quarta-feira, 26 de abril de 2006

Jornalismo plural (26/04)

Está em O Globo de hoje, cuja manchete é "Ano eleitoral faz Lula gastar R$ 7,4 bi a mais no trimestre":
"O preço de abrir o cofre
O quadro de deterioração das contas públicas, antecipado por vários especialistas e entidades nas últimas semanas, foi confirmado ontem pelo próprio governo federal. Tesouro Nacional e Banco Central (BC) gastaram no primeiro trimestre deste ano R$ 7,4 bilhões a mais do que no mesmo período do ano passado com itens como pessoal, custeio da máquina e benefícios assistenciais, provocando uma redução no superávit primário — economia para o pagamento de juros da dívida — de 3,89% do Produto Interno Bruto (PIB) entre janeiro e março de 2005 para 3,06%.
Foram economizados para quitar encargos R$ 14,607 bilhões, ou R$ 2,432 bilhões a menos do que no mesmo período do ano passado. Também pesou na piora do indicador — o termômetro das condições fiscais do país, observado por todos os investidores internacionais — o aumento do déficit da Previdência no período (R$ 2,6 bilhões). Além disso, enquanto as despesas cresceram 14,5%, as receitas subiram apenas 9,2%.
O resultado do trimestre caiu apesar do aumento da economia do governo em março. O superávit do mês foi de R$ 7,070 bilhões, R$ 514 milhões superior ao de março de 2005 e praticamente o dobro do superávit realizado em fevereiro deste ano, que foi de R$ 3,6 bilhões. (...)"
Clique aqui para ler a reportagem completa de O Globo.
Você pode ler sobre o mesmo assunto na Folha de S.Paulo, cuja manchete é "Gasto federal cresce 14% no início do ano eleitoral":
"Gastos do governo sobem 14,5% no 1º tri -
Despesas aumentaram R$ 11,3 bi no período em comparação a 2005; dispêndio com pessoal e máquina cresce R$ 6,9 bi - Os gastos do governo federal cresceram 14,5% nos três primeiros meses de 2006, ano eleitoral, segundo dados divulgados ontem pelo Tesouro Nacional. Embora ainda não seja oficial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá ser candidato à reeleição. O aumento nas despesas poderá ajudar no seu desempenho eleitoral.
Em números, as despesas da União, da Previdência Social e do Banco Central aumentaram R$ 11,3 bilhões no trimestre e chegaram a R$ 88,879 bilhões no final de março -contra R$ 77,621 bilhões no mesmo período do ano passado. Esse desempenho foi influenciado pelos gastos com pessoal e manutenção da máquina pública, que cresceram no período R$ 6,9 bilhões.
O crescimento dos gastos classificados como outras despesas com custeio e capital, que inclui os programas sociais como Bolsa-Família e manutenção dos ministérios, foi de R$ 2,1 bilhões no primeiro trimestre deste ano, aumento de 13,8% sobre o mesmo período do ano passado. (...)"
Clique aqui para ler a reportagem completa da Folha de S.Paulo.
Ou você pode preferir ler no Valor Econômico, jornal dos grupos Folha e Globo:
"Março tem superávit superior ao de 2005 -
Depois do susto de janeiro, o governo central conseguiu em março, pela segunda vez consecutiva, fechar as contas do mês com superávit primário superior ao de março do ano passado. As receitas nãofinanceiras do Tesouro, Previdência Social e Banco Central superaram as despesas em R$ 7,07 bilhões, ante R$ 6,55 bilhões em março de 2005.
Quando se comparam valores acumulados em cada ano, o superávit de 2006 ainda é menor. Mas a diferença de resultado primário em relação a 2005, que foi de R$ 4,1 bilhões em janeiro, e recuou para R$ 3,03 bilhões em fevereiro, caiu ainda mais, para R$ 2,43 bilhões em março. Como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), o superávit primário acumulado em três meses pelo governo central caiu de 3,89% em 2005 para 3,06% em 2006.
(...) As despesas cresceram de R$ 25,51 bilhões para R$ 27,99 bilhões, principalmente por expansão de gastos obrigatórios. Dos R$ 2,48 bilhões desembolsados a mais do que em março de 2005, só os benefícios da Previdência Social e a folha de pessoal e respectivos encargos responderam por R$ 2,31 bilhões.
(...) Dentro da diferença total de R$ 11,26 bilhões, a variação de gastos efetivamente discricionários (que o governo pode cortar) respondeu por apenas R$ 1,5 bilhão aproximadamente, cerca de 13%. Ainda que pequena diante do total, o governo tentou evitar que a ampliação de despesas discricionárias se concentrasse em custeio. Preferiu privilegiar investimentos, que, sozinhos, foram responsáveis por dois terços da ampliação. Proporcionalmente ao que ocorreu no período de janeiro a março de 2005, o volume de investimentos deu um salto, passando de R$ 1,3 bilhão para cerca de 2,3 bilhões no primeiro trimestre do ano em curso (...). (...)"
Clique aqui para ler a reportagem completa do Valor Econômico.
Mas você pode ainda preferir ler o que os analistas das consultorias dizem a respeito do assunto para seus clientes. "Primário acima do esperado indica que não há aumento preocupante da despesa" afirma a consultoria Tendências. E complementa: "O resultado primário do governo central, divulgado ontem pelo Tesouro Nacional, ficou ligeiramente acima da nossa expectativa (R$ 6,5 bilhões) e registrou um superávit de R$ 7,1 bilhões. A maior parte da disparidade decorre do resultado da Previdência Social, que registrou um déficit de R$ 2,6 bilhões, cerca de R$ 400 milhões abaixo do esperado. (...)"
Ou seja, há interpretações para todos os gostos. Globo e Folha dizem que o governo gasta mais porque estamos em ano eleitoral. Valor e Tendências relativizam. Se você quiser saber quem está com a razão, acompanhe o mercado financeiro e o Risco Brasil. Se houver de fato descontrole nos gastos, os juros futuros vão subir, assim como o deságio dos títulos da dívida brasileira. Você sabe: o mercado vota com os pés.

