

A parte das CPIs, pode contribuir para colar a pecha de falta de ética. Difícil avaliar o tamanho do estrago se algo assim ocorrer. Contudo, o que falta, sobre essas CPIs, é informação sobre quais os fatos determinantes delas. Porém, concordo que estão subestimando as possibilidades do candidato. Nem tudo são e nem serão flores nos caminhos dos concorrentes. Os aspectos mais agudos da crise podem ter sido até superados no campo político, mas continuam no plano jurídico. Isso não será pouco. Nestas condições, embora a ansiedade possa até exigir estilo mais arrojado, o candidato poderá vir a aproveitar brechas que certamente surgirão.

sábado, 29 de abril de 2006 14:39:00 BRT  

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