sexta-feira, 24 de março de 2006

O grave erro da deputada Guadagnin (24/03)

A deputada Ângela Guadagnin (PT-SP) cometeu um erro grave, pelo menos na política: expôs seus sentimentos reais em público. A ex-prefeita de São José dos Campos ficou tão contente com a absolvição de João Magno (PT-MG) que ensaiou uns passinhos de dança no plenário da Câmara dos Deputados (clique na foto para ampliar). Como era esperado, o mundo desabou. Todos que desejavam ver Magno cassado uniram-se para despejar o fogo dos infernos sobre ela. Se a coisa terá efeitos eleitorais para a Ângela, saberemos em outubro.

Essa médica católica do Vale do Paraíba, que é contra os transgênicos, o aborto e vota sempre alinhada com as posições da Igreja, deveria tomar lições do PSDB e do PFL. Eles sim são profissionais da política. Na véspera de tentar cassar Magno, os tucanos conseguiram arquivar no Senado o processo contra o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), cuja campanha em 1998 à reeleição como governador inaugurou, até onde se sabe, o modelo Marcos Valério de caixa 2. Semanas antes de lutar pela cassação do petista, o PFL tanto fez que conseguiu salvar o deputado Roberto Brant (PFL-MG), acusado exatamente -mas exatamente mesmo- da mesma coisa que Magno.

Talvez tucanos e pefelistas tenham feito bem, talvez tivesse sido mesmo um exagero cassar Azeredo e Brant. Inexplicável é os dois partidos acharem que o caixa 2 de correligionários é menos grave que o dos adversários.

Inexplicável uma ova. É transparente como água, basta usar lógica rudimentar. Se o PSDB e o PFL trabalharam para salvar Azeredo e Brant, e trabalharam também para cassar Magno, é porque este último deve ter cometido algum outro crime, além do caixa 2 em sua derrotada campanha de prefeito há dois anos.

Quero ouvir um argumento, um único que seja, contra a hipótese de que PFL e PSDB desejavam cortar a cabeça de João Magno simplesmente porque ele é do PT.

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8 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Não dá para entender que uma pessoa com atuação política e com mandatos eletivos(prefeita, deputada etc.), cometeu erro. A atuação dela no Conselho de Ética sempre foi nessa direção. Em um deles, fez um um voto em separado e o leu por 4 horas. Em outros, pediu vistas e leu votos contrários à cassação.Portanto, exceto pela dança, a atitude era até esperada. A forma escolhida é que soa como um descompromisso com a opinião daqueles que não seguem as mesmas idéias políticas, afinal, ali, é representante da população e não apenas de seus aliados.Se há lado bom nisso, ele situa-se no fato de deixar cada vez mais escancarado que o mais importante é defender os de seu partido. A sociedade que assista e não reclame.

sexta-feira, 24 de março de 2006 18:56:00 BRT  
Anonymous Gusta disse...

Vc esqueceu de um importante detalhe: a origem do dinheiro do caixa 2.
Um era privado....o do deputado merecedor da "dancinha" era público.
Simples assim!
Abs

sexta-feira, 24 de março de 2006 21:17:00 BRT  
Anonymous Plínio B. Müller disse...

Caro Gusta, não deixe que a paixão enevoe sua vista. Os dois casos são exatamente iguais. Em ambos Marcos Valério ofereceu como garantia bancária contratos que detinha com estatais. Se isso é dinheiro público, é nos dois casos. Não tem jeito, quem inventou a escola Marcos Valério de caixa 2 foram os tucanos.

sexta-feira, 24 de março de 2006 21:47:00 BRT  
Anonymous Fernando disse...

Eu não tenho argumentos. Acho que o Roberto Brant e Eduardo Azeredo deveriam ter sido cassados por terem feito Caixa 2.

Agora, quero ouvir um argumento, um único que seja, que me diga porque o Lula não deveria também ser cassado por ter feito Caixa 2.

sábado, 25 de março de 2006 01:46:00 BRT  
Anonymous Priscila Schneider disse...

Claro que não dá para cassar todos os políticos, a não ser no voto ou então por meio de uma ditadura. O Fernando está sofismando, pois ele não tem argumentos para contrapor.

sábado, 25 de março de 2006 16:46:00 BRT  
Anonymous Fernando disse...

Priscila, não quero cassar todos os políticos, só o que fizeram Caixa 2.

Quem defende a cassação do Roberto Brant e do Eduardo Azeredo - como eu - também tem que ser a favor da cassação do Lula. Mesmo crime, mesma pena.

sábado, 25 de março de 2006 17:18:00 BRT  
Anonymous Artur disse...

Uai, Fernando, me conta de um político - qualquer um, pode ser vereador em Xanxerê - que não tenha, nunca, utilizado recursos de caixa 2? Unzinho só, vai...
Talvez o probo e ínclito Relator Serraglio, aquele que nem pisca quando lembrado de sua fenomenal proeza de frugalidade, elegendo-se Deputado Federal pelo PR com o singelo dispêndio de R$ 70 mil?

domingo, 26 de março de 2006 10:32:00 BRT  
Anonymous luciano disse...

Todos deveriam ser cassados. Ou a lei vale ou não vale. O pior é todo mundo achar normal relativizar a questão. Alguém poderia aí chamar o Lampião?? Já que é pra ter bandido como herói, prefiro ele...

segunda-feira, 27 de março de 2006 16:13:00 BRT  

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