sexta-feira, 10 de março de 2006

Risco de confronto na disputa tucana (10/03)

Alon Feuerwerker

Publicado no Correio Braziliense, em 11 de março de 2006 - O prefeito de São Paulo, José Serra, decide no fim de semana se vai enfrentar uma disputa interna dentro do PSDB com o outro pré-candidato tucano, o governador paulista Geraldo Alckmin, para definir quem será o desafiante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em outubro. Em reuniões separadas ontem em São Paulo com Alckmin e Serra, o triunvirato encarregado de coordenar a escolha da candidatura novamente não conseguiu bater o martelo.
Alckmin reafirmou que não desiste em favor de Serra e este disse que, então, vai avaliar os custos políticos de um confronto dentro do partido. Se até terça-feira um dos dois não recuar, a executiva nacional precisará dizer qual será a instância partidária convocada para tomar a decisão: a própria executiva, o diretório (talvez ampliado com deputados e senadores) ou uma prévia.
Os estatutos do PSDB não definem o formato de eventuais prévias, deixando essa decisão para o diretório. Os tucanos têm pouco mais de duas semanas para resolver o imbróglio, por causa dos prazos legais de desincompatibilização.
Reunidos no começo da tarde com Alckmin no Palácio dos Bandeirantes, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, e o presidente do partido, senador Tasso Jereissati (CE), ouviram do governador que ele vai até o fim e que caso Serra não recue o melhor mesmo será fazer uma consulta formal ao partido.
Em seguida, no encontro com Serra, ouviram dele que está disposto a enfrentar Lula, que se considera com mais condições que Alckmin de derrotar o petista, mas precisa de um mínimo de unidade partidária para ter sucesso na empreitada.
Até ontem, Serra não havia admitido explicitamente a hipótese de disputar uma pré-convenção com Alckmin. A resistência deste introduziu um novo elemento no cenário. O prefeito avalia que tem maioria no partido, mas uma disputa que extrapole certos limites poderia fazer o candidato tucano sair "com uma asa quebrada", na palavra de um serrista. Já entre os partidários de Alckmin, a aposta é que Serra não "atravessará o rubicão", nos termos de um alckminista. Acham que o prefeito evitará o confronto e analisará "com carinho" a hipótese de disputar o governo do estado.
O ceticismo sobre a vontade do prefeito de ir para a disputa levou ontem os partidários do governador a avaliar que a fatura está perto de ser liquidada a favor de Alckmin. Mesmo no triunvirato, há dúvidas sobre a disposição de Serra para o combate. Mas serristas ouvidos pelo Correio dizem ter detectado no prefeito a tendência de colocar seu nome na mesa.
Talvez excessivamente otimista, Tasso anunciou ontem que o resultado final será revelado oficialmente na próxima terça, e que até lá vai realizar consultas no partido, principalmente com os governadores tucanos. "O Aécio terá uma rodada de conversas neste fim de semana, com vários governadores", afirmou.
Pela manhã, Alckmin negou que haja um impasse. "Não há impasse. Há um projeto de conversa, de amadurecimento. O que falta é um desfecho. Eu diria que já andou 90%. Quando eu digo 90%, é uma força de expressão para dizer que o processo está no fim", afirmou.

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