segunda-feira, 10 de abril de 2006

Humala, García, França e Garotinho (10/04)

Ainda não está definido quem vai ao segundo turno no Peru, mas há chances reais de irem Ollanta Humala (nacionalista) e Alan García (centro-esquerda). Lourdes Flores (liberal) luta voto a voto para não ficar de fora. Quando falei do sentido do vento, na nota anterior, referia-me a fenômenos como esse a que assistimos no país andino. A revolta que fez o governo francês recuar e as dificuldades eleitorais do candidato do PSDB no Brasil fazem parte do mesmo cenário. Importa menos, acho, o que cada personagem desses dramas pensa de si mesmo. Vale mais tentar entender as correntes históricas que arrastam os personagens. Há forças novas, emergentes, que se expressam fortemente pela primeira vez em muito tempo (França) ou pela primeira vez desde sempre (Peru). Excluí-las dos cálculos políticos é cegueira. É como quebrar o relógio imaginando que isso fará o tempo parar.

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4 Comentários:

Anonymous Leonardo Valles Bento disse...

Mais ou menos. No Chile elegeu-se uma candidata liberal. Na Itália, Berlusconi deve também obter a maioria. E convém não esquecer os Estados Unidos, que tem provavelmente a sociedade civil mais robusta do mundo e lá essa sociedade civil se mobiliza justamente para reduzir impostos, porque o povo americano tem horror a impostos. Reelegeram Bush. Na Holanda, os sindicatos tradicionalmente apoiam a democracia cristã e não os socialistas.
Em suma, não é verdade que a sociedade civil se mobilize necessariamente a favor de políticas sociais.

segunda-feira, 10 de abril de 2006 19:46:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

Mais ou menos. Michelle Bachelet é uma guinada à esquerda na aliança DC-PS no Chile. Mas vc tem razão, isso não é uma regra universal. Só que hoje o elemento dinâmico está nos movimentos sociais. Isso não depende de se estar contra ou a favor deles. É resultado da observação.

segunda-feira, 10 de abril de 2006 19:55:00 BRT  
Anonymous Marcus disse...

Não lembro de ter visto qualquer mobilização da sociedade norte-americana por redução de impostos. O que vi foram as mobilizações contra a nova lei de imigração. Não entendi a que se refere o Leonardo.

terça-feira, 11 de abril de 2006 19:23:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Definitivamente não houve tal mobilização nos EUA. Muito pelo contrário - a redução de impostos favoreceu os ricos de lá, sendo exatamente por esta razão bombardeada pelo liberais e democratas. Não pela diminuição em si, mas pela forma feita.
E acho que estes ventos que o Alon cita são ventos ocorridos em países que prometeram avanços à sociedade, mas que foram enganadas, ludibriadas ou simplesmente ignoradas por discursos vazios, políticas monetárias ultra-restritivas que, num primeiro momento estancaram a inflação, mas que logo em seguida, se voltou contra, sem esperança de melhora - ainda mais pelo discurso único existente (reforma da previdência em um país com 60% de mão-de-obra ilegal, por exemplo).

quarta-feira, 12 de abril de 2006 00:34:00 BRT  

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