segunda-feira, 10 de abril de 2006

Lições grátis em francês (10/04)

Caiu a lei do primeiro emprego na França. O fracasso da iniciativa expõe a fragilidade de uma tese: de que reformas liberalizantes podem ser impostas, em países com sociedade civil forte, à revelia ou contra a opinião dos movimentos sociais dos trabalhadores e da juventude. Lição (gratuita) a quem acha que basta dinamitar Luiz Inácio Lula da Silva e o PT para fazer os ventos mudarem de sentido aqui no Brasil.

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11 Comentários:

Anonymous Paulo Calil disse...

Desculpe discordar, mas acho que a analise é por demais superficial. Em primeiro lugar, a economia européia precisa, sim, de reformas, uma vez o o estado de bem-social está se tornando insustentavel e fazendo com que a economia européia, em geral, e francesa em particular estejam perdendo espaco relativo no mundo. Até que ponto os sindicatos estão olhando para os próprios umbigos e a consequente perda de poder em uma economia mais dinâmica? (isso enquanto houver empregos, pois entre pagar um europeu e um indiano igualmente qualificados pra fazer o mesmo servico, nao precisa ser um genio pra saber qual seria a decisao da empresa).

Em segundo lugar, o Brasil nao é a França (o que significa dizer que nao tem uma sociedade civil forte). Se tivesse, Lula nao seria hoje presidente. A proposito, nao se viu em lugar algum manifestaç7atilde;o popular (espontanea, ou seja, não paga) alguma. Nem contra nem a favor do presidente. Ou seja, somos um povo apatico.

Em terceiro, "dinamitar Lula para fazer os ventos mudarem"?? Ora, Nao foi lula eleito para a mudanca? O que mudou?

segunda-feira, 10 de abril de 2006 09:14:00 BRT  
Anonymous Priscila Schneider disse...

Não sei se as reformas são necessárias. Talvez sejam. O que se provou é que não dava para fazê-las sem negociar previamente com os sindicatos e as organizações da juventude.
O Brasil tem uma sociedade civil (muito) forte. Apesar disso, depois de onze meses de crise, a oposição até hoje não conseguiu colocar nem meia dúzia de gatos pingados na rua para derrubar Lula. É a turma do "impeachment de salão", liderados pelo Miguel Reale Júnior, o filho do integralista.
Eu acho que o Alon quis dizer o seguinte: não basta tirar Lula e o PT e achar que o problema social e político da exclusão estará resolvido. Liquide-se esta esquerda e aparecerá outra. Eu concordo.

segunda-feira, 10 de abril de 2006 10:00:00 BRT  
Blogger Paulo C disse...

Alon, eu não imagino quem "acha que basta dinamitar Luiz Inácio Lula da Silva e o PT para fazer os ventos mudarem de sentido aqui no Brasil.". O tucanato pefelista, que presidiu a maior onde liberalizante que o país já viu, vendendo a preço de banana o quanto pode do patrimônio da União (sob a égide do "Estado Ineficiente", como se uma função primordial de um governo não fosse tornar o Estado eficiente)? Garotinho (aliás, não é de assustar o fato de os dois candidatos de oposição mais fortes postos neste instante serem fanáticos religiosos?), sem base ideológica, sentado sobre o mais estadual dos partidos, que ou vai governar pelo mesmo fisiologismo de venda de esquina de sempre ou vai enveredar imediatamente no populismo tosco? Resta o pouco que restou do PT "autêntico", que tem pouca ou nenhuma chance de resgatar o partido e o projeto do abismo onde o aparato burocrático os fez cair. Enfim, eu não vejo de onde podem soprar os tais ventos de mudança...

segunda-feira, 10 de abril de 2006 10:53:00 BRT  
Anonymous Richard Lins disse...

CONCORDO COM TODOS TBM!!! Acho que o recado não foi bem dado. como disse o Paulo Calil, Lula foi eleito p/ fazer a mudança (de ventos)... como não mudou muita coisa, ficamos numa zona de calmaria. E vejam que, no início do governo, ele tinha cacife político p/ impor... mas preferiu o continuísmo, o caminho + fácil e acabou se perdendo. Só não acredito nas nossas "instituições fortes", ainda tem muita manobra, muito dirigismo... tem a Globo, gente!

segunda-feira, 10 de abril de 2006 11:28:00 BRT  
Anonymous paulob disse...

