quarta-feira, 29 de março de 2006

O que é governar no Brasil? (29/03)

Duas famosas frases atribuídas a Washington Luís caíram em desuso faz tempo. Dizia o presidente derrubado pela Revolução de 30 que “a questão social é um caso de polícia” e que “governar é abrir estradas”. A primeira frase morreu de morte morrida, para usar um termo de João Cabral de Melo Neto, quando o país se urbanizou e o peso eleitoral dos trabalhadores passou a ser decisivo na escolha dos governantes. Que a segunda está morta, sabemos todos os que trafegamos por alguma rodovia federal nos últimos tempos.

Luiz Inácio Lula da Silva tentou uma adaptação da segunda frase de Washington Luís. Algo como “governar é tapar buracos nas estradas”. Não sei se passará aos livros de História com isso. Nos dias que correm, duas outras poderiam substituir aquelas do presidente deposto por Getúlio Vargas. São elas “governar é fazer superávit primário” e “governar é abafar CPIs”. Lula vai bem na primeira e mal na segunda. Geraldo Alckmin vai bem nas duas. Nesse aspecto, o governador pode dizer que seu governo é mais eficiente que o do PT.

No Brasil, é mais importante saber quem será o ministro da Fazenda do que conhecer o nome do presidente da República. E mais importante do que o ministro da Fazenda, só mesmo o secretário do Tesouro Nacional. A razão dessa anomalia está principalmente no crescimento das despesas com juros e com a Previdência. Não sobra dinheiro para mais nada.

No Brasil, um terço do Congresso pode emparedar e derrubar um governo. Qualquer governo. É o seqüestro da maioria pela minoria (acho que o ex-presidente Ernesto Geisel usou o mesmo argumento para editar o Pacote de Abril; ele falava em "ditadura da minoria"; na imagem acima, a capa da revista Veja que noticiou a reforma constitucional outorgada de 1977).

Qualquer governo que se preze tem como primeira missão defender-se dos adversários. Se Fernando Henrique Cardoso tem aulas a tomar com Lula sobre disciplina fiscal e domínio das massas, o metalúrgico está anos-luz atrás do sociólogo e de seus correligionários quando o tema é governabilidade.


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1 Comentários:

Anonymous Artur disse...

Alon,
RA, OFF,RN, JS, FR, DK, DM, EC, CR, JF, EG, OdC, diF, AdeF, LC Az, RJ, DM, ML, KA et allii terão sérias dificuldades para ignorar este post.

quarta-feira, 29 de março de 2006 18:21:00 BRT  

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