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6 Comentários:

Anonymous .xavier disse...

que post bagunçado.. dá até preguiça de ler..

precisava ser tão extenso.

quarta-feira, 26 de abril de 2006 10:58:00 BRT  
Anonymous Marcos disse...

Precisava sim, Xavier. Fantastico Alon. Quem é leitor de apenas um jornal fica com a versão deste. Mesmo por que, este é um assunto chato, apesar de importante. Fica a impressão que economia é coisa de palpiteiros. Como no futebol as opinões vão de acordo com o time que se torce.

quarta-feira, 26 de abril de 2006 12:25:00 BRT  
Anonymous José Augusto disse...

Ótima nota, para mostrar como há fatos e versões em nossa imprensa. E como está árduo o trabalho da oposição e de determinada imprensa ao querer ajustar a realidade à sua esdrúxula teoria.
Querer explicar que o Brasil não está melhor, que a vida dos 40 ou 50% dos pesquisados que escolhem Lula não melhorou, que (por bem ou por mal) a impunidade diminuiu à falta de controle governamental para estancar as investigações e publicações na imprensa, é tarefa tão ingrata quanto querer revogar a Lei da Gravitação Universal de Isaac Newton.
Melhor seria renderem-se à inevitável realidade, e apresentarem uma planta de construção de Brasil, melhor edificada do que a do atual governo, se tiverem-na. Poderiam nela inserir suas explicações de causa e efeito do passado no presente. Senão vingasse para 2006, pelo menos serviria de plataforma de lançamento consistente para 2010.
Mas, cada qual com seu fundamentalismo oposicionista. A quem dele desfruta ou ganha o pão, bom trabalho. Aos demais, boa terapia de desabafo.

quarta-feira, 26 de abril de 2006 12:54:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Qual a surpresa? Era esperado, afinal vossa excelencia o pres. esta absolutamente dentro da sua pregação, isto é, tirar dos ricos para dar aos pobres. Só que quem sera penalizado será o povo em geral, quem viver verá, será uma terra arrasada, igual aonde passou o terrível Atila da história antiga, aonde ele passou nem capim nasceu mais, segundo a história.
Yoshio - Japão

quarta-feira, 26 de abril de 2006 16:35:00 BRT  
Anonymous Luis Carlos disse...

