domingo, 30 de abril de 2006

Os meus independentes e os seus (30/04)

O Globo traz hoje reportagem de Ilimar Franco sobre os sindicalistas levados ao governo por Lula. A Folha Online traz reportagem de Marta Salomon e Rogério Pagnan sobre o aumento das verbas oficiais destinadas a entidades como o MST, a CUT e a UNE. São duas ótimas matérias, que nos tranqüilizam. É bom saber que a democracia está em funcionamento no Brasil e que os grupos políticos e sociais (e eventualmente empresariais) de fato começam a revezar-se no poder.
Pois a democracia é isso mesmo. De tempos em tempos, a população escolhe quem vai comandar o Estado. Há uma parte do orçamento e dos cargos que não é influenciada pela mudança, mas há verbas e postos que só existem para atender às demandas trazidas pela turma que ganhou as eleições. Se alguém conhece uma fórmula melhor, que apresente. Aposto que não conseguirá. Churchill já disse que não existe e não foi desmentido, mesmo tendo passado tanto tempo.
Quem um dia negociou formação de chapa em centro acadêmico ou sindicato certamente conhece a piada.
Dois grupos se encontram para discutir a composição da diretoria:
- Nós temos que ter a maioria, pois somos mais fortes - diz o chefe do Partido A.
- Não, a maioria tem que ser nossa, pois nós temos mais apoio na base - retruca o chefe do Partido B.
- Pois então fazemos o seguinte: 40% para nós, 40% para vocês e o resto de independentes - propõe A.
- Está bem - diz B -, amanhã você me diz quem são os seus independentes para entrar na chapa que eu lhe digo quem são os meus.
A piada é velha, mas é boa. A camada tradicionalmente dominante na sociedade brasileira apresenta sua ojeriza à alternância no poder como se fosse a defesa de um suposto "republicanismo". Como se fosse a defesa dos "quadros técnicos" do Estado, contra a "invasão" dos "indicados pelos políticos". É de fazer rir, essa maneira "nobre" de não querer largar o osso, essa resistência a que os novos governantes exerçam democraticamente o poder conseguido nas urnas.

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2 Comentários:

Anonymous Marcus disse...

O PSDBFL só reclama do "aparelhamento do Estado" pelo PT porque, apeado do poder, perdeu seus aparelhos.

Os últimos 25 anos foram de alternância entre forças políticas irmãs, e o aparelhamento era feito com quadros semelhantes. Quando eles foram trocados pela nova geração petista, veio a gritaria.

Durma-se com um barulho desses.

domingo, 30 de abril de 2006 16:58:00 BRT  
Anonymous Fernando disse...

Democracia é dar dinheiro público para comprar pelegos? Conceito interessante. Churchill - invocado em vão neste post - deve estar se revirando...

segunda-feira, 1 de maio de 2006 10:41:00 BRT  

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