quarta-feira, 1 de março de 2006

Risco de disputa na convenção tucana (01/03)

Alon Feuerwerker

Publicado no Correio Braziliense, em 02 de março de 2006
- Políticos do núcleo mais próximo ao governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, vão discutir com ele a hipótese de levar até a convenção do PSDB, prevista para junho, a disputa pela vaga de candidato tucano à Presidência da República. Ao longo do dia de hoje, o governador realiza em São Paulo contatos com seus apoiadores, pressionado pela posição da cúpula partidária a favor do outro pré-candidato, o prefeito de São Paulo, José Serra. Se decidir apresentar-se em junho aos convencionais, Alckmin obrigará Serra a renunciar ao cargo de prefeito, no começo de abril, sem ter a garantia formal de que vai ser mesmo o nome do PSDB para enfrentar, em outubro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os alckministas sabem que, mesmo nesse cenário extremo, Serra largaria como favorito dentro do partido. Mas avaliam que uma campanha de quase quatro meses, ainda que teoricamente voltada para o público interno, teria suficiente expressão e cobertura de mídia para dar a Alckmin a projeção nacional que hoje lhe falta na comparação com Serra. Acreditam que, nesse período, o prefeito ficaria preso a uma agenda negativa, a saída da Prefeitura, deixando ao governador terreno livre para evoluir no debate dos grande assuntos nacionais. Admitem, entretanto, que esse passo seria um caminho sem volta, representaria na prática o rompimento político do governador não apenas com Serra, mas principalmente com os caciques que hoje controlam a legenda, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o presidente da agremiação, senador Tasso Jereissati (CE).

Nos últimos dias, o governador tem emitido sinais contraditórios. Ao retornar dos Estados Unidos, onde assinou convênios do estado com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), elogiou a tradição americana de disputas nas convenções partidárias. Em outros momentos, dá pistas de que vai aceitar uma eventual decisão da cúpula a favor do prefeito. De todo modo, a resistência de Alckmin já inviabilizou o cenário ideal desejado por Serra, de uma convocação unânime do partido que atenuasse o desgaste de deixar a Prefeitura de São Paulo com dois anos e nove meses de mandato a cumprir.

De volta de Buenos Aires, onde passou parte do carnaval, o prefeito deve encontrar-se com Tasso em São Paulo. Ouvirá do senador cearense mais um pedido para assumir oficialmente a candidatura e tentar estancar a sangria tucana, desatada desde que serristas e alckministas entraram em guerra pelo direito de concorrer com Lula. Entre os apoiadores do prefeito, a avaliação é de que ele gostaria de atrasar ao máximo essa definição, mas admitem que dificilmente conseguirá resistir indefinidamente à pressão do presidente do partido por uma solução mais rápida.

"Agora, a bola está com o governador, ele já sabe qual é a nossa opinião", diz o deputado federal alckminista Júlio Semeghini (SP). O serrista Jutahy Magalhães (BA), líder na Câmara dos Deputados, descreve o mesmo cenário: "A decisão será pessoal do prefeito, ele já tem os elementos para julgar". Entre os alckministas, há a esperança de que Serra resolva que o risco é grande demais para ser corrido. O PSDB tem hoje a Prefeitura de São Paulo e o governo do estado, além de sonhar com o Palácio do Planalto. Se errar, pode terminar o ano sem os três. Entre os serristas, a torcida é para que Alckmin aceite ficar no governo até o fim e ajude Serra a derrotar um Lula que parecia anêmico quando começou a luta interna dos tucanos, mas que hoje está vitaminado pelas pesquisas que voltaram a apontá-lo como favorito.

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1 Comentários:

Blogger Ricardo disse...

Se esta é a "tática" de Alckmin para ser ungido candidato, é melhor já fazer uma coligação com Lula, pois a derrota é mais do que certa. O PSDB entraria numa luta fraticida esdrúxula até junho, sairia rachado, prontinho para tomar uma lavada nas urnas, além de perder a prefeitura, o senado e até mesmo o governo de SP. Isso tudo para quê? Para que em 2010, depois que o Brasil estivesse destruído de vez pelo governo conservador/populista/coronelista de Lula, se cacifar para... brigar com o Aécinho!
Muito bom de estratégia esse povo, hein? Quantos anos os tais alckmistas levaram para elaborar essa idéia?

quinta-feira, 2 de março de 2006 00:42:00 BRT  

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