O leitor, e eleitor, atento percebe cada vez mais que a imprensa também vive sua crise. Neste caso, de credibilidade. Ao ler os jornais durante a semana nota-se um certo cheiro de queimado. É o filme da imprensa queimando. Assim como há as publicações "chapa branca", às quais Lula agradece, também há os "Boletim dos Tucanos", como certo jornal tradicional de São Paulo, também conhecido como "Geraldo News". Nós, leitores/eleitores, ficamos ainda mais perdidos neste mato (sem cachorro!), porque à ausência de imparcialidade junta-se a falta de rigor na cobertura das matérias de economia e política. Devido às contradições nas informações econômicas (não só em relação a gasto público!), eu fico com a sugestão do Alon, é só olhar os movimentos do mercado financeiro: juros, risco-brasil, comportamento da bolsa e dólar. São movimentos baseados em análises de bancos e consultorias. Afinal, um banco ou consultoria não vão empregar um analista que faça uma análise contaminada por preferência partidária ou, que se mostre incompetente e não apure, a fundo, determinadas variáveis da economia.
Mas não deixemos de ler os jornais, afinal eles dão bola dentro de vez em quando...

quarta-feira, 26 de abril de 2006 17:09:00 BRT  
Blogger Alon Feuerwerker disse...

26/04/2006 - 12h31
Resultado fiscal no 1o tri cai apesar de março recorde

BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil registrou em março um superávit primário recorde para o mês ajudado pelas estatais, mas encerrou o primeiro trimestre do ano com "economia" menor que em igual período do ano passado.

O superávit primário do setor público consolidado alcançou 13,186 bilhões de reais no mês passado, frente a 12,258 bilhões de reais em março de 2005, informou o Banco Central nesta quarta-feira.

Em 12 meses encerrados em março, o superávit primário é equivalente a 4,39 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) --acima da meta fiscal de 4,25 por cento do PIB estipulada para este ano.

No primeiro trimestre, no entanto, o superávit acumulado foi de 20,981 bilhões de reais (ou 4,39 por cento do PIB) e ficou abaixo da cifra de 27,677 bilhões de reais (ou 6,32 por cento do PIB) de igual período de 2005.

"A tendência natural é continuar com resultados próximos à meta", afirmou a jornalistas o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.

O desempenho das contas públicas é um dos dados mais acompanhados por investidores, principalmente num ano eleitoral em que crescem os temores de aumento dos gastos públicos.

A avaliação de analistas é que as despesas serão aceleradas, pois a partir de meados do ano há impedimento legal para alguns gastos, justamente por conta das eleições.

CONTRIBUIÇÃO DAS ESTATAIS

Para o estrategista-chefe do BNP Paribas, Alexandre Lintz, o resultado de março "reforça que o governo ainda está comprometido com uma política fiscal ortodoxa no ano eleitoral".

Ele acrescentou que o superávit primário ficou acima das estimativas do mercado, em torno de 9,5 bilhões de reais. "As empresas estatais tiveram uma importante contribuição para essa forte performance", acrescentou em relatório.

No mês passado, o superávit primário foi turbinado pelo resultado das estatais --de 5,494 bilhões de reais, também o melhor para meses de março, ante 3,311 bilhões de reais em igual mês do ano passado.

Os governos regionais (Estados e municípios) registraram saldo positivo de 2,077 bilhões de reais, frente 1,742 bilhão de reais em março de 2005.

O governo central --formado por governo federal, Banco Central e Previdência-- obteve superávit de 5,614 bilhões de reais, inferior ao de 7,205 bilhões de reais do ano passado.

De acordo com Lopes, do BC, o crescimento do saldo das estatais já era esperado. Ele citou que, como fevereiro teve poucos dias, alguns negócios realizados naquele mês foram registrados apenas em março.

O desempenho do setor público em março foi superior aos juros apropriados sobre a dívida --o que possibilitou o registro de superávit nominal pela primeira vez desde abril de 2005, de 286 milhões de reais.

O BC informou ainda que a dívida líquida total do setor público ficou em 51,7 por cento do PIB em março, frente a 51,8 por cento do PIB em fevereiro.

Para o encerramento do ano, a previsão do BC foi reduzida de 50,5 por cento do PIB para 50,0 por cento. Segundo Lopes, a mudança deve-se à melhora das perspectivas do mercado.

(Por Isabel Versiani)

quarta-feira, 26 de abril de 2006 19:36:00 BRT  

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