terça-feira, 28 de março de 2006

Um trecho do discurso de saída de Palocci (28/03)

A respeito do post anterior neste blog (Uma aposta que se esgotou), destaco trecho do discurso de despedida do ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci, hoje no Palácio do Planalto:

"O que mais me encheu de confiança é a certeza de ter procurado um novo caminho para a convivência serena e civilizada entre contrários. Uma nova trilha para o exercício da tolerância e da colaboração. O Brasil tem uma longa, longuíssima, tradição de oposições ferozes, de pactuações sempre recusadas. E em que pese as nossas tradições de cidadãos cordiais, no plano social, nossas instituições políticas estão cravadas de rancores. E isso tem criado grandes dificuldades para o avanço institucional do país. Talvez eu tenha falhado nesta minha crença da convivência pacífica. Talvez ela seja ingênua. Talvez ela não tenha ainda lugar em nosso tempo. Mas eu, mesmo assim, prefiro ter uma visão otimista de que isso é possível num país que tem abismos sociais tão grandes a superar. Minha fé no Brasil e nas pessoas continua inabalável."

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3 Comentários:

Anonymous Artur disse...

Uma palavrinha só: BINGO!
E continue. A tal da "blogosfera jornalística" precisa, muito, de oxigênio.
Como bom quasi-médico, vc bem sabe que O2 é uma molécula essencial para que haja boa taxa de transferência nas sinapses.
abs

terça-feira, 28 de março de 2006 21:23:00 BRT  
Anonymous Fernando disse...

Este trecho do discurso beira ao escárnio. Depois de cometer diversos crimes, perseguir e vilipendiar um pobre coitado, enganar a CPI ea população, este senhor vem nos falar que acredita em convivência pacífica e em ingenuidade. Nem Lula conseguiria mentir com tanta cara de pau.

terça-feira, 28 de março de 2006 22:34:00 BRT  
Anonymous Dourivan Lima disse...

Com certeza, o Palocci leva esse crédito, da tolerância, do trato civilizado. Tem razão ainda na análise das "tradições políticas cravadas de rancores". Há mais de meio século, Gilberto Freyre escreveu uma despretensiosa crônica para jornal em que faz, de passagem, uma análise até hoje atual sobre isso. Se olharmos somente a história do Brasil independente, no Império e na República, vamos ver a desqualificação moral e a agressão física como armas rotineiras no dia-a-dia da política. Acho sinceramente lamentável a forma como se deu a saída de Palocci da Fazenda - assim como acho que a execração pública de Ricupero foi um espetáculo ainda mais condenável e também que Chico Lopes merecia uma saída melhor do BC, assim como LC Mendonça de Barros do extinto Ministério do Desenvolvimento. Esse, infelizmente, é um risco constante quando os políticos e a imprensa tornam corriqueiros métodos heterodoxos de investigação. E aí Palocci também tem sua parcela de culpa, num episódio que lembra mais o do senador Arruda com a violação do painel do Senado. A violação do sigilo bancário do caseiro, cujos indícios não me permitem apostar na inocência do ex-ministro, foi uma bisonha tentativa de combater a terra-arrasada com o vale-tudo.

quarta-feira, 29 de março de 2006 09:03:00 BRT  

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