segunda-feira, 20 de março de 2006

A verticalização, a cláusula de barreira e a iatrogenia na política (20/03)

Toneladas de papel e tinta foram gastos na imprensa e na academia para mostrar como a vigência simultânea da verticalização e da cláusula de barreira iria melhorar nosso sistema político, conferir-lhe mais coerência e organicidade e facilitar a governabilidade.

Profetizar é sempre perigoso, mas desconfio dessa terapia. Acho que vai causar mais problemas do que benefícios ao paciente. Clique aqui para conhecer mais sobre iatrogenia, quando os remédios causam a doença em vez de eliminá-la.

A combinação perversa dos dois mecanismos vai levar (já está levando) à escassez de candidatos a presidente da República. Certos mesmo, só Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Geraldo Alckmin (PSDB). Garotinho vai ter que guerrear morro acima, como se diz, para arrancar a legenda do PMDB na convenção de junho. E nem Heloísa Helena (PSol) está garantida.

Essa pobreza de opções para o Executivo terá como contraponto a miríade de alternativas para o Legislativo, temperada pelo maior festival de alianças em eleição proporcional já visto na história das votações brasileiras. Portanto, dá para apostar que a coligação vitoriosa na eleição presidencial não conseguirá mais que 30% (numa previsão otimista) das cadeiras na Câmara dos Deputados.

Bingo! O mundo girou, a Lusitana rodou e voltamos no túnel do tempo, para antes de 5 de junho de 2005, quando Roberto Jefferson deu sua primeira entrevista à Folha de S.Paulo. O sistema eleitoral cinzelado pelo Congresso, pelo governo e pelo Judiciário para o "pós-mensalão" reproduz e agrava as condições que levaram à eclosão do maior escândalo do governo Lula.

Boa coisa não pode dar.

2 Comentários:

Blogger Daniel disse...

Alon,

De fato a verticalização, ao contrário do que foi ventilado por tanta gente na mídia, pouco contribui para dar coerência ao nosso sistema político - seu único efeito prático acaba sendo reduzir o número de candidaturas majoritárias, o que em si não é necessariamente bom ou ruim. Já a cláusula de barreira não dá para negar que é um grande passo. Eliminar o balcão de negócios que são os partidos nanicos brasileiros pode ser uma melhoria incremental, mas é um passo importante rumo à racionalidade do sistema. Deveria ser complementado por outros, como maior rigor na fidelidade partidária e fim das coligações em eleições proporcionais. Mas não deixa de ser um marco importante.

segunda-feira, 20 de março de 2006 14:19:00 BRT  
Blogger Ricardo disse...

Mas Alon, em que a verticalização pioraria? A bagunça do sistema eleitoral com o PMDB apoiando quem quiser continuaria a mesma. Mesmo sem verticalização, nenhum eleito conseguiria maioria fácil. Não vejo como isso poderia ser evitado. O que se evita, sim, são candidaturas frouxas, pessoais, e que levariam a um "simpático" sendo eleito sem qualquer suporte partidário, como foi o caso de Collor.

segunda-feira, 20 de março de 2006 14:25:00 BRT  

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