Só faltava essa. Dizer que o Lula não mudou nada. Então a direita tá tentando derrubar ele por quê? Vamos botas a cabeça no lugar, gente!

segunda-feira, 10 de abril de 2006 11:38:00 BRT  
Anonymous Renato Guimaraes disse...

Realmente, é uma analise muito simplista achar que derrubar "o que está aí" garante por si só uma mudança de rumo. Mesmo porque a alternativa (a inefável dobradinha PSDB-PFL) nao chega a ser uma alternativa de verdade.
Um abraco,
Renato

PS: escrevi no Tordesilhas uma análise sobre o fenomeno Ollanta Humala no Peru. Dá uma olhadinha quando tiver tempo.

segunda-feira, 10 de abril de 2006 13:16:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Meu amigo Alon, em questão de preservação de direitos, não há esquerda nem direita na França: são todos contra a mudança. A direita que Villepin representa, com apoio reticente de Chirac, é mais "mercadista", sem ponto de contato com a direitona clássica e sequer com a extrema-direita, fortíssima no país da igualdade da igualdade, fraternidade e solidariedade.
Pragmaticamente falando, os sindicatos franceses são expressão da classe média. Só levam a melhor quando ambos interesses estão sintonizados. E a estudantada... Bem, revolucionária só o é na cabecinha dos radicais de 68. Basta que cresça um pouco e vira toda ela parte do jogo dominante. A França é uma economia de mercado de estado, se é que faz sentido tal expressão, mas tem sido assim desde Luis XIV.

segunda-feira, 10 de abril de 2006 14:17:00 BRT  
Anonymous Luis Carlos disse...

Pessoal, Será que entendi o que o Alon quis assuntar? Neste mundo maluco em que estamos, para continuarem competitivas muitas economias estão sendo forçadas pelo mercado a fazerem reformas. A pressão é grande sobre a Europa e seu Welfare State. A idéia é desmantelá-lo para poderem competir com a Ásia e os Estados Unidos. O mesmo ocorre no Brasil, que tem um Welfare State cego, surdo e manco, mas que tem um custo de muitos $$$$. Os liberais querem as reformas para o País poder competir. Reforma significa, entre outras, mexer em previdência e direitos trabalhistas. A pergunta é; com Lula e PT dizimados, dado suas ligações com determinados partes da sociedade que perderam com a reforma, eles (os liberais) conseguem fazer as reformas passarem? Acho que esta história tem ligação com um outro post do Alon em que ele diz ter uma tese na qual defende que o Lula seria a ultima chance de sermos um país capitalista de verdade. Ou seja se é para fazer o "jogo sujo" deixa com o barbudo que ele explica para a patuléia. É isso, Alon?

segunda-feira, 10 de abril de 2006 15:50:00 BRT  
Anonymous luis carlos disse...

CORREÇÃO: onde escrevi "perderam com a reforma" era para sair "perderão com as reformas".

segunda-feira, 10 de abril de 2006 16:07:00 BRT  
Anonymous Paulo Adolfo disse...

Caro Alon,

Muito pertinaz sua observação sobre a "Lição (gratuita) a quem acha que basta dinamitar Luiz Inácio Lula da Silva e o PT para fazer os ventos mudarem de sentido aqui no Brasil", ventos que, entendo, seriam os de um reforço do neoliberalismo a partir de um retorno dos tucanos-pefelês ao governo central. A questão é que Lula, o PT e outros setores de esquerda a eles aliados se constituíram na expressão direta dos movimentos de resistência ao neoliberalismo, ao longo da década de 90, e continuam sendo reconhecidos como tal por uma maioria ainda expressiva que não caiu na conversa choramingueira de intelectuais debandados para o ultra-esquerdismo nem se tem deixado enganar pelo moralismo hipócrita vomitado pela mídia mainstream.

terça-feira, 11 de abril de 2006 10:53:00 BRT  
Anonymous Ollec disse...

É sempre bom ver os franceses tomando porrada da própria polícia... melhor ainda franceses estudantes... melhor ainda eles estando errados!!! É muita diversão...

"sociedade civil forte"... ehehhehehe....
"opinião dos movimentos sociais dos trabalhadores"... e "da juventude"....
AHAHAHAHAHAH!!!
O Povo! Unido! Desemprego garantido!!

terça-feira, 11 de abril de 2006 14:38:00 BRT  

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