segunda-feira, 27 de março de 2006

Uma guinada desenvolvimentista (27/03)

Nesta altura do campeonato você já sabe que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, caiu depois que o presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, disse que foi Palocci quem lhe pediu para (mandou) violar o sigilo bancário de Francenildo Costa. Você sabe também que o novo ministro é o presidente do BNDES, Guido Mantega. Acabo de cruzar com um assessor de Mantega no terceiro andar do Palácio do Planalto. Ele me diz que a prioridade do novo ministro será o crescimento da economia, sem mexer nos fundamentos da política macroeconômica. Sorrindo, soltou essa: "acho que agora acabou a época dos tucanos no Ministério da Fazenda". Quando eu ia perguntar se isso era uma piada ou era a sério, o segurança me tirou dali. Reservadamente, assessores de Mantega dizem que será tarefa dele dar a Lula não apenas um discurso desenvolvimentista, mas medidas que tirem da oposição essa bandeira na campanha eleitoral.

Clique aqui para assinar este blog

3 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Hilariante. Quer dizer que vocês acham que o governo Lula ainda tem política econômica?

segunda-feira, 27 de março de 2006 20:13:00 BRT  
Anonymous Anônimo disse...

20h03 — O novo ministro da Fazenda, Guido Mantega, acaba de dar sua primeira entrevista coletiva como ocupante da pasta deixada por Antonio Palocci e disse que a política econômica não muda. A declaração foi feita antes mesmo de os jornalistas iniciarem suas perguntas. “Quero me antecipar e dizer que a política econômica não se altera porque a política econômica que praticamos não é do ministro Palocci, da ministra Dilma [Rousseff, da Casa Civil], é do presidente Lula. O presidente Lula é o fiador dessa política econômica”, disse Mantega. Ele acrescentou que a decisão de manter parte de uma avaliação de que a política está funcionando. “É a mais bem sucedida dos últimos 15 anos”, afirmou. Questionado se o seu histórico de crítico da política monetária autoriza imaginar que vai haver uma aceleração na redução das taxas de juros, Mantega respondeu: “Não fui indicado para o Banco Central”. Ele acrescentou, porém, que, agora, como membro do Conselho Monetário Nacional estará “interagindo com o Copom [Conselho Política Monetária do BC] na definição das metas de inflação”. Disse ainda que fará um “esforço para que juros sejam reduzidos cada vez mais” e que o “Brasil já conseguiu controlar a inflação e isso permite uma redução sistemática da taxa de juros”.

segunda-feira, 27 de março de 2006 20:14:00 BRT  
Anonymous Dourivan Lima disse...

Uma coisa é o que o Mantega diz, outra o que ele pensa. A revelação do Alon é interessante, mas será que o "timing" para essa virada não passou? A Eliane Catanhede levantou uma questão interessante na Folha: e se sair o Meirelles? Não que eu ache que ele seja toda essa Coca-Cola, mas pode ser que o Lula realmente não encontre quadros a esta altura para tocar uma mudança que não soe como uma manobra desesperada e que, esta sim, exigirá talentos diferentes daqueles que Palocci mostrou para repetir lugares comuns dos manuais de economia como se fossem manifestações de sabedoria econômica.

terça-feira, 28 de março de 2006 10:19:00 BRT  

Postar um comentário

<< Home