segunda-feira, 27 de março de 2006

O papel do consenso social nas reformas (27/03)

Um artigo de Glória Rebelo no Jornal de Negócios, de Portugal, traz uma síntese objetiva sobre as razões da crise que envolve o projeto de flexibilização do mercado de trabalho para jovens na França. Transcrevo um trecho:

"Mas esta ideia não parece colher na opinião pública. Segundo uma sondagem CSA-Le Parisien, publicada na última semana, 68% dos franceses mostram-se contrários ao regime do CPE. Para os opositores ao CPE, o argumento da rigidez do mercado não procede uma vez que já mais de 70% dos jovens franceses são contratados através de contratos de trabalho de duração determinada (a termo) e muitos destes contratos não são renovados. Além do mais, alguns grupos de estudantes e sindicatos opositores defendem que o CPE visa sobretudo criar mais precariedade, limitando-se a propor a transferência de risco inerente à actividade empresarial para os trabalhadores, ao invés de estabilizar o emprego. É assim que o CPE está a ser vivamente contestado pelos movimentos de esquerda, pela quase totalidade das confederações sindicais (CGT, CFDT, FO, CFTC, FSU e Unsa) e pelos estudantes (na semana passada 57 das 84 universidades francesas foram encerradas)."

Simples assim. Não há como fazer reformas liberais no século 21 sem que elas obtenham apoio das organizações sociais que agrupam os "de baixo". Vale para a França e vale para o Brasil.
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