quinta-feira, 2 de março de 2006

O PT só gosta quando a CNBB critica os outros; precisamos é de um Marquês de Pombal (02/03)

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) fez duras críticas à política econômica do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Palácio do Planalto mandou dizer que não gostou. O PT e Lula são assim: adoram quando seus adversários recebem críticas, mas não agüentam tomar uns soquinhos. A CNBB tem todo o direito de dizer o que quiser, até bobagens se for o caso. O que incomoda na Igreja Católica brasileira não são suas críticas a eventuais erros dos governos, mas essa identidade difusa entre o Estado e a hierarquia do catolicismo em nosso país. O que precisa ter um fim é a mania de acharem que Roma pode e deve mandar na vida de todos os brasileiros, mesmo os que não seguem o Papa.

Está na hora de resgatar a memória do português Sebastião José de Carvalho e Melo (1699-1782), o Marquês de Pombal. Transcrevo abaixo um trecho do verbete sobre ele na Wikipedia, na parte em que se refere a suas reformas religiosas e educacionais:

"A ação reformadora de Pombal estendeu-se ainda ao âmbito da política e do Estado. Nesse campo, o primeiro-ministro empenhou-se (...) no combate a setores e instituições que poderiam enfraquecê-lo. Diminuiu o poder da Igreja, subordinando o Tribunal do Santo Ofício (Inquisição) ao Estado e, em 1759, expulsou os jesuítas da metrópole e da colônia, confiscando seus bens, sob a alegação de que a Companhia de Jesus agia como um poder autônomo dentro do Estado português.
Apesar de a Inquisição não ter sido oficialmente desmantelada, ela sofreu com o governo de Pombal um profundo abalo, com medidas que a enfraqueceriam.
Em 5 de Outubro de 1768 obrigou por decreto os nobres portugueses anti-semitas (na altura chamados de "puritanos") que tivessem filhos em idade de casar a organizar casamentos com famílias judaicas.
Em 25 de Maio de 1773 fez promulgar uma lei que extinguia as diferenças entre cristãos-velhos (católicos sem suspeitas de antepassados judeus) e cristãos-novos, tornando inválidos todos os anteriores decretos e leis que discriminavam os cristãos-novos. Passou a ser proibido usar a palavra "cristão-novo", quer por escrito quer oralmente. As penas eram pesadas: para o povo - chicoteamento em praça pública e exílio em Angola; para os nobres - perda de títulos, cargos, pensões ou condecorações; para o clero - expulsão de Portugal.
Em 1 de Outubro de 1774, publicou um decreto que fazia os veredictos do Santo Ofício dependerem de sanção real, o que praticamente anulava a Inquisição portuguesa. Deixariam de se organizar em Portugal os Autos-de-fé.
Na esfera da educação, introduziu importantes mudanças no sistema de ensino do reino e da colônia - que até essa época estava sob a responsabilidade da Igreja -, passando-o ao controle do Estado. A Universidade de Évora, por exemplo, pertencente aos jesuítas, foi extinta, e a Universidade de Coimbra sofreu profunda reforma, sendo totalmente modernizada.
A "reforma universitária" do Marquês de Pombal incluía também o fim da proibição de alunos ou professores com ascendência judaica nos quadros do estabelecimento de ensino."


No Brasil, Pombal também teve inflüência. Outro trecho da Wikipedia:

"Com a expulsão violenta dos jesuítas do império português, o Marquês determinou que a educação na colônia passasse a ser transmitida por leigos nas chamadas Aulas Régias. Até então, o ensino formal estivera a cargo da Igreja. O ministro regulamentou ainda o funcionamento das missões, afastando os padres de sua administração, e criou, em 1757, o Diretório, órgão composto por homens de confiança do governo português, cuja função era gerir os antigos aldeamentos.
Complementando esse "pacote" de medidas, o Marquês procurou dar maior uniformidade cultural à colônia, proibindo a utilização do Nheengatu, a língua geral (uma mistura das línguas nativas com o português, falada pelos bandeirantes) e tornando obrigatório o uso do idioma português. Alguns estudiosos da história afirmam que foi com esta medida que o Brasil deixou o rumo de ser um país bilíngue."


Na foto, a estátua de Pombal em Lisboa. Em minha modesta opinião, nossos governantes deveriam resmungar menos e estudar mais sua biografia e sua obra. Reconheço que as origens clericais do PT dificultam, mas valeria a pena.

Por algum motivo técnico, não consegui fazer funcionar no "browser-carroça" Microsoft Internet Explorer o link direto à página sobre Pombal na Wikipedia em português. É fácil chegar à página do grande reformador pesquisando pelo nome dele ou apenas pela expressão "marquês de pombal".

2 Comentários:

Anonymous paulob disse...

Parabéns Alon. Um comentário desses vale o dia. A verdade é que nenhum país católico foi muito longe. A única exceção é a França. Mas ali houve uma Revolução que separou radicalmente Estado e Igreja.

quinta-feira, 2 de março de 2006 16:29:00 BRT  
Anonymous Julio Milko disse...

Sera que o Pombal era bem a frente da Revolução Francesa?

julio milko
j.milko@yahoo.com

segunda-feira, 6 de março de 2006 04:13:00 BRT